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Achava que não podia ocupar certos espaços, diz 1ª trans eleita vereadora em Aracaju

KATNA BARAN
·4 minuto de leitura

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - A trajetória política da ativista Linda Brasil (PSOL), primeira trans eleita vereadora em Aracaju (SE), começou ainda em 2013, nos bancos da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Ela teve o direito a identidade de gênero desrespeitado por um professor, que se negou a chamá-la pelo nome social. Do processo administrativo aberto na universidade, nasceu sua primeira conquista: uma portaria obrigando a utilização do nome social na sala de aula. De lá para cá, além de duas tentativas de eleição para Linda, muita coisa mudou nos direitos das pessoas trans, em avanços e retrocessos, como ela mesma aponta. Se, de um lado, o número de pessoas trans eleitas pelo Brasil quase quadriplicou, a maior exposição também significa maior espaço para os ataques. Durante a campanha, as agressões em redes sociais eram pontuais, segundo Linda Brasil, mas, desde que ela foi confirmada como a mais votada da capital sergipana, subiram de tom, a ponto de ela ter que montar um dossiê para fazer uma denúncia na delegacia de crimes cibernéticos. Mesmo tendo que reagir a quem não se conforma com a ocupação de mais esse espaço de poder por grupos minoritários, Linda avalia que não haverá volta nos números conquistados pelas trans nesse pleito. "A gente não vai voltar para as esquinas, como eu fui empurrada para a prostituição e como acontece com 90% das mulheres trans e travestis do Brasil", afirma. Segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2016, oito pessoas trans foram eleitas para Câmara Municipais por todo o Brasil. No último domingo (15), esse número chegou a 30, o que representa um aumento de 275% em relação ao último pleito. Além de Linda, outras 27 travestis e mulheres trans foram eleitas. Sete delas foram campeãs de votos. Dois dos eleitos são homens trans, como Thammy Miranda (PL), em São Paulo. Linda chama a atenção para a importância de inclusão de pautas pró-grupos LGBTQIA+ nos mandatos dos eleitos para além do aumento de representatividade. "Não basta ser do grupo e reproduzir as mesmas práticas políticas construídas com base na opressão." Um dos exemplos de contraste de integrantes de grupos minoritários com as pautas da campanha saiu de Londrina, norte do Paraná, onde a vereadora eleita Jessicão (PP), que é lésbica, coordena um movimento de direita e disse que não terá ações em prol da causa, pois defende as pautas do presidente Jair Bolsonaro, incluindo "Deus, pátria e família". O advogado especialista em Direito Constitucional Cláudio Pereira de Souza Neto, autor do livro Democracia em crise no Brasil, avalia que a ascensão desses grupos, mesmo que não alinhados às pautas progressistas, já é um avanço. "De maneira geral, a diversidade é importante. Não se trata de esquerda ou de direita, mas da própria democracia. É uma eleição que, de certa forma, confirma nosso apreço pela diversidade, ainda que de forma tímida, mas anuncia que novos ares chegaram", diz, ressaltando a diferença de ambiente em relação à 2018, na eleição de Bolsonaro. Ele acrescenta que as conquistas LGBTQIA+ podem ultrapassar a barreira do Judiciário e passar a fazer cada vez mais parte do Legislativo. "A previsão do casamento de pessoas do mesmo sexo e seu reconhecimento foram coisas que partiram do Judiciário, não do Parlamento. Agora, essas pessoas assumem um protagonismo mais concreto e imediato, ou seja, maior protagonismo dos próprios interessados na política." Para a líder comunitária travesti Yasmin Prestes (MDB), 38, apesar de ter defendido a luta trans durante a campanha, não foi esse o ponto determinante para sua eleição como vereadora na pequena cidade gaúcha de Entre-Ijuís, com estimativa de 8.411 habitantes. Filha de agricultores, Yasmin diz não conhecer outras pessoas trans no município. "Mesmo assim, estou representando minha causa e dizendo para minhas amigas de cidades vizinhas para meterem a cara, concorrerem, abrirem espaço na política, quanto mais é melhor." Nascida e crescida na cidade, ela afirma que até hoje não sofreu qualquer tipo de preconceito dos moradores. Pelo contrário, todos, segundo ela, respeitam seus 24 anos dedicados aos carentes. Hoje, além de líder comunitária e voluntária da pastoral da criança, ela coordena um brechó, cuja verba é revertida em assistência social e também para a causa animal. "Fiz quilômetros percorrendo canto a canto no município, a pé, fui bem recebida em todos os lugares, e o resultado veio na urna, é o resultado das nossas lutas diárias." Linda, de Aracaju, destaca que deve haver uma preocupação das trans eleitas em virarem referências para outras integrantes do grupo. "Vou trabalhar para que outras meninas possam sonhar e que os sonhos sejam realizados, já que, por vários anos, deixei de sonhar porque achava que por ser mulher trans não podia ocupar certos espaços na sociedade."