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Aumento da expectativa de vida cria 'risco de longevidade' nas finanças

Foto: Getty

Viver muito tempo costumava ser uma bênção, mas no modelo americano de poupança e aposentadoria, isso significa que muitas pessoas precisam se preocupar com a falta de dinheiro na velhice.

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“Há 120 anos, a expectativa de vida era de 47 anos. A expectativa de vida de hoje é de 78 anos", disse Dan Houston, CEO e presidente da Principal Financial, no encontro All Markets Summit do Yahoo Finanças na semana passada. “Pense que isso significa 30 anos a mais. Hoje, 50% das crianças que nascem em países desenvolvidos chegarão aos 100 anos de idade.”

O conceito de “risco de longevidade” emergiu à medida que vidas mais longas se tornaram um padrão, pressionando o modelo atual da Previdência Social. Tanto Richard Houston quanto o CEO da Edelman, Richard Edelman, observaram que a juventude de hoje está muito menos confiante em relação à previdência social poder ajudar na sua segurança financeira.

"Eles veem a segurança financeira no futuro mais como algo no seu próprio controle", acrescentou.

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Mas ainda que as novas gerações entendam que provavelmente depende delas o financiamento de suas próprias aposentadorias, a responsabilidade é enorme. Não é apenas difícil economizar o suficiente para isso, mas também é difícil saber o quanto será suficiente. Nos últimos 30 anos, a idade média de quem se aposenta passou de 63 anos para 63 anos e 9 meses, disse Houston. Nesse mesmo período, a longevidade aumentou em 10 anos.

"Agora você precisa de uma solução para ter recursos e apoio financeiro suficientes para durar mais 20 ou 25 anos", disse ele. "Estamos falando de um período de 40 anos."

Esse "risco de longevidade" não atormenta apenas aposentados e as famílias que precisam ajudá-los nos anos que virão. O seguro de assistência a longo prazo é visto como um possível problema, há muito tempo. Com uma vida útil mais longa, as reservas que financiam esse tipo de seguro podem não ser suficientes.

Se todos viverem alguns anos a mais do que o esperado, isso poderia custar às companhias de seguros bilhões de dólares a mais. Como muitos seguros de assistência a longo prazo são bem antigos, introduzidos em meados do século XX, não havia como saber que no futuro as pessoas poderiam viver tanto.

Os custos também afetaram as empresas que oferecem pensões. A General Electric (GE) congelou recentemente as pensões para 20 mil trabalhadores e ofereceu aquisições das ações da própria empresa a 100 mil ex-funcionários, em uma medida de corte de custos. Esperar por futuros pagamentos de pensões é simplesmente muito caro, dadas as expectativas de vida atuais.

Quanto economizar

A grande vantagem das mudanças na GE é que a pensão privada americana está praticamente morta, colocando a responsabilidade de sobreviver na aposentadoria quase que exclusivamente nos indivíduos e em suas famílias. Não apenas os riscos e responsabilidades de ter uma boa aposentadoria foram transferidos das empresas para os trabalhadores, mas o risco aumenta conforme se prolonga o período em que uma pessoa ficará aposentada.

Embora seja difícil dar orientações aos poupadores, Houston forneceu alguns números: economize 15% de sua renda ao longo de uma carreira de 40 anos - começando desde a faculdade, se possível.

A boa notícia é que as taxas de poupança estão melhorando, pelo menos, entre as gerações mais jovens.

"Se você apenas analisasse a taxa média de economia [da Geração X, Y e Z], o diferimento médio no programa de economia 401(k) aumentou 25% desde a crise", disse Houston. Obviamente, nem todo mundo usa o 401(k), e uma melhoria de 25% pode não atender às necessidades do futuro.

"Se todos nesta sala gastassem metade do tempo que passam organizando as próximas férias, com o planejamento do seu futuro financeiro, teríamos uma sociedade muito, muito mais segura economicamente", disse Houston.

Ethan Wolff-Mann