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5G no Brasil pode ficar caro por causa de politização, alerta Rodrigo Maia

Felipe Junqueira

A novela do leilão de 5G no Brasil parece não ter fim. Previsto para ocorrer no final de 2020, é possível que ele só ocorra em 2021, e ainda não existe uma definição sobre a participação da Huawei. A cada novo episódio, o governo dá a entender uma coisa diferente, dizendo que vai permitir que a empresa chinesa se candidate a fornecer a tecnologia ao país e depois se contradizendo.

O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) declarou, na última terça-feira (16), que prefere deixar a decisão nas mãos da Anatel. Para ele, a politização sobre a questão do 5G pode, no fim das contas, encarecer o serviço, e a população é que pagaria a conta.

“É uma decisão da Agência Nacional de Telecomunicações, Anatel. Nem do governo deveria ser. Espero que o Brasil tenha uma concorrência com o maior número de participantes para garantirmos qualidade e preço”, disse o parlamentar. “Se a concorrência não for ampla, há um risco do custo de implementação do 5G no Brasil ser muito alto e um atraso na implementação de uma nova tecnologia”, observou.

Pressão americana contra a Huawei

Rodrigo Maia espera que leilão do 5G ocorra com o máximo de concorrentes (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Efeitos da guerra comercial

O problema é que o governo dos Estados Unidos impôs um embargo a companhias chinesas, entre elas a Huawei, que está desde o ano passado proibida de negociar com empresas do país. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (sem partido), possui grande afinidade com o seu par norte-americano e tem dado declarações que levam a crer que os chineses não poderão participar do leilão do 5G nacional.

Em uma live realizada em suas redes sociais na última quinta-feira (11), Bolsonaro deu a entender que prefere não ter a Huawei como fornecedora das tecnologias da quinta geração das redes móveis no Brasil. “Às vezes o mais barato não quer dizer que seja o melhor. E nem sempre o mais caro pode ser o melhor também. Vamos atender os requisitos da soberania nacional, da segurança das informações, da segurança de dados, e a nossa política externa também entra nessa questão”, declarou o presidente.

Em resposta, Maia observou que o governo “tem uma visão liberal na economia e isso tende a trabalhar sempre pela garantia da maior concorrência”. E reforçou que política e ideologia sejam deixadas de lado ao se avaliar a implementação do 5G no país.

“Espero que a gente deixe a política de fora e entenda a importância da concorrência para beneficiar o cidadão. Nesse caso, se não tiver a concorrência no produto mais barato, quem vai pagar a conta é a sociedade brasileira”, argumentou em uma live promovida por empresários.

Com a pandemia causada pelo novo coronavírus, que atrasou testes, e um novo problema de interferência das antenas parabólicas no sinal do 5G no Brasil, o leilão da quinta geração das redes móveis pode acabar ficando para o ano que vem.


Fonte: Canaltech