Após abrir em queda junto com exterior, dólar vira

O dólar começou a sessão com ligeira queda ante o real, influenciado pelo desempenho negativo no exterior. Em seguida, a moeda norte-americana virou para o lado positivo, acompanhando a pressão de alta derivada do mercado futuro. Segundo um operador de tesouraria de um banco, o comentário nas mesas de câmbio é de que a virada do dólar foi sustentada por uma saída de recursos do mercado.

O dólar à vista abriu em baixa de 0,05%, cotado a R$ 2,0410 no balcão - na mínima. Às 9h31, o spot virou e atingiu máxima de R$ 2,0440, alta de 0,10%. No mercado futuro, após abrir com queda de 0,05%, a R$ 2,0435, o dólar para fevereiro de 2013 oscilou até 9h35 entre uma mínima de R$ 2,0430 (-0,07%) e uma máxima de R$ 2,0475 (+0,15%).

A expectativa é de que a liquidez melhore no segmento de moedas em âmbito mundial e no Brasil, uma vez que os mercados de ações voltam a operar normalmente nesta terça-feira nos Estados Unidos. Na segunda-feira um assessor do partido republicano informou que a previsão é de que a Câmara dos EUA vote nesta quarta o aumento do teto da dívida.

Por enquanto, o déficit de US$ 2,7 bilhões da balança comercial brasileira nos primeiros 20 dias de janeiro não provocou pressão de alta sobre a taxa de câmbio, disse um operador de tesouraria de banco. "A pesquisa Focus do Banco Central mostra que o mercado ainda trabalha com uma perspectiva de superávit para a balança comercial no ano. Se essa expectativa tiver mudança a partir da piora dos dados semanais, aí sim o mercado poderá expressar sua preocupação através de um ajuste na taxa de câmbio, com elevação do dólar", disse a mesma fonte. De acordo com a pesquisa Focus, divulgada na segunda-feira, o mercado estima que o superávit comercial do País deve seguir em US$ 15,43 bilhões em 2013 e em US$ 15,00 bilhões em 2014.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou na segunda-feira que o saldo negativo da balança nos primeiros 20 dias de janeiro é maior do que o rombo de todo o mês de janeiro do ano passado, de US$ 1,3 bilhão. Um desequilíbrio tão forte da balança não era observado ao longo de um mês desde a época em que o dólar ainda era fixo e estava cotado em R$ 1. Em outubro de 1998, o resultado ficou deficitário em US$ 1,4 bilhão.

Os agentes de câmbio também esperam que o giro financeiro melhore com o retorno dos mercados em Nova York, após o feriado nos EUA na segunda-feira, que reduziu a liquidez em âmbito mundial. Ontem, o mercado futuro de câmbio da BM&FBovespa registrou queda de 62% em seu giro financeiro, de apenas US$ 4,382 bilhões, ante US$ 11,518 bilhões movimentados na sexta-feira.

O clima de negócios no exterior nesta manhã melhorou sensivelmente após a Alemanha anunciar que as expectativas econômicas tiveram uma forte melhora em janeiro, ampliando o avanço verificado no mês passado e refletindo riscos menores para a economia do país.

Segundo o instituto de pesquisa econômica ZEW, o índice de expectativas econômicas avançou para 31,5, de 6,9 em dezembro. O resultado, o maior nível desde maio de 2010, ficou bem acima da expectativa dos analistas, que esperavam alta do indicador para 12,0. O presidente do ZEW, Wolfgang Franz, ponderou em comunicado que "a situação econômica de importantes parceiros comerciais ainda é considerada fraca". Franz previu ainda que a economia alemã deverá ter crescimento moderado este ano.

Os leilões de títulos da Espanha com a venda de uma quantidade de papéis acima do pretendido e um a custo menor que em operações anteriores ajudam também a dar impulso ao euro, que mais cedo chegou a cair diante do dólar até US$ 1,3267. Às 9h38, o euro subia a US$ 1,3349, de US$ 1,3314 no fim da tarde de ontem.

Outro destaque da agenda europeia desta terça-feira é a reunião do Ecofin, o grupo de ministros de Finanças da União Europeia, em Bruxelas, sem horário divulgado. Já às 16h (de Brasília), o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, faz pronunciamento.

O BoJ, o banco central do Japão, anunciou que adotará, formalmente, uma meta de inflação de 2%, em substituição à atual meta de 1,0%. A autoridade também decidiu manter as taxas básicas de juros entre 0,0% e 0,1%. Além disso, introduzirá um programa de relaxamento ilimitado, que inclui planos para a compra mensal de cerca de 2 trilhões de ienes em títulos a partir de 2014. Segundo o BoJ, a partir de janeiro de 2014, quando terminar o atual programa de compra de ativos, dará início a um novo programa para comprar 13 trilhões de ienes (US$ 147 bilhões) em ativos por mês, sem uma data para encerramento. O plano é comprar cerca de 2 trilhões de ienes em JGBs, ou bônus do governo, e 10 trilhões de ienes em títulos do governo.

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