Mercado abrirá em 42 mins

Ações da Petrobras disparam com possível acordo entre Rússia e Arábia Saudita

JÚLIA MOURA
***FOTO DE ARQUIVO*** CABO FRIO, RJ, BRASIL, 26-09-2012 - Aeroporto internacional de Cabo Frio cresce impulsionado pelas operações do setor de petróleo e gás, principalmente, Petrobras. O crescimento no transporte de cargas e superior aos concorrentes Galeão, Cumbica e Viracopos e a empresa concessionaria se prepara para atender setor farmacêutico. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As ações da Petrobras tiveram forte alta nesta quinta-feira (2), em linha com a valorização do petróleo. O barril de Brent chegou a subir mais de 46% no pregão depois que o presidente americano Donald Trump disse, via rede social, que Rússia e Arábia Saudita haviam acordado cortar a produção do óleo entre 10 a 15 milhões de barris.

"Acabei de falar com meu amigo MBS [príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman] da Arábia Saudita, que conversou com o presidente Putin, da Rússia, e eu espero e acredito que eles vão cortar a produção em aproximadamente 10 milhões de barris, e talvez substancialmente mais do que isso, o que, se acontecer, será ótimo para a indústria de petróleo e gás", escreveu Trump no Twitter.

Apesar de não especificar, investidores interpretaram a fala do presidente como um corte na produção diária, o que elevaria o preço do óleo, hoje no menor patamar desde 2016.

A conversa entre sauditas e o presidente russo Vladimir Putin foi negada pelo Kremelin, o que enfraqueceu a alta do Brent para 21%, a US$ 30,00 por volta das 17h35. As ações preferenciais (mais negociadas) da Petrobras, que chegaram a saltar cerca de 16%, fecharam em alta de 8,4%, a R$ 15,51 e as ordinárias (com direito a voto), em alta de 8,6%, a R$ 15,43.

A estatal brasileira anunciou nesta quinta que registrou uma nova descoberta de óleo no pré-sal na bacia de Santos. O poço com presença de óleo foi adquirido pela petroleira em leilão realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em junho de 2018,.

A Petrobras é operadora do bloco, com 30% de participação, e ainda tem como sócias a norte-americana ExxonMobil (28%), a norueguesa Equinor (28%) e a portuguesa Petrogal (14%). "Os dados do poço serão analisados para melhor direcionar as atividades exploratórias na área e avaliar o potencial da descoberta", diz comunicado da Petrobras.

Logo após o tuíte de Trump, a Arábia Saudita convocou reunião de emergência entre países da Opep, a Rússia e outros produtores, grupo conhecido como Opep+, dizendo que deseja um acordo justo para estabilizar o mercado, segundo a agência estatal de notícias SPA.

Mesmo após a disparada desta quinta, os preços do petróleo seguem mais de 50% abaixo do visto no início de 2020, antes da crise do coronavírus impactar o mercado. A commodity também sofreu forte desvalorização após e sauditas e russos fracassarem em um acordo para cortes de oferta, o que levou a Arábia Saudita a aumentar sua produção, o que levou o barril ao menor valor desde 2002.

Também contribuiu para a alta do óleo nesta quinta a notícia da Bloomberg News de que a China comprou grandes quantidades da commodity para estocar, aproveitando a baixa.

A alta do petróleo deu fôlego aos mercados globais e ofuscou dados de desemprego dos Estados Unidos. O número de americanos que apresentaram pedidos de auxílio-desemprego na semana passada atingiu um recorde de 6,65 milhões, ante 3,3 milhões em dado não revisado na semana anterior, informou o Departamento do Trabalho dos EUA nesta quinta. Economistas consultados pela Reuters previam que os pedidos chegariam a 3,5 milhões.

Apesar do dado registrar o forte impacto inicial da pandemia de coronavírus, Wall Street fechou em alta. O índice Dow Jones subiu 2,2%, S&P 500, 2,3% e Nasdaq, 1,7%.

No Brasil, o Ibovespa subiu 1,8%, a 72.253 pontos puxado pela Petrobras. Já o dólar teve leve alta de 0,05%, a R$ 5,2660, renovando o recorde nominal (sem contar inflação). A moeda chegou a R$ 5,2840 na máxima do dia, mas cedeu após leilão de US$ 835 milhões à vista do Banco Central.