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Acesso a crédito na ponta é papel do banco privado, diz presidente do BNDES

PAULA SOPRANA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Gustavo Montezano, afirmou nesta quinta-feira (18) que a instituição não tem condição de chegar à última milha, justificando a dificuldade de acesso a crédito enfrentada por micro, pequenas e médias empresas durante a crise de coronavírus.

"Então é normal, entre aspas, procurar o BNDES e não encontrar. A relação tem que ser feita com o agente bancário", disse o presidente do banco em uma transmissão da corretora XP Investimentos.

Montezano também afirmou que o problema de acesso a crédito "não é uma questão nova no Brasil" criada no contexto da Covid-19.

"Antes da crise, a taxa de uma empresa média que tomava recursos era de 1,4% ao mês, imagina quanto isso dá por ano. Se for para pequena, era 2% antes da crise", disse.

Montezano, que está há um ano à frente do banco, citou as linhas disponibilizadas a empresas junto ao governo durante a crise, como os programas emergenciais de acesso a crédito e de proteção de emprego, que somam R$ 65 bilhões. A contratação, entretanto, tem sido limitada ao cliente final, que relata burocracia e demora na liberação dos recursos pelos bancos privados, que atuam na ponta final da concessão do crédito.

O governo tem linhas independentes, como Pronampe, linha de crédito de R$ 15,9 bilhões a micro e pequenas empresas, que passou a ser liberada agora, praticamente três meses depois do início do isolamento social.

"A gente não compete no varejo, então quanto mais competidores conseguirmos colocar de pé e apoiar, melhor para a gente, porque vai melhorar o atendimento para o empreendedor na ponta. A partir do mês que vem dá para ver resultado melhorando na ponta", afirmou.

Montezano também destacou o papel do Programa Emergencial de Acesso a Crédito, que dará seguro de crédito para que bancos possam emprestar no que ele chamou de última milha. "A relação do cliente com o banco não vai mudar. O banco dá o empréstimo e garante parte dele junto ao Tesouro", destacou. Cada banco tem 20% de risco nessa operação.

O presidente também afirmou que os programas com foco em infraestrutura estão andando "a mil por hora" dentro do banco, mesmo com a Covid, destacando a privatização da Eletrobras e dos Correios, que estão nos planos do Ministério da Economia.

Montezano não foi questionado e não mencionou a crise política que complicou a situação do governo federal nesta quinta-feira, com a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flavio Bolsonaro, e a saída de Abraham Weintraub do Ministério da Educação.