Ações e títulos em dólar da Turquia caem com Erdogan na liderança para o 2ºturno de eleições

Pessoas fazem fila em cabine de câmbio após o primeiro turno das eleições presidenciais e parlamentares, em Istambul, Turquia

Por Libby George e Karin Strohecker

LONDRES (Reuters) - Os títulos soberanos em dólar e as ações da Turquia despencaram, e o custo de garantir a exposição à dívida do país disparou enquanto a corrida presidencial da país se encaminha para um segundo turno com o atual presidente, Tayyip Erdogan, à frente de seu rival da oposição.

O principal índice de ações bancárias da Turquia, o , caiu 9,6%, com os mercados avaliando consequências de uma possível continuação das políticas pouco ortodoxas de Erdogan, incluindo o combate à alta inflação com baixas taxas de juros. O índice subiu 26% na semana passada, o maior ganho semanal desde o final de 2002.

O índice de referência da bolsa de Istambul caiu 6,1% nesta segunda-feira, sua maior queda percentual diária desde o início de fevereiro.

A lira, rigidamente controlada, registrou sua maior queda percentual em mais de seis meses, terminando em 19,67 por dólar -- uma baixa recorde de fechamento. Anteriormente, a moeda bateu em 19,70, não muito longe do recorde de baixa intradiária de 19,80 em março.

O conselho eleitoral da Turquia confirmou a realização do segundo turno em 28 de maio entre Erdogan e o rival da oposição Kemal Kilicdaroglu, após nenhum dos candidatos garantir o patamar de 50% para vencer a eleição de domingo. Com a maioria dos votos apurados, Erdogan liderou com 49,51% dos votos contra 44,88% de Kilicdaroglu.

Na votação parlamentar, a Aliança do Povo, incluindo o AKP de Erdogan, parecia destinada a conquistar a maioria.

"Até agora, pela reação do mercado, é muito conclusivo que o mercado espera que Erdogan vença no segundo turno e teremos mais do mesmo", disse Dan Wood, gerente de portfólio de dívida de mercados emergentes da William Blair.

"Você pode ver nos títulos soberanos, os investidores realmente demonstraram isso se retirando."

Alguns dos títulos soberanos denominados em dólares da Turquia caíram mais de 7 centavos, enquanto o spread de swap de crédito turco de cinco anos saltou 141 pontos base (bps, em inglês) para 634 bps, o maior desde novembro de 2022, de acordo com a S&P Global Market Intelligence.

"Não tenho garantido risco de crédito ou risco de pagamento soberano na Turquia nos últimos três anos. Tenho recusado", disse Crispin Hodges, chefe de risco político comercial do Canopius Group, ao comentar sobre o aumento nos preços dos CDS.

"A manutenção do poder de Erdogan significaria que o status quo seria mantido para nós, onde continuamos a diminuir os negócios turcos por causa do estado da economia, por causa da inflação, por causa da moeda fraca e por causa de sua estratégia política."

Os títulos em moeda forte de credores turcos também ficaram sob pressão. O Akbank viu seu título de 2026 cair mais de 3 centavos de dólar para ser negociado a pouco menos de 93 centavos, a menor desde novembro.

A votação presidencial decidirá não apenas quem lidera a Turquia e molda a política externa do país membro da OTAN de 85 milhões de pessoas, mas também como é governado e como enfrenta uma profunda crise de custo de vida.

(Reportagem de Karin Strohecker e Libby George, em Londres, e Amruta Khandekar, em Bangalore; reportagem adicional de Rodrigo Campos em Nova York)