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Ex-chefe de segurança do Twitter faz denúncia no Congresso; acionistas aprovam venda para Musk

O ex-chefe de segurança do Twitter Peiter Zatko denunciou nesta terça-feira no Senado americano que a plataforma ignorou seus alertas sobre falhas de segurança, ao mesmo tempo que os acionistas da empresa aprovaram o acordo de aquisição por Elon Musk por US$ 44 bilhões, pendente de decisão judicial.

A decisão dos acionistas é uma condição para que o acordo se concretize, embora Musk tente nos tribunais sair do mesmo. A votação consolida a posição da plataforma, que recorreu à Justiça para fazer Musk cumprir seu compromisso de adquirir a empresa. Um julgamento está marcado para o próximo mês.

Analistas apontam que o depoimento de Peiter Zatko, 51, colocará mais pressão sobre a empresa quando o julgamento de cinco dias em Delaware começar, no próximo mês. "Estou aqui hoje porque os líderes do Twitter estão enganando o público, os congressistas, reguladores e até mesmo a sua própria direção", afirmou na audiência.

O ex-funcionário também declarou ao comitê do Congresso que, enquanto ocupou o cargo, do fim de 2020 até janeiro de 2022, tentou alertar a administração sobre vulnerabilidades graves ou roubo de dados. "Não sabem que dados possuem, onde estão ou de onde vêm. Dessa forma, obviamente não podem protegê-los", assinalou.

"Os funcionários têm muito acesso. Não importa quem tem as chaves se as portas não têm fechadura. Para dizer sem rodeios, os executivos do Twitter ignoraram seus engenheiros porque não tinham capacidade de entender o alcance do problema", acrescentou Zatko. "Mas o mais importante é que seus incentivos os levaram a priorizar o lucro, em detrimento da segurança."

No fim de agosto, a revelação pela imprensa do relatório de Zatko, muito respeitado na comunidade de cibersegurança, teve o efeito de uma bomba. O Twitter chamou as acusações de infundadas, mas elas vieram em boa hora para Elon Musk.

- Mais pressão antes do julgamento -

Em seu relatório, Peiter Zatko se refere diretamente às perguntas formuladas por Elon Musk sobre as contas de robôs no Twitter e afirma que as ferramentas e os equipamentos da empresa para encontrar essas contas são insuficientes. Musk cita o fato de o Twitter não ter lhe fornecido informações suficientes sobre as contas falsas e de spam na plataforma como motivo para abandonar sua intenção de compra.

No fim de abril, o conselho de administração do Twitter e Musk assinaram um contrato de venda a US$ 54,20 por ação. Em seguida, o dono da Tesla e da SpaceX multiplicou suas acusações contra a plataforma, que dizia querer transformar numa ferramenta para a democracia. Em 8 de julho, Musk se retirou do negócio.

O Twitter está processando o empresário para obrigá-lo a concluir a compra. O julgamento terá início em outubro, em um tribunal do estado de Delaware especializado em direito empresarial.

O depoimento de Zatko "coloca mais pressão sobre o Twitter antes do julgamento", observou o analista da Wedbush, Dan Ives. "A aprovação desse acordo pelos acionistas do Twitter era óbvia, mas o maior desafio começa agora, com o julgamento."

Se o Twitter vencer o processo, a juíza pode ordenar que o dono da Tesla pague bilhões de dólares à empresa como indenização, ou até mesmo que conclua a compra.

O CEO do Twitter, Parag Agrawal, negou-se a depor na audiência de hoje, citando o litígio em curso, declarou o senador Chuck Grassley. Peiter Zatko insistiu em que não fez suas revelações "por despeito ou para prejudicar o Twitter". "Longe disso, sigo acreditando na missão da empresa", ressaltou na audiência de hoje.

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