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Ações de consumo se destacam entre altas e quedas da Bolsa

·6 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ambiente de maior incerteza econômica, com juros crescentes e uma incômoda e persistente pressão inflacionária, acertou em cheio algumas das principais empresas do setor de consumo com ações na Bolsa de Valores.

Após a divulgação de balanços trimestrais na véspera com números bem abaixo das expectativas dos analistas, e frente a um cenário desafiador traçado para 2022, os papéis de Magazine Luiza e Natura despencaram 18,32% e 17,54%, respectivamente, representando as maiores baixas do dia na Bolsa. Na sessão, o Ibovespa teve uma queda de 1,17%.

"Uma alta dos juros, com perspectivas de continuar subindo, combinada com o aumento da inflação, tira o poder de compra da população, o que acaba impactando diretamente esses setores", afirma Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora.

Em relação à Magazine Luiza, as vendas massivas das ações responderam a números bastante fracos no terceiro trimestre, quando o lucro ajustado caiu cerca de 90% em bases anuais.

Os analistas da Ativa Investimentos apontam que a rentabilidade da companhia foi negativamente impactada pela piora na conjuntura macroeconômica, com inflação, aumento de juros e redução na renda da população, além da crescente participação do e-commerce nas vendas totais seguir pressionando a margem bruta.

"A companhia sinalizou uma continuidade de uma perspectiva desafiadora no canal físico por conta do cenário macro", aponta a equipe de análise da XP. As vendas nas lojas físicas caíram 8% no período.

Segundo Rodrigo Crespi, analista da Guide, o varejo físico é o canal pelo qual as pessoas acabam concentrando as compras de bens duráveis de preços mais elevados, e em muitos dos casos se utilizando de financiamentos. Com os juros mais altos, essas compras são penalizadas, aponta o especialista.

Presidente do Magazine Luiza, Frederico Trajano afirmou que contava no final de setembro com um giro de estoque de produtos de 100 dias nas lojas, ante um nível que considera saudável de 70. Ele disse que pretende escoar esse excesso entre a Black Friday e sua tradicional promoção de início de ano.

O inventário extra fez a empresa registrar uma provisão de R$ 395 milhões no terceiro trimestre que acabou ajudando a derrubar o lucro da companhia no período. "Não estávamos esperando a desaceleração que houve nas vendas das lojas físicas no terceiro trimestre e acabamos com estoque maior", afirmou Trajano, em teleconferência com analistas do setor nesta sexta.

Segundo Trajano, o Magazine Luiza, que até o terceiro trimestre vinha sendo comedido em promoções e eventos para evitar aglomerações de clientes em suas lojas por conta de receios relacionados à pandemia, mudou a tática a partir do mês passado.

"A ordem é aglomerar...Fomos muito responsáveis em termos o cuidado de darmos o exemplo, mas a partir de outubro estamos com ordem de aglomerar para ter bastante gente em loja, mas isso, obviamente diante do contexto econômico, ainda é muito complicado", disse Trajano.

REVISÕES PESAM PARA NATURA

No caso da fabricante de cosméticos Natura, além dos resultados do terceiro trimestre em si, pesou adicionalmente para a performance das ações a sinalização transmitida pela diretoria da empresa quanto às perspectivas para a evolução da operação em 2022.

Em comunicado divulgado na quinta-feira (11) junto com o balanço do trimestre abaixo das expectativas, a Natura informou que, tendo em vista um ambiente operacional desafiador que não era previsto, com pressão inflacionária, interrupção de cadeias de suprimentos e efeitos cambiais, as projeções para o atingimento de determinadas métricas financeiras tiveram de ser postergadas para o fim de 2024, ante dezembro de 2023 anteriormente.

"A Natura apresentou um resultado abaixo de nossas expectativas, pressionado pela forte base de comparação com 2020 e por um cenário desafiador na maioria de seus mercados", destaca a equipe da Ativa Investimentos.

Já o time de analistas da XP aponta que as vendas líquidas consolidadas da empresa caíram cerca de 4% ano contra ano. "No entanto, o destaque negativo foi a lucratividade, com as sinergias com a Avon sendo ofuscadas por pressões de custo/câmbio", dizem os especialistas.

AMERICANAS EM ALTA E PROVISIONAMENTO NA VIA

Por outro lado, dentro do mesmo segmento de consumo na Bolsa, também tiveram casos de ações como das Americanas, com resultados que agradaram bem mais aos investidores, com os papéis marcando a maior alta do dia na Bolsa, com ganhos de 5,8%.

Analistas do Bradesco BBI destacaram que a Americanas apresentou um bom resultado, com crescimento de receita bruta via plataforma digital de 30%, superando Mercado Livre e Magazine Luiza pela primeira vez em um ano.

"Esperamos que isso acelere no quarto trimestre de 2021, dada a base de comparação mais fácil", acrescentaram Richard Cathcart e equipe, em relatório a clientes.

Para os analistas, a diversificação do mix online da Americanas deve ser uma vantagem à medida que a Black Friday se aproxima, devido ao enfraquecimento da demanda por itens discricionários de maior valor.

"Será importante agora para a Americanas manter essa liderança em crescimento e começar a mostrar os ganhos operacionais (financeiros e estratégicos) da fusão entre as lojas e os negócios de comércio eletrônico."

Também fecharam em campo positivo, mas com ganhos bem mais moderados, as ações da Via, com avanço de 0,64%, mas após um tombo de 12,5% na sessão passada.

Segundo os analistas da XP, os números da empresa vieram em linha com as expectativas, mas com uma provisão anunciada de R$ 1,2 bilhão relativa a demandas judiciais trabalhistas pesando negativamente.

O time de análise do Inter aponta que o provisionamento do contencioso trabalhista se traduz em fragilidades operacionais que já deveriam ter sido mapeadas e sanadas. "Esse ponto será seguido de perto pelo nosso time nos próximos meses."

Também em alta dentro do setor de consumo estiveram as ações do grupo de moda Soma, com valorização de 0,26%, após a companhia do setor de vestuário reportar lucro de R$ 174 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo apurado um ano antes, com a receita bruta disparando 160%.

"Olhando para frente, a empresa destaca que está otimista com o quarto trimestre de 2021 e 2022 devido ao desempenho da coleção no atacado, enquanto espera repassar a pressão de custos para preços, protegendo assim a rentabilidade", dizem os analistas da XP.

Gestor do fundo Versa Long Biased, Luiz Alves afirma que tem como principal aposta na carteira hoje os papéis da Soma, mas também com posições em outras ações de consumo, como Vivara, Guararapes e Marisa.

Segundo ele, foi possível identificar de maneira nítida nos resultados do terceiro trimestre que o impacto econômico inflacionário afetou de forma bem mais árdua os resultados de empresas voltadas para a população de renda menor.

"A questão que se comenta bastante de a pandemia ter aumentado a desigualdade apareceu nos resultados de forma bem clara", diz Alves.

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