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Ação do Fed passa bastão de estímulo global para China

Enda Curran e Yinan Zhao

(Bloomberg) -- O maior choque para a economia mundial desde a crise financeira alimenta expectativas de que a China aumentará os estímulos com cortes das taxas de juros, injeções de capital e mais apoio a empresas em dificuldades.

Até o momento, autoridades em Pequim têm se concentrado em conter o vírus e evitar o tipo de estímulo generalizado que marcou crises econômicas anteriores. Os níveis recordes de endividamento levaram a uma resposta política disciplinada, além da constatação de que cortes dos juros não resolvem problemas das cadeias de fornecedores.

Também há mais pressão para que bancos aumentem a oferta de crédito para empresas de pequeno e médio porte.

No entanto, o corte de emergência dos juros pelo Federal Reserve dá margem para que o Banco Popular da China afrouxe a política monetária sem levar a saídas de capital ou ao enfraquecimento do yuan.

As opções incluem a redução da quantidade de dinheiro que os bancos precisam manter como reservas.

Autoridades também disseram que conduzem uma revisão taxa de depósito de referência, uma medida que pode reduzir os juros aos bancos. No lado fiscal, um déficit maior e mais emissões de títulos de dívida devem elevar os gastos com infraestrutura.

“Já se foi o tempo em que mudanças da postura de política do Fed poderiam impulsionar o crescimento global”, disse Frederic Neumann, cochefe de pesquisa de economia asiática do HSBC Holdings, em Hong Kong. “Em desafios como o surto de coronavírus, é necessário que a China e os EUA ofereçam um estímulo forte.”

Sinais de que fábricas e trabalhadores normalizam a produção e de que consumidores voltaram a gastar com a estabilização do número de pessoas contaminadas pelo vírus podem significar que o pior já passou na China.

No entanto, também está claro que, se a China quiser atingir a meta de crescimento esperada para este ano, em torno de 6%, serão necessários mais estímulos. Mesmo uma meta mais baixa exigiria uma combinação de cortes de impostos, gastos e juros mais baixos.

Ding Shuang, economista-chefe para Grande China e norte da Ásia do Standard Chartered, disse que medidas de curto prazo podem incluir um alívio da guerra do governo contra o endividamento ao permitir que o crédito se expanda mais rapidamente do que o crescimento nominal ou com a redução das taxas de juros do mercado monetário e dos níveis de reserva para bancos.

Dado que a China responde por mais de 30% do crescimento mundial, qualquer estímulo extra será sentido globalmente.

“Com o tamanho da economia da China no mundo atual, sempre terá um impacto”, disse Howie Lee, economista do OCBC Bank, em Cingapura.

--Com a colaboração de Tian Chen.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Enda Curran em Hong Kong, ecurran8@bloomberg.net;Yinan Zhao Beijing, yzhao300@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Jeff Black, jblack25@bloomberg.net, Malcolm Scott

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