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Acordo automotivo acelera investimentos, diz Guedes

NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ, 06.09.2019 - O ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, e o ministro de Produção e Trabalho da Argentina, Dante Sica, concedem entrevista coletiva nesta sexta-feira (06), no auditório do edifício do Ministério da Economia no Rio de Janeiro, para comentar o anúncio do acordo entre os dois países. Centro do Rio de Janeiro (Foto: Vanessa Ataliba/ Brazil Photo Press)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O acordo automotivo assinado com a Argentina nesta sexta-feira (6) acelera a decisão de investimentos das montadoras e limita a guerra fiscal entre estados, afirmou o ministro da Economia, Paulo Guedes. Para as empresas, os termos garantem maior previsibilidade.

O acordo estabelece que o livre-comércio de veículos entre os dois países ocorrerá em 2029 -nove anos após previsão original- e estabelece um cronograma para que a abertura total do mercado seja cumprida cinco anos antes da implementação do acordo Mercosul-União Europeia.

"Estamos celebrando mais um passo na direção das promessas de campanha do governo Bolsonaro", afirmou Guedes. "Vamos abrir a economia brasileira, e vamos abrir nesse processo de acordos bilaterais cada vez mais abrangentes."

A possibilidade de livre troca de carros e peças no Mercosul vinha sendo adiada diversas vezes. O setor é um dos poucos que ficaram de fora do bloco e sempre teve comércio administrado.

Segundo o ministro, a maior previsibilidade no processo de abertura pode acelerar a decisão de investimento das montadoras nos dois países.

"Várias fábricas estavam paradas pensando onde iriam botar as próximas unidades de produção, no Brasil ou na Argentina", afirmou o ministro.

"Porque o Mercosul, de certa forma, nos aprisionou um pouco, as duas economias se fecharam, enquanto o mundo inteiro estava aberto."

Com o acordo, disse Guedes, empresas poderão decidir por fábricas maiores, com ganho de escala, em vez de dividir a produção entre os dois países. A decisão pelos locais, afirmou, será tomada de acordo com condições como custo de energia e localização perto do mercado.

Os termos acordados determinam que investimentos feitos com base em incentivos fiscais percam o direito de preferência no comércio entre os países, limitando a guerra fiscal entre estados brasileiros e entre províncias argentinas.

"Nos últimos 20 anos, vínhamos renovando acordos a cada dois ou três anos. Isso é importante porque vai dar previsibilidade ao setor", afirmou o ministro do Trabalho e do Emprego da Argentina, Dante Sica.

Em nota, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) disse que o processo "traz um cenário de previsibilidade e segurança para a indústria automobilística". O setor representa cerca de 50% do comércio exterior entre Brasil e Argentina.

O acordo prevê um aumento gradativo do chamado "flex", múltiplo que regula o comércio de veículos e peças entre os dois países. Hoje está em 1,5: para cada US$ 1,50 exportado do Brasil para a Argentina, os argentinos podem enviar US$ 1 aos brasileiros.

Com o novo entendimento, esse indicador sobe para 1,7 e avança gradativamente até 3,0 perto do fim da vigência do tratado. O novo acordo também prevê equalização das regras de origem (percentual de peças nacionais nos carros) entre Brasil e Argentina ao acordo entre Mercosul e União Europeia até 2027.

Estipula cotas para o comércio de veículos híbridos e elétricos, iniciando com um teto de 15 mil unidades por ano e crescendo 3.500 unidades a cada ano, até chegar a 50 mil veículos no fim de 2029.

Arrecadação traz surpresas favoráveis, afirma ministro

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta (6) que o governo continua tendo "surpresas favoráveis" na arrecadação de impostos. Segundo ele, a receita de agosto superará as expectativas em R$ 5 bilhões. Em julho, a receita com impostos cresceu R$ 4,1 bilhões. Ele voltou a defender o respeito ao teto de gastos do governo federal como fundamental para equilibrar as contas públicas.