Ações caem em NY, mas Dow tem melhor janeiro desde 1994

As Bolsas de Nova York fecharam em queda nesta quinta-feira, com cautela antes de dados importantes da China que serão divulgados nesta noite e o relatório do governo dos Estados Unidos sobre o mercado de trabalho (payroll), que sai na sexta. Alguns indicadores negativos divulgados mais cedo também tiraram o ânimo dos investidores.

O índice Dow Jones perdeu 49,84 pontos (0,36%) e fechou a 13.860,58 pontos. O Nasdaq recuou 0,18 ponto (0,01%), encerrando a 3.142,13 pontos. E o S&P 500 caiu 3,85 pontos (0,26%), terminando a sessão a 1.498,11 pontos. No mês, o Dow Jones ganhou 5,77%, o Nasdaq avançou 4,06% e o S&P subiu 5,04%. Para o Dow, o resultado mensal é o maior desde outubro de 2011 e marca o melhor mês de janeiro desde 1994.

A sessão começou sob pressão, ainda repercutindo a inesperada queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no quarto trimestre do ano passado e o tom cauteloso do Federal Reserve em relação à economia no comunicado que divulgou na quarta-feira (30), após dois dias de reunião de política monetária.

O tom das ações norte-americanas melhorou após o anúncio do índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial de Chicago, que saltou para 55,6 em janeiro, da leitura revisada para baixo de 50,0 em dezembro, atingindo o maior nível desde abril de 2012. Mas logo ficou evidente a falta de fôlego para que a alta se sustentasse.

Entre outros indicadores dos EUA, saíram números de renda e consumo pessoal, com o primeiro superando previsões. Em dezembro, houve crescimento de 2,6% na renda pessoal na comparação com novembro, ante expectativa de 1% dos economistas. O consumo cresceu 0,2%, dentro do projetado. Também foram divulgados o índice do custo da mão de obra, que subiu 0,5% no quarto trimestre, em linha com o esperado, e os pedidos de auxílio-desemprego, que subiram para 368 mil na semana encerrada em 26 de janeiro, ligeiramente acima da previsão dos analistas, de 365 mil.

Teve efeito quase nulo a aprovação pelo Senado do projeto para suspender o limite legal de endividamento do governo dos EUA por três meses, para evitar um calote. O projeto segue agora para sanção do presidente Barack Obama. Na sexta-feira, a atenção dos investidores se voltará para o payroll, que engloba dados dos setores privado e público. Antes disso, a partir das 23h (horário de Brasília), sairão dados de atividade da China, o maior consumidor mundial de metais e o segundo maior de petróleo.

"Há a percepção de que o mercado talvez tenha se precipitado. Essa queda de hoje é uma espécie de verificação da realidade", comenta Marc Doss, diretor-chefe de investimento regional da Wells Fargo Wealth Management. "Nós precisamos de sinais suficientes de que a economia global está avançando relativamente bem", acrescenta Andrew Milligan, diretor de estratégia global da Standard Life Investments.

Entre ações negociadas em Nova York, o Facebook teve queda de 0,83%, após divulgar na noite passada lucro e receita trimestrais acima das expectativas, mas também uma margem operacional menor e uma expressiva alta nos custos. Como resultado do balanço, a rede social foi rebaixada por pelo menos quatro diferentes casas que acompanham e classificam renda variável.

A canadense RIM, que agora se chama BlackBerry, despencou 5,81% depois de anunciar que um dos dois novos aparelhos apresentados na véspera só chegará ao mercado norte-americano em meados de março. Por outro lado, a fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, que no Brasil controla as marcas Brastemp e Cônsul, ganhou 6,13%, depois de revelar seus números do quarto trimestre.

Entre outras empresas que divulgaram balanço apareceram Dow Chemical (-6,96%), Mastercard (+0,47%) e UPS (-2,39%). As informações são da Dow Jones.

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