'Abismo fiscal' interrompe sequência de alta da Bovespa

Depois de três altas seguidas, nesta sexta-feira a Bovespa encerrou o dia no campo negativo, acompanhando a performance das bolsas em Nova York, em razão do aumento das preocupações com a questão fiscal nos Estados Unidos. Os temores cresceram após o cancelamento da votação do plano B dos republicanos, na noite de quinta-feira (20). Essa derrota indicou que, mesmo dentro do próprio partido, ainda não há maioria na Câmara. Essa leitura acendeu a luz amarela e os investidores resolveram embolsar os ganhos recentes, já que esta é a última semana de cinco dias úteis do ano. As blue chips - Vale e Petrobras - foram alvo de vendas e terminaram em queda.

O Ibovespa encerrou com declínio de 0,44%, aos 61.007,03 pontos. A queda, no entanto, não anulou os ganhos da semana, que ficaram em 2,35%. Esta aliás, é a terceira semana seguida de ganhos. No mês e no ano, a valorização acumulada é de 6,15% e 7,49%, respectivamente. Na mínima, o índice atingiu 60.221 pontos (-1,72%) e, na máxima, 61.271 pontos (-0,01%). O giro financeiro foi de R$ 6,506 bilhões.

Nesta sexta-feira, no meio da tarde, o líder da maioria no Senado norte-americano, o democrata Harry Reid, foi ao plenário da Casa para afirmar que o plano fiscal do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, nasceu morto e o criticou por desperdiçar uma semana de negociações com "acrobacias políticas". Reid avisou a Boehner que as negociações para evitar o abismo fiscal "não são um jogo" e que haverá consequências muito sérias para a economia norte-americano se os cortes de gastos e aumentos de impostos entrarem em vigor no começo do ano que vem. "Boehner está utilizando desculpas processuais, falsas", comentou.

Para o operador de uma grande corretora, o fracasso de Boehner na véspera deu vantagem aos Democratas, que hoje atacaram o republicano dizendo que ele é o responsável pelo acordo ainda não ter sido concluído. O profissional, no entanto, ainda acredita que alguma decisão será anunciada antes do fim do ano.

Menos otimista, o operador institucional da Renascença Corretora, Luiz Roberto Monteiro, não descarta a possibilidade de que um solução para o abismo fiscal fique para o início de 2013. "Eles tiveram muito tempo para resolver essa questão e até agora não avançou absolutamente nada. Não acho que em duas semanas eles resolvem", avalia o profissional.

Por aqui, Petrobras encerrou com declínio de 1,83% o papel ON e 1,71% o PN. Além do ambiente externo, também pesou sobre as ações a aprovação de um projeto de lei pela Assembleia Legislativa do Rio que cria a Taxa de Fiscalização de Petróleo e Gás. A nova taxa deve trazer em torno de R$ 7 bilhões aos cofres do Estado em um ano, o mesmo montante estimado em perdas por conta da renegociação da distribuição dos royalties sobre o setor. Um operador afirma que alguns analistas já estão calculando o potencial impacto para Petrobras, que pode chegar a US$ 2,7 bilhões ao ano.

No caso da Vale, as ações ON caíram 0,85% e as PNA registraram recuo de 0,76%.

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