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70% dos bancários gostariam de adotar o home office total ou parcialmente

ISABELA BOLZANI
·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 03.11.2015 - Aluno usa computadores na escola estadual Etelvina de Goes Marcucci, na Vila Andrade na zona sul de São Paulo.  (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 03.11.2015 - Aluno usa computadores na escola estadual Etelvina de Goes Marcucci, na Vila Andrade na zona sul de São Paulo. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quase 70% dos bancários que trabalharam ou ainda estão trabalhando remotamente gostariam de adotar total ou parcialmente o regime de home office às suas rotinas corporativas, apontou um levantamento feito pela Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Segundo o levantamento, enquanto 27,7% dos bancários disseram querer continuar em trabalho remoto todos os dias -mesmo após a pandemia- outros 42% afirmam que gostariam de adotar um regime misto entre o home office e o trabalho presencial.

O estudo foi feito com base em 10.939 entrevistas, via internet, com bancários em todos estados. Deste total, 78,3% (8.560) foram considerados para análise das condições de trabalho. Segundo a Febraban, entidade que representa os bancos, há cerca de 450 bancários no Brasil.

A maioria dos respondentes trabalha em um dos cinco maiores bancos do país, sendo 21,4% do Banco do Brasil, 18,7%, da Caixa Econômica Federal, 18,8%, do Bradesco, 17,6%, do Itaú, e 10,6%, do Santander. Outros 12,9% dos respondentes são de outras instituições

Em março, quando foi decretada a pandemia, representantes dos bancários solicitaram à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) medidas para reforçar a prevenção do contágio de Covid-19.

"Passados alguns dias da criação do comitê de crise [em 16 de março], 230 mil bancários - cerca de 50% da categoria do pais -já haviam migrado para o home office", informou o estudo.

Ainda segundo as informações do levantamento, 98,8% dos entrevistados declararam ter começado a trabalhar remotamente por conta da pandemia do coronavírus. Deste total 75,6% disseram trabalhar em home office todos os dias, enquanto outros 9,8% estavam em um regime misto de trabalho, por rodízio.

Outros 7,5% afirmaram trabalhar predominantemente em regime presencial, fazendo home office esporadicamente e 7,2% disseram que o trabalho remoto era predominante.

Em termos de infraestrutura de trabalho, o levantamento aponta que 32,5% dos respondentes disseram não ter recebido qualquer equipamento ou suporte por parte dos bancos.

Entre os que receberam algum equipamento ou melhoria, 50,8% afirmaram terem recebido notebook ou computador, 16,4% receberam cadeira, 11%, celular e 10,6% fones de ouvido.

"O fato de o trabalho da categoria bancária em home office ter sido implementado às pressas em função da pandemia gerou uma ausência de regras gerais sobre essa modalidade de trabalho, o que determinou diferenças importantes na forma como cada banco estabeleceu as diretrizes do home office. Isso se expressa, por exemplo, no fornecimento de equipamentos e infraestrutura, que apresentou diferenças significativas entre as diferentes instituições", afirmou o estudo.

Em termos de jornada, a pesquisa aponta que o volume de trabalho aumentou para cerca de 36% dos respondentes. Para outros 59% não houve diferença e para 4,9% dos entrevistados houve uma diminuição da carga de trabalho.

Sobre os impactos do home office para os bancários durante a pandemia, que foi associada ao isolamento social, o estudo aponta que houve um aumento na manifestação de problemas físicos ou psicológicos. A lista inclui desmotivação, ansiedade, vontade de chorar sem motivo aparente, cansaço constante, dores musculares e nas articulações.

"Diante desses resultados, pode-se afirmar que as condições em que o home office foi implantado pelos bancos impactou a saúde dos bancários, causando aumento dos problemas físicos e daqueles relacionados à saúde mental", afirmou o estudos.

"Tais efeitos foram constatados em apenas cinco meses desse regime de trabalho, podendo-se supor que, mantendo as condições hoje vigentes, a permanência por mais tempo [deste cenário] tende a agravar o quadro de saúde desses trabalhadores."