Acordo para Grécia favorece queda discreta dos juros

As taxas futuras de juros oscilam próximas da estabilidade neste início de sessão, com leve viés de queda, na ausência de um noticiário forte e antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre juros, mas sem tirar o dólar do foco. Internamente, a inflação medida pelo IPC da Fipe ficou bem perto do esperado. No exterior, autoridades europeias chegaram a um acordo sobre a redução da dívida da Grécia, porém não eliminaram as incertezas sobre a crise da zona do euro. Além disso, seguem as preocupações com o abismo fiscal dos EUA.

Às 10h08, na BM&FBovespa, o contrato de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2014 marcava 7,29%, de 7,33% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2015 apontava 7,89%, de 7,93%; e o DI para janeiro de 2016 marcava 8,40%, de 8,43% na véspera. Entre os vencimentos longos, o contrato com vencimento em janeiro de 2017 projetava taxa de 8,69%, na mínima, de 8,74% ontem. E o janeiro 2021 apontava 9,35%, na máxima, de 9,37%.

O gerente de renda fixa da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, espera um comportamento "neutro" para a curva a termo, "porque não há nenhuma novidade no noticiário econômico e a inflação pelo IPC veio dentro do esperado". "As taxas futuras oscilam menos hoje", prevê, acrescentando que os investidores seguirão atentos ao comportamento do câmbio. Às 10h09, o dólar à vista negociado no balcão caía 0,29%, a R$ 2,0760.

Para Petrassi, a Grécia não deve influenciar o mercado de juros futuros, uma vez que o acordo já era esperado e não empolgou os mercados internacionais. Outro profissional consultado pela Agência Estado previu alguma recomposição das taxas em relação aos ajustes de segunda-feira (26), especialmente entre os vencimentos médios e longos. Contudo, diz ele, a recomposição não seria acentuada porque ficam dúvidas sobre se as condições impostas à Grécia pelas autoridades europeias serão cumpridas. Além disso, a situação fiscal dos EUA segue no radar.

Autoridades europeias concordaram na madrugada desta terça-feira em liberar aproximadamente 44 bilhões de euros (US$ 57 bilhões) em ajuda à Grécia, dos quais 34,4 bilhões deveriam vir em dezembro (ainda dependem de aprovação no próximo mês). O dinheiro será liberado sob condição de que reformas e cortes no orçamento continuem sendo realizados, a fim de que, em oito anos, a dívida grega seja reduzida a 124% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entre os indicadores domésticos, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,64% na terceira quadrissemana de novembro, ante alta de 0,70% no período anterior. O resultado apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ficou levemente acima da mediana estimada, após levantamento do AE Projeções, de 0,63%.

Já a confiança da indústria caiu para 105,2 pontos em novembro, baixa de 0,8% na comparação com os 106,0 pontos de outubro, com ajuste sazonal, divulgou nesta manhã a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria recuou de 84,2% para 84,0%.

Ainda no Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, promove café da manhã em Brasília para discutir o regime do ICMS com senadores. Nos EUA, a agenda econômica é mais forte, com destaque para o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, às 11h30 (de Brasília), além de indicadores de encomendas de bens duráveis e confiança do consumidor, entre outros.

Em relação ao Copom, que inicia nesta terça-feira sua reunião de dois dias sobre a taxa básica de juros da economia (Selic), segue a expectativa praticamente unânime de manutenção dos 7,25% ao ano. "A ata deverá ser mais dura, informando que o ciclo de queda está interrompido", diz Petrassi, da Leme, prevendo que "o comunicado da decisão (na quarta-feira, 28) já pode dar um recado sim".

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