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Açúcar e outros alimentos ficarão mais caros a partir de agosto

A alta no preço dos alimentos será uma das consequências da falta de chuvas no país.
A alta no preço dos alimentos será uma das consequências da falta de chuvas no país.
  • Consumidores vão pagar mais caro pelo açúcar, café, feijão, laranja e leite

  • O etanol também terá preço diferenciado nas bombas de combustível

  • Investimento em tecnologias diferentes pode minimizar os efeitos das mudanças climáticas

A alta no preço dos alimentos será uma das consequências da falta de chuvas no país. O anúncio do diretor do Banco Central, Roberto Campos Neto, acendeu um alerta ainda maior sobre a crise de estiagem e os setores que provavelmente serão afetados. Ao Yahoo Finanças, especialistas anteciparam que os consumidores vão pagar mais caro pelo açúcar, café, feijão, laranja e leite a partir de agosto. O etanol também terá preço diferenciado nas bombas de combustível.

"Nós temos todos esses choques, e isso está de volta ao Brasil porque agora nós estamos falando de uma crise de energia no Brasil de novo, porque não está chovendo o suficiente. E isso tem um efeito na inflação, no preço dos alimentos, em tudo que fazemos", disse o diretor do BC.

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“O problema é na safra de alguns grãos, principalmente milho, e também com a cana de açúcar. Isso pode repercutir no preço do açúcar e etanol, por exemplo. Desde junho até agosto, época de inverno, estaremos na entressafra, o que também pode alterar os preços para o consumidor final que comprar leite e derivados”, explica o especialista em Varejo, Marco Quintarelli.

Estiagem, entressafra, secas… Todos os anos, consumidores lidam com as notícias de que o preço dos alimentos ficarão mais caros nas prateleiras por conta do clima. Filinto Jorge Eisenbach Neto, economista e professor da PUC do Paraná, defende que o investimento em tecnologias diferentes pode ajudar a minimizar os efeitos das mudanças climáticas com antecedência.

“Podemos ter a produção em ciclos de renovação da água em um formato circular fechado. O governo deve fomentar investimentos no desenvolvimento de tecnologias nas quais sejam utilizadas menos água, mas que não afetem o processo de produção de domínio tecnológico. Assim, é possível proporcionar uma produção em larga escala com menos quantidade de água”, avalia o professor.

“Os produtos da agricultura são muitos afetados pela falta de água, mas os hortifrutigranjeiros têm uma quantidade aquosa na sua composição física”, explica Neto. Então, os primeiros alimentos que irão sofrer um impacto no preço são os das hortas, pomares e granjas.

Para um momento emergencial de captação de água, o professor Neto sugere o Aquífero Guarani, que abrange partes dos territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e, principalmente, Brasil. “Temos também alternativas de produtos que podem ser desidratados, armazenados enquanto há produtividade para depois serem reidratados na hora do consumo – isso se for uma estiagem mais prolongada”, completa.

Suprimento de energia apresenta risco

A crise no fornecimento de energia elétrica também é preocupante para o setor de alimentos. Ricardo Martins, CEO da Natural Energia, atenta para a diversificação da matriz energética no país.

“Hoje temos capacidade eólica, solar e, principalmente, térmica, que podem suprir esse gap de energia. De qualquer forma, é um claro sinal de que há falha no planejamento, pois isso ocorre após a pior crise do século XXI, considerando-se os efeitos de redução de demanda elétrica ocorridos durante a pandemia. Precisamos de mais térmicas na base e um sistema de gasodutos capaz de distribuir o energético, fazendo com que o gás do Pré-sal se torne um benefício a mais para o Brasil”, analisa.