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Ações de estatais que serão privatizadas são uma boa opção?

Foto: Getty Images

A privatização das estatais é uma das principais bandeiras econômicas do governo Bolsonaro. Apesar dos recentes anúncios da venda de Correios, Telebrás e outras, a falta de prazo para que isso ocorra abre oportunidades para investidores no mercado de ações.

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É preciso levar em consideração que as estratégias de investimentos pessoais, com esse movimento do governo, devem ser para um prazo maior. A não ser no caso de quem está decidido a especular e tem condições para isso – uma pequena minoria.

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A hora de comprar as ações depende de cada caso. A Telebrás, por exemplo, se valorizou mais de 1.000% em poucos dias desde o anúncio do pacote de privatizações. Essa subida brusca leva analistas do mercado a concluir que os papeis da empresa estão supervalorizados e devem passar por uma correção. Quem comprar ações dessa empresa agora corre sérios riscos de perder dinheiro.

Outras empresas estatais que podem ser privatizadas ainda nem estão na bolsa. Nesse caso, não há o que fazer por enquanto.

Mesmo nos casos de empresas já listadas na bolsa – e que precisam obedecer a regras mais rígidas de governança e transparência – o mercado vê alterações qualitativas com processos de privatizações. Os agentes acreditam que as empresas ganham mais eficiência quando deixam de ser estatais. O resultado disso tudo, no cálculo dos investidores, são resultados melhores para as empresas.

“O melhor exemplo que temos até hoje é a Vale”, afirma o sócio fundador da MoneyMark Investimentos, associada à XP, Gianmarcelo Germani. Ele conta que o nível de produção da empresa era muito menor antes da venda pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1997. Depois disso, adotou uma estratégia de mercado mais agressiva que se reflete em dividendos. Mesmo com as tragédias de Mariana e de Brumadinho – que podem ser apontadas como um sério problema de gestão –, a Vale é considerada um exemplo de eficiência pelo mercado.

Mesmo assim, os efeitos esperados podem não aparecer rapidamente para quem resolve apostar nas privatizações. Depois de transferido o controle das mãos do governo para as do setor privado, as empresas geralmente passam por mudanças administrativas importantes. Planos de carreira para os funcionários precisam ser adotados, por exemplo.

Além disso, muitas estatais têm planos de previdência complementar para seus servidores que deverão ser assumidos pela empresa resultante. Tudo isso deve estar no radar de quem resolve apostar. “É importante o investidor entender que em nenhum caso haverá ganho fácil”, afirma Germani.