Mercado fechado

Sem acordo com credores, Argentina prorroga negociação da dívida em 5 semanas

Por Maria Lorente
'Piqueteros' e membros de organizações sociais exibem cartazes que dizem "Se pagamos a dívida externa, não comemos", enquanto participam de passeata rumo ao Palácio do governo, a Casa Rosada, para exigir mais ajuda diante da crise causada durante o confinamento imposto pela pandemia em Buenos Aires, 11 de junho de 2020

Em um clima de alta tensão, a Argentina prorrogou em cinco semanas mais as negociações com seus credores em busca de um acordo que lhe permita reestruturar bônus no valor de 66 bilhões de dólares, emitidos sob legislação estrangeira.

O prazo para que os detentores dos bônus se pronunciem sobre sua adesão ao resgate proposto será agora "às 17H00 de Nova York (18h de Brasília) de 24 de julho", informou o governo de Alberto Fernández em um comunicado divulgado nesta sexta. O país voltou a estender as negociações pela quarta vez desde que tiveram início em 20 de abril.

"A Argentina acredita firmemente que uma reestruturação de dívida bem sucedida contribuirá para estabilizar a condição econômica atual, mitigando as restrições de médio e longo prazo sobre a economia", reiterou o governo argentino.

A bolsa de Buenos Aires reagiu com alta de quase 8%.

Nos últimos dias, as posições entre a Argentina e alguns grupos de credores endureceram. O Grupo Ad Hoc, que compreende 13 fundos internacionais, advertiu nesta quinta que diante do "fracasso das negociações", avalia reivindicar seu pagamento nos tribunais de Nova York.

O diálogo com os detentores de bônus "avança entre solavancos", admitiu Fernández nesta sexta, embora tenha se mostrado confiante em "encontrar um ponto de acordo".

"Temos que evitar que a Argentina siga sendo vista no mundo como um país que não cumpre suas obrigações", destacou.

A Argentina, a terceira maior economia da América Latina, assegura que as negociações estão bem encaminhadas com os demais credores.

"Há muitos credores que estão em um ponto de encontro politicamente", afirmou uma fonte do governo.

Alguns analistas acreditam que as diferenças são tão pequenas que o governo de Fernández deveria ceder para conseguir uma das maiores reestruturações da História.

A Argentina entrou tecnicamente em default em 22 de maio, quando descumpriu o pagamento de 500 milhões de dólares de três bônus sujeitos a resgate.

Nesta recuperação há bônus de 2005 e 2010, produto de uma reestruturação anterior durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner (2003-2015), e também novos títulos emitidos a partir de 2016, durante o mandato de Mauricio Macri (2015-2019).

Em poucos dias vencem os juros de outros bônus, mas com o período de carência, seu pagamento pode ser estendido até o fim de julho, logo depois do prazo estabelecido nesta sexta.

Os argentinos têm fresca na lembrança o default de 2001, o maior da História. O contexto é ruim para o país, em recessão desde 2018, com 35% de seus quase 45 milhões de habitantes na pobreza e uma inflação que alcançou 53% em 2019, uma das mais altas do mundo.