Mercado abrirá em 4 h 46 min

Abicalçados projeta expansão de até 2,5% na produção de calçados em 2020

Cibelle Bouças

Ritmo é o mesmo esperado para 2019; exportações devem crescer até 4% neste ano e pouco menos, até 2,5%, no próximo A produção brasileira de calçados terá crescimento de 2% a 2,5% em 2020, em comparação a 2019, atingindo um volume entre 982 milhões e 992 milhões de pares. O ritmo de crescimento é o mesmo esperado para 2019, quando a produção deve ficar entre 963 milhões e 968 milhões de pares. As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

No acumulado de janeiro a outubro, a produção do setor cresceu 2,1% em volume, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a Abicalçados, o mercado foi impulsionado pelas exportações. As vendas externas no acumulado de janeiro a novembro cresceram 3,8%, atingindo 104 milhões de pares.

As exportações foram impulsionadas pelos Estados Unidos, principal destino do calçado brasileiro no exterior.

No período, os americanos importaram 10,8 milhões de pares, 26,5% a mais do que em 2018. “O resultado teve influência direta da guerra comercial instalada contra a China, que fez com que os importadores locais passassem a importar de países alternativos ao asiático em função das sobretaxas aplicadas”, afirmou em nota o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira.

A entidade observou que as exportações poderiam ter sido maiores, não fosse a crise da Argentina, segundo mercado internacional para o calçado brasileiro.

“Não fosse a queda das exportações para a Argentina, de quase 20% até novembro (9 milhões de pares), teríamos logrado um resultado muito melhor, de incremento de quase 6% no geral”, acrescentou em nota.

A Abicalçados estima que as exportações neste ano terão incremento de 3% a 4%. Em 2020, o crescimento será um pouco menor, ficando entre 2% e 2,5%.

Em relação ao mercado doméstico, a Abicalçados observou que a demanda ficou estável no país, que absorve mais de 85% da produção do setor calçadista. De acordo com dados do IBGE, de janeiro a outubro, as vendas no Brasil ficaram estáveis em volume.

Ferreira considera, no entanto, que as vendas no mercado doméstico tendem a melhorar no próximo ano, impulsionando as indústrias a atingir um crescimento de 2% a 2,5% em volume. “Diferentemente de 2019, esse crescimento deve vir do mercado doméstico e não das exportações”, afirmou o executivo, ressaltando os problemas na Argentina, que devem dificultar ainda mais as exportações para aquele país. “No mercado interno, já notamos, nesses últimos meses, uma retomada na confiança do consumidor, o que deve refletir positivamente no aumento da demanda”, acrescentou.

A Abicalçados informou ainda que o setor gerou 284,5 mil postos de trabalho no acumulado de janeiro a outubro, 1,2% menos do que no mesmo período de 2018. Na avaliação da entidade, o atraso na reforma da Previdência foi um dos fatores que prejudicaram o desempenho ao longo do ano.