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Abordagem social alivia conflito com mineradoras no Peru

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(Bloomberg) -- No Peru, as mineradoras estão começando a aderir a uma abordagem mais branda para resolver conflitos sociais que ameaçam algumas das maiores operações de cobre, zinco e prata do mundo, de acordo com a primeira-ministra do país.

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Os governos anteriores costumavam enviar forças militares para lidar com protestos envolvendo a mineração, deixando mortos, feridos e ressentimento em comunidades rurais isoladas. A nova estratégia de respeitar o direito de protesto e negociar acordos duradouros pode ser mais demorada, mas começou a dar frutos, disse Mirtha Vasquez em uma entrevista na terça-feira.

“As empresas estão em um processo interessante de reflexão”, afirmou ela. “Embora esses caminhos pareçam mais longos, não há via melhor para elas do que esses cenários sustentáveis de tranquilidade.”

O setor criticou o governo do presidente socialista Pedro Castillo pela forma de lidar com uma série de exigências sociais que incluem o fechamento de algumas minas, preocupações ambientais e a divisão mais ampla dos benefícios econômicos.

As tensões se agravaram no mês passado, quando a mina Las Bambas, da MMG, foi paralisada após bloqueios ao longo de uma estrada usada para enviar cobre para o porto.

Um acordo preliminar com as comunidades permitiu a retirada dos obstáculos e a retomada das operações, ajudando a aliviar as tensões no país do qual o mercado de cobre depende para atender à crescente demanda associada à transição para energia limpa.

Segundo Vásquez, o presidente Castillo, ex-líder sindical que foi eleito por votos nas áreas rurais, quer substituir as batalhas sangrentas do passado por diálogo, soluções personalizadas, maior presença do Estado para garantir enquadramento e evitar crises, além de canalizar mais recursos para áreas de maior conflito.

A direção de Las Bambas “está bastante aberta a aderir a esse novo modelo, a discutir como incorporar as pessoas na cadeia de valor e gerar menos impacto para a população”, afirmou a primeira-ministra.

Outras companhias envolvidas em conflitos sociais, como a Hochschild Mining, também encampam a oportunidade de melhorar processos, segundo ela. Porém, alguns no setor continuam pensando que o Estado está lá para reprimir. “É preciso mostrar a esses indivíduos que a mão pesada não funcionou.”

O governo peruano trabalha com o Banco Mundial para encontrar meios de fortalecer a fiscalização ambiental, com sanções para infratores e regras mais rígidas para áreas vulneráveis, especialmente diante das mudanças climáticas. O governo também prepara normas para evitar garimpo ilegal em áreas protegidas e pretende redistribuir o que arrecada com o setor.

“Queremos revisar a legislação canônica de mineração para que os recursos oriundos da atividade extrativa realmente cheguem às comunidades mais próximas a essa atividade”, afirmou ela.

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