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52% dos sobreviventes de COVID-19 lutam contra a depressão, segundo estudo

Nathan Vieira
·2 minuto de leitura

A pandemia expandiu a nossa visão sobre a importância não apenas da saúde física, mas também sobre a saúde mental, levantando olhares para a depressão, a ansiedade e outros transtornos. Na última sexta-feira (12), um estudo publicado no JAMA Network Open apontou que 52% dos sobreviventes da COVID-19 apresentaram sintomas de depressão.

O estudo envolveu 3.900 pessoas que tiveram COVID-19 entre maio de 2020 e janeiro de 2021. "Pessoas que tiveram COVID-19 podem experimentar sintomas depressivos por muitos meses após sua doença inicial", anunciou o principal pesquisador, Dr. Roy Perlis, professor de psiquiatria na Harvard Medical School e chefe associado de pesquisa do departamento de psiquiatria do Massachusetts General Hospital, em Boston.

Segundo o pesquisador, a combinação de estresse crônico durante a pandemia e isolamento social já é uma receita para depressão e ansiedade. No ano passado, chegamos a apontar isso durante nosso especial sobre o impacto da pandemia na saúde mental da população (parte 1; parte 2).

"A análise reforça a importância de compreender se isso é um efeito da própria COVID-19 ou simplesmente o estresse de lidar com a pandemia", acrescentou o pesquisador. A equipe ainda descobriu que dentre o grupo com depressão, a maioria era jovem e do sexo masculino, e que as pessoas com depressão tiveram muito mais relatos de dores de cabeça quando infectadas.

52% dos participantes do estudo relataram depressão após sobreviver à COVID-19. A maioria era jovem e do sexo masculino (Imagem: Adrien Olichon/ Unsplash)
52% dos participantes do estudo relataram depressão após sobreviver à COVID-19. A maioria era jovem e do sexo masculino (Imagem: Adrien Olichon/ Unsplash)

“A depressão é uma doença muito tratável. Como as taxas de depressão são atualmente tão altas, é especialmente importante garantir que as pessoas tenham acesso a cuidados. Precisamos encorajar as pessoas a procurarem atendimento se apresentarem sintomas de depressão”, apontou o pesquisador.

Brittany LeMonda, neuropsicóloga sênior do Lenox Hill Hospital em Nova York, disse ao Webmd que as descobertas "são interessantes, visto que ainda estamos entendendo as manifestações psiquiátricas e neurológicas do COVID-19". Ela destacou o quão curioso é o fato de que a dor de cabeça durante a infecção foi mais citada pelos indivíduos com depressão. “Pessoas com histórico de cefaleia e sintomas físicos, como dor ou fraqueza, são frequentemente mais propensos a ter sintomas psiquiátricos”, explicou.

"Fatores subjacentes podem predispor alguém a desenvolver dor de cabeça com COVID-19, o que também os coloca em maior risco de desenvolver depressão pós-doença. Pessoas com ansiedade sobre sua saúde e depressão são mais propensas a sentir ansiedade em geral", concluiu a especialista.

Fonte: Canaltech

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