Mercado fechado

Acusado de executar Marielle foi homenageado na Câmara do Rio por ex-pastor da Universal

Lucas Landau/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Ex-PM que irá a júri popular pela morte de Marielle Franco e de Anderson Gomes recebeu moção por diminuição de índices de criminalidade.

  • Homenagem na Câmara de Vereadores havia sido proposta por meio do Pastor Paulo Mello, então pastor da Igreja Universal que foi vereador até 2004.

O sargento reformado da Polícia Militar do Rio de Janeiro Ronnie Lessa, 48, viu as histórias ocultas de seu envolvimento com o submundo da contravenção, assassinatos e sua eficiência no gatilho tornar-se públicas na manhã de 12 de março do ano passado. Preso sob a acusação de ser o atirador que matou a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, Lessa será levado a júri popular pelo crime, que completou dois anos neste sábado (14).

Segundo reportagem da revista Época, enquanto as investigações seguem em busca de um mandante para o duplo homicídio, o passado de Lessa continua a vir à tona. Além de ter sido homenageado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, ele também foi alvo de condecoração oficial na Câmara dos Vereadores do Rio.

Leia também

Em Rocha Miranda, dos tempos em que trabalhava no 9º Batalhão de Polícia Militar, onde os PMs ganharam fama entre os moradores como “Cavalos Corredores”, Lessa recebeu uma já conhecida moção do então deputado estadual Pedro Fernandes, avô do atual secretário estadual de Educação, Pedro Fernandes Neto, em 1998. Ao explicar a opção do avô, o secretário contou que foi uma homenagem porque o batalhão bateu os melhores índices de redução de roubo.

Lessa fez Estágio de Aplicações Táticas, um curso de especialização da corporação, passando depois pelo 14º BPM, em Bangu, e pelo 16º BPM, em Olaria, No ano seguinte, 1999. Em 2001, veio a segunda homenagem: agora, por meio do então vereador Pastor Paulo Mello.

Paulo Mello é ex-pastor da Igreja Universal e foi vereador até 2004. Entrou com Liliam Sá e o Bispo Dr. João Monteiro de Castro, assassinado em julho de 2004. Aos 32 anos, sem ensino superior completo, Mello foi eleito pela primeira e única vez, depois de seu nome ter saído de um QG da Universal montado, de acordo com ele, para definir as candidaturas da igreja. No final de seu mandato, ele rompeu com a igreja e não conseguiu mais se eleger.