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80% dos americanos querem semana de quatro dias

·3 min de leitura
Americanos querem fim de semana de três dias. (Foto: Getty Creative)
Americanos querem fim de semana de três dias. (Foto: Getty Creative)
  • 80% dos entrevistados de pesquisa apoiam uma semana de trabalho de quatro dias;

  • Pesquisa da Jefferies perguntou a quem se demitiu o que faria avaliar melhor uma saída das empresas;

  • Ideia de semana de quatro dias com fim de semana de três dias tem apoio;

Em meio ao contexto da "grande renúncia" nos Estados Unidos, com alta nos pedidos de demissão e mesmo com problemas de contratação, uma nova pesquisa oferece suporte para uma solução não tão radical, mas ainda incomum: a semana de trabalho de quatro dias. Pesquisadores da empresa financeira Jefferies perguntaram a jovens americanos, de 22 a 35 anos, que haviam deixado seus empregos recentemente o que seus ex-chefes poderiam ter feito para persuadi-los a ficarem nos cargos.

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A pesquisa, divulgada pela CNN, revelou que 32% disseram que teriam ficado se tivessem recebido a oferta de uma semana de trabalho de quatro dias. Essa foi a segunda resposta mais comum, logo atrás dos 43% que teriam ficado por mais dinheiro. O estudo também descobriu que 80% dos entrevistados apoiam uma semana de trabalho de quatro dias. Quanto aos 20% restantes: Apenas 3% disseram ser contra uma semana mais curta e 17% foram “neutros”. Entre os trabalhadores com diploma, “sentir-se exausto” foi a principal razão pela qual desistiram de seus empregos.

Ideia de semana de quatro dias com fim de semana de três dias tem apoio

A ideia de uma semana de quatro dias não é nova, mas a pandemia e o excesso de trabalho que veio com ela revigoraram os defensores. Durante o verão, o congressista Mark Takano, da Califórnia, apresentou uma legislação que alteraria o Fair Labor Standards Act de 1938 – que regulamentou o modelo de 40 horas vigente nos Estados Unidos – para reduzir a semana de trabalho padrão para 32 horas. A semana de trabalho de 40 horas foi uma luta duramente conquistada por ativistas trabalhistas no início do século XX. 

Houve muitos experimentos para criar viabilidade a ideia. Um estudo frequentemente citado na Islândia, no qual os trabalhadores reduziram suas horas sem reduzir o pagamento, foi saudado como um sucesso esmagador. Os pesquisadores descobriram que o bem-estar do trabalhador aumentou drasticamente em uma série de indicadores, como estresse percebido e esgotamento.

Algumas empresas já testaram esses modelos pelo mundo. Quando a Microsoft tentou uma semana de trabalho mais curta no Japão em 2019, descobriu que a produtividade aumentou quase 40%. A Elephant Ventures, uma empresa de engenharia de software e dados, começou a testar uma semana de trabalho de quatro dias para ajudar a prevenir o esgotamento dos funcionários durante a pandemia. A empresa reduziu sua semana para quatro dias de 10 horas, mas o fim de semana de três dias foi tão bem recebido que a empresa está tornando a mudança permanente.

A ideia de redução da jornada de trabalho é antiga. Em 1930, o economista John Maynard Keynes fez a famosa previsão de que as horas de trabalho diminuiriam com o tempo e que, por volta de 2030, estaríamos todos trabalhando 15 horas por semana, trabalhando na segunda e terça-feira e, em seguida, um fim de semana de cinco dias. Ao invés disso, segundo a CNN, a jornada de trabalho apenas aumentou, especialmente entre os assalariados.

Especialistas ouvidos pela CNN ofereceram uma série de explicações, entre elas, a de que as grandes corporações relutam em mudar, especialmente se a mudança afetar os resultados financeiros. É difícil imaginar gerentes correndo para concordar em pagar aos trabalhadores a mesma quantidade de dinheiro por menos trabalho, mesmo que a produtividade se mantenha estável.

“Não vejo muito futuro na semana de quatro dias, porque não ajuda a maioria dos empregadores”, disse Peter Cappelli, professor de administração da Wharton School. Embora faça sentido em áreas como enfermagem, onde é importante ter a mesma pessoa cuidando por mais tempo a cada dia, segundo o professor, há pouco ou nenhum benefício para os escritórios tradicionais das 9h às 5h para tentar acomodar turnos de 10 horas, completou à CNN.

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