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Abril deve ter sido o mês de maior queda do PIB, diz técnico da FGV

Alessandra Saraiva

Indicador de Atividade Econômica da FGV apresentou queda de 12,9% ante abril do ano passado A queda de 8,8% no Indicador de Atividade Econômica (IAE) da Fundação Getulio Vargas (FGV) em abril, ante março, sinaliza retração expressiva no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, disse o economista Claudio Considera. Sem tecer projeções para o PIB do segundo trimestre, o pesquisador da FGV observou que abril deve ter sido o mês de maior contração da economia por causa da pandemia de covid-19.

A profundidade da queda no mês preocupa e deve contribuir para afundar ainda mais o desempenho do PIB no segundo trimestre, notou o técnico. Para ele, o desempenho do IAE de abril, com a maior retração da série histórica, iniciada em 2000, indica queda tão intensa que a economia provavelmente só voltará ao nível anterior à pandemia em 2021. "Duvido muito que recupere alguma coisa nesse ano. [O PIB de 2020] vai ser um desastre" afirmou.

No IAE da FGV anunciado nesta quarta-feira, a queda de 12,9% na atividade ante abril de 2019 também foi recorde negativo para a série do indicador. No trimestre móvel finalizado no mês retrasado, a queda foi de 5,8% em relação ao trimestre encerrado em janeiro.

Considera comentou que o mês de abril, no indicador, mostrou quedas profundas nas atividades da indústria (-19,6%), serviços (-10,4%) e comércio (-26%) na comparação com abril do ano passado. No setor industrial, somente a indústria da transformação teve tombo de 29% na comparação interanual, enquanto a setor de construção se contraiu 19%.

O técnico comentou que o mercado já imaginava quedas expressivas na economia por conta de covid-19. Porém, somente agora é possível quantificar em números a profundidade da retração em diferentes setores. Assim, na prática, a intensa queda da economia na economia possibilita novas revisões nas taxas de PIB para segundo trimestre.

Na análise do economista, o PIB do segundo trimestre ante primeiro trimestre deve mostrar retração bem mais intensa do que a observada no primeiro trimestre ante quarto trimestre (-1%). Mesmo a possibilidade de reabertura gradual da economia a partir de maio não será suficiente para impedir uma queda profunda da atividade entre abril e junho.

Considera comentou que o boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da FGV de maio revisou a queda do PIB ante primeiro trimestre de 2020 de 5,7% para 9,6% e não descartou possibilidade de o instituto revisar novamente para baixo a projeção. "Teremos um [segundo] trimestre, com retomada na atividade em 2020 muito lenta", resumiu.