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Ações da Eletrobras despencam em NY após saída de presidente

JÚLIA MOURA
·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A saída de Wilson Ferreira Junior da presidência da Eletrobras deixou o mercado financeiro preocupado com a companhia e com as privatizações no Brasil.

Nos Estados Unidos, a ADR (recibo de ação negociado nos Estado Unidos) da Eletrobras caiu 11,76% nesta segunda-feira (25), feriado em São Paulo. Na mínima, chegou a despencar 16,40%.

Segundo Ferreira Junior, a dificuldade em aprovar a privatização da estatal no Congresso, assim como uma descrença pessoal no avanço do processo, motivou sua saída do cargo.

Sua renúncia foi anunciada na noite de domingo (24). Ele assumirá o comando da BR Distribuidora em março, a convite da companhia.

A jornalistas, Ferreira Junior afirmou nesta segunda que a privatização da empresa é prioridade do governo federal, mas que essa vontade não é suficiente sem o apoio do Congresso.

Ele apontou manifestações de candidatos à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado que indicam que o avanço do projeto não é prioritário entre suas pautas e disse ver "um certo tabu no Brasil" sobre privatizações.

A privatização da Eletrobras foi o que impulsionou sua valorização de 25% desde a posse de Jair Bolsonaro (sem partido), em 2019. Hoje, a companhia vale R$ 47,5 bilhões.

Como o mercado acionário brasileiro está fechado devido ao feriado em São Paulo, as ações da elétrica na B3 devem repercutir a desvalorização no exterior.

Nesta segunda, as ADRs de Petrobras caíram 0,98%. As do Banco do Brasil, por outro lado, subiram 0,27%.

O índice que reúne as 20 maiores ADRs brasileiras caiu 1,73%. O ETF (fundo de índice) do Ibovespa recuou 1,48%.

O dólar, porém, foi negociado no Brasil e fechou em alta de 0,58%, a R$ 5,5089, nesta segunda-feira (25), maior valor desde 5 de novembro.

A desvalorização do real acompanhou a de outras moedas emergentes na sessão, mas, segundo analistas, o volume de negociação foi muito baixo devido ao feriado.

Investidores também repercutem o aumento nos casos de Covid-19 e o teste positivo para a doença do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador.

O peso mexicano chegou a cair até 0,4% após a divulgação da notícia no domingo, que veio após o país registrar a pior contagem semanal de casos da Covid-19. Nesta segunda, a moeda se desvalorizou 0,71%.

Nos EUA, investidores repercutem os balanços corporativos de 2020 e as negociações em torno do novo pacote de estímulo fiscal do presidente Joe Biden.

O Senado americano busca aprovar o pacote de alívio à Covid-19 antes que o julgamento de impeachment do ex-presidente Donald Trump comece, no início de fevereiro. Segundo o líder da maioria democrata, Chuck Schumer, porém, o projeto pode não ser aprovado em um período de quatro a seis semanas.

O índice Dow Jones recuou 0,12%. O S&P 500 ganhou 0,36%, e o Nasdaq subiu 0,69%.

Na Europa, as Bolsas fecharam nas mínimas em duas semanas, com a queda na confiança empresarial na Alemanha por restrições mais rígidas no combate à Covid-19 e temores de que um avanço lento da vacinação atrase ainda mais a recuperação econômica.

Documento preparado pelo Ministério da Economia, ao qual a agência Reuters teve acesso, afirma que a economia alemã, a maior da Europa, provavelmente atingirá seus níveis pré-pandêmicos em meados de 2022.

O índice Stoxx 600, que reúne as maiores empresas da região, caiu 0,8%. A Bolsa de Frankfurt recuou 1,66%, e a de Paris, 1,57%. Londres teve queda de 0,84%.