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Acessórios conectados poderiam detectar COVID-19 antes da aparição de sintomas

Por Rob Lever
Pesquisadores trabalham em sistemas de detecção do coronavírus antes da aparição dos sintomas, por meio de acessórios conectados

O relógio inteligente, que já mede a atividade física e o sono, por exemplo, seria capaz de detectar a COVID-19 antes do surgimento dos sintomas?

Neste contexto de pandemia, os pesquisadores se perguntam se os acessórios conectados não poderiam ser usados para alertar seus usuários se são portadores do novo coronavírus nos primeiros dias, período crucial em que uma pessoa pode estar contaminada sem suspeitar de que esteja.

No mês passado, cientistas do Instituto Rockefeller de Neurociência da Universidade da Virgínia Ocidental disseram ter criado uma plataforma digital capaz de detectar a COVID-19, graças ao anel conectado Oura e a um sistema de Inteligência Artificial.

Seu uso prevê o aparecimento de sintomas (febre, tosse, dificuldades respiratórias) até três dias antes e com 90% de precisão, garantem eles.

Já o Instituto de Pesquisa Scripps mobilizou mais de 30.000 pessoas para estudar como os acessórios poderiam identificar portadores assintomáticos, ou "pré-sintomáticos", da doença.

Os dispositivos "têm o potencial de identificar pessoas contagiosas", apesar da ausência de sintomas, diz a diretora da pesquisa, a epidemiologista Jennifer Radin.

Este instituto já demonstrou seu potencial para prever a gripe, de acordo com um estudo publicado em janeiro deste ano no periódico "The Lancet".

- Ouvir o coração -

Os acessórios medem "mudanças sutis", descreve Jennifer Radin, talvez de maneira mais precisa e convincente do que os controles de temperatura.

Segundo ela, "40% das pessoas que ficam com COVID-19 não têm febre".

Os dispositivos monitoram, por exemplo, a frequência cardíaca em repouso, um bom indicador do início da infecção.

"Vemos mudanças (no pulso) quatro dias antes de que alguém tenha febre", afirma o diretor do Instituto Scripps, o pesquisador Eric Topol.

Ele acredita que a ideia de usar acessórios seja promissora, "porque 100 milhões de americanos usam relógio, ou pulseira, conectados".

O estudo produzirá resultados conclusivos, porém, apenas se muitas pessoas se oferecerem para participar como voluntárias, alerta Topol.

A startup californiana Evidation está tentando desenvolver um algoritmo de alerta precoce, por meio de acessórios conectados usados por 300 pessoas altamente expostas ao risco de contraírem a doença.

O experimento conta com recursos do governo e da Fundação Bill & Melinda Gates.

A pesquisa deve "identificar com mais eficácia quando e onde as pessoas pegam a COVID-19 e, potencialmente, facilitar intervenções em tempo real para limitar sua disseminação e avaliar os resultados", esclarece o cofundador da Evidation, Luca Foschini.

Um estudo semelhante está em andamento na Alemanha.

- 'Você tem uma nova mensagem' -

A Medicina está cada vez mais considerando o uso de acessórios conectados para diagnóstico, pois eles podem monitorar a temperatura corporal, a frequência cardíaca e respiratória, o sono, a atividade física, entre outros indicadores.

A Apple lançou estudos para avaliar a capacidade de seu Apple Watch de detectar problemas cardíacos.

A Fitbit, sua concorrente no segmento de relógios conectados, participa de 500 projetos diferentes sobre câncer, diabetes, doenças respiratórias e outros problemas de saúde.

"Os relógios e outros acessórios usados em uma única pessoa fazem pelo menos 250.000 medições por dia, o que os torna dispositivos de rastreamento muito potentes", diz Michael Snyder, da Stanford Medical School.

Pesquisadores desta universidade anunciaram em abril sua participação em pesquisas sobre esse tipo de objeto conectado e várias doenças, incluindo a COVID-19, em associação com o Instituto Scripps.

Michael Snyder espera que, em um futuro próximo, os acessórios conectem os seres humanos aos sinais de alerta de infecção, ou de outras doenças.

"Quando você se pergunta se tem alergia, ou está ficando doente, esses algoritmos podem ajudá-lo a determinar se você deve ficar em casa porque seu corpo está combatendo um vírus", completou Snyder.