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'A gente não é foragido, isso está acabando comigo', diz mulher de Queiroz em novo áudio

Redação Notícias
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Fabricio Queiroz, second left, is escorted by police after arriving from Sao Paulo at the Japarecagua airport, in Rio de Janeiro, Brazil, Thursday, June 18, 2020. Brazilian authorities on Thursday arrested Queiroz sought as part of an investigation into allegedly suspicious movements of money he made while a driver for Flavio Bolsonaro, a Brazilian senator and son of President Jair Bolsonaro. (AP Photo/Silvia Izquierdo)
Fabrício Queiroz é escoltado pela polícia quando foi preso (Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo)

Uma das principais apostas do Ministério Público (MP) para elucidar o caso de corrupção das rachadinhas, Márcia Aguiar, esposa do ex-assessor da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, afirmou, em uma troca de mensagens por aplicativo, que está “emocionalmente abalada”. O conteúdo foi revelado pela revista Veja, nesta sexta-feira (21).

“A gente não é foragido. Isso está acabando comigo, amiga, acabando. De boa mesmo. Está acabando. Está me destruindo por dentro. Eu estou aqui me desabafando, porque não consigo passar isso para ele. Porque se eu passar o estado emocional que estou, como estou falando com você, para o Queiroz, ele vai ficar desesperado. Porque a força dele é em mim aqui…”, disse Márcia.

Segundo a revista, os áudios e textos foram trocados com a advogada Ana Flávia Rigamonti, contratada por Frederick Wassef, ex-advogado de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

“A nossa família está desmoronada, Ana, e eu estou assim emocionalmente abalada. A minha depressão sei que voltou, porque eu vivo chorando pelos cantos. Eu vivo chorando, entendeu? Na minha vida eu sempre fui uma mulher muito forte, mas eu não estou aguentando essa onda sozinha…”, enviou à advogada.

Além de se dizer emocionalmente abalada, Márcia reclama do fato de Queiroz ser obrigado a viver escondido. Pelo conteúdo da troca de mensagens, Márcia insinua que o marido era coagido a se manter em silêncio.

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O conteúdo das mensagens são referentes ao período de novembro de 2019, mas só vieram a público após busca e apreensão, incluindo do celular de Márcia, que ocorreu em dezembro daquele ano.

Naquela ocasião, o Supremo Tribunal Federal (STF) estava prestes a decidir até que ponto o Coaf, o órgão oficial de combate à lavagem de dinheiro, poderia compartilhar informações com o MP. A decisão interessava aos protagonistas da rachadinha, porque poderia resultar no arquivamento do caso, o que não aconteceu.

Amigo da família Bolsonaro há mais de trinta anos, Queiroz passou um ano na casa do então advogado da família, Frederick Wassef, até ser preso em junho deste ano. No último dia 14, o ministro do Supremo Gilmar Mendes restabeleceu o regime de prisão domiciliar do policial militar aposentado Fabrício Queiroz e da mulher dele, Márcia de Aguiar, apenas um dia depois de o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Felix Fischer, ter ordenado que o casal fosse preso.

O casal é considerado pelo MP como testemunha capaz de esclarecer se o Flávio Bolsonaro embolsou parte dos salários dos servidores na Alerj. O filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é acusado, neste caso, de cometer os crimes de peculato, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa.