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5 youtubers brasileiros que ensinam ciência para todos os gostos

Nathan Vieira
·7 minuto de leitura

Em tempos de isolamento social, muitas pessoas têm buscado, na internet, meios de aprender coisas novas. E como o YouTube é uma plataforma audiovisual que traz conteúdos sobre praticamente qualquer coisa que possamos imaginar, quem quer aprender mais sobre ciência tem em mãos um "prato cheio" ali. Tendo isso em mente, listamos cinco youtubers brasileiros que ensinam ciência para públicos variados — incluindo as crianças.

Canal do Schwarza

Scalobaloba! Antigamente chamado de Poligonautas, o Canal do Schwarza aborda temas como astronomia, missões da NASA e tudo o que tem a ver com o cosmos. O youtuber também discute filosofia, atualidades e tecnologia. Além de divulgar ciência por meio de seu canal, Schwarza também é autor do best-seller Do átomo ao buraco negro e do livro recentemente lançado Onde estaremos em 2200?.

Em entrevista ao Canaltech, Schwarza conta que a maior diferença entre abordar ciência no YouTube e nos livros é a quantidade de recursos, mas escrever pode gerar imagens na mente de quem lê, resgatar imagens e emoções: "Para o YouTube eu tenho toda uma gama de ferramentas visuais e sonoras que ajudam a manter a atenção da audiência até o fim do vídeo, em uma sociedade cada vez mais acelerada e conectada. Para escrever o livro eu tenho apenas o recurso da escrita; então, quando eu escrevo, eu tento inserir curiosidades, pequenos parágrafos com alguma opinião minha e algumas brincadeiras visando fazer as pessoas esquecerem um pouco de pegar o celular. Mas hoje eu sei que é algo difícil, então até tento interagir uma mídia com a outra".

Questionado sobre como é divulgar ciência no Brasil e quais as maiores dificuldades, Schwarza admite isso que é um pouco complicado, e explica que no Brasil não se tem uma cultura de ciência, algo que observamos nos EUA, por exemplo, que tem a NASA, a SpaceX e um grande estímulo para que jovens sigam diversos ramos de pesquisa científica.

"A ciência aqui é vista como 'coisa de CDF', então temos a primeira barreira que é o preconceito aos temas científicos. E o outro problema é atingir o público feminino, existe uma impressão de que esses temas, mais voltados para exatas, só interessam ao público masculino, o que, na verdade, é um erro, muitas mulheres contribuem significativamente em diversos campos de pesquisa".

Schwarza ressalta que, principalmente nessa época de coronavírus, é importantíssimo que as pessoas entendam e aprendam sobre ciência, compreendam o que é o método científico e como os estudos são feitos. Já em relação a dicas para pessoas aprenderem a identificar notícias científicas válidas e diferenciá-las de fake news, o youtuber sugere procurar sempre as fontes, toda notícia, vídeo e qualquer outra mídia que preze pela qualidade da informação que está repassando. " As pessoas precisam reaprender a consumir as coisas com calma, então, só compartilhar informação da qual ela tenha certeza que se originou em fatos".

Ciência Todo Dia

"Um canal totalmente voltado para assuntos que podem ser abordados no cotidiano, mantendo seu cérebro sempre ativo". É assim que se define o Ciência Todo Dia, de Pedro Loos. O canal, que existe desde 2012, conta atualmente com nada menos que 1,56 milhões de inscritos e traz vídeos relacionados a vários temas científicos pra lá de interessantes como leis de Newton, gravidade e teletransporte, e conta até com um curso de física básica. Vale lembrar que o Ciência Todo Dia chegou a concorrer ao Prêmio Canaltech em 2018, inclusive!

Biologia Total

Diferente dos outros canais, o Biologia Total é mais voltado para quem precisa estudar biologia (e, por vezes, química, física e até matemática) para o vestibular ou para o ENEM, então consiste em videoaulas, com um conteúdo puramente educativo e mais didático - o que não o torna menos atraente para os fãs da ciência, é claro, principalmente considerando que o canal tem 1,9 milhões de inscritos e já somou 107 milhões de visualizações desde a sua estreia, que aconteceu em 2006.

O canal pertence ao professor Paulo Roberto Jubilut, e além do conteúdo disponível na plataforma, também há um site em que os estudantes podem assinar para receber mais conteúdo, além de exercícios, simulados e materiais de apoio.

Mais Ciências

Nessa mesma pegada de um conteúdo educativo, o canal Mais Ciências pertence à professora Rafaela Lima. Os conteúdos são voltados principalmente ao público mais jovem e, além de videoaulas, também dispõem de dicas e curiosidades sobre ciências. O canal foi criado em 2012 e conta com mais de 130 mil inscritos, e 5 milhões de visualizações ao todo.

"A minha ideia de falar de ciências no YouTube veio para ser um facilitador para os meus alunos de escola pública, alunos que não têm muito acesso a material didático. Foi uma forma de ser esse facilitador, de fazer parte da democratização, de ser mais uma voz", conta a professora e youtuber.

Nessa época de coronavírus, Rafaela tem feito bastante conteúdo relacionado ao assunto, como a diferença entre vírus e bactérias, por exemplo. Questionada sobre a importância de pesquisar sobre ciência em uma época como esta, a professora afirma: "É muito importante para que a pessoa não seja pega por qualquer fake news, por qualquer notícia sensacionalista, e que ela não caia especialmente nos erros de medicamentos incorretos, a partir do momento em que ela sabe como lidar, sabe o que é um vírus e quais são os cuidados necessários".

Já em relação a divulgar conteúdos de ciência no Brasil, Rafaela conclui: "Eu me sinto privilegiada nesse papel de divulgadora porque eu só recebo gratidão e carinho".

O Incrível Pontinho Azul

E se você é pai ou mãe de um pequeno cientista, o último integrante da nossa lista é um canal voltado especificamente ao público infantil. O Incrível Pontinho Azul é direcionado pedagogicamente tanto para os pais quanto para professores e alunos, e aborda conceitos das disciplinas de física, química, biologia e até astronomia.

"A contextualização costuma atrair a criança, pois traz melhor compreensão do universo em que vive. Porém, nem sempre é possível mostrar o que acontece, muitas vezes acontecem a níveis celulares, moleculares, atômicos. Abordamos este ambiente microscópico sempre com bom humor. Humor é um ponto importante da linguagem com as crianças, bem como animações", conta a produção por trás do canal.

O canal afirma que o aprendizado de ciência é fundamental para o desenvolvimento do senso crítico da criança, por isso incentiva a busca do conhecimento, algo que é necessário desde os primeiros anos. "Além de satisfazer anseio por conhecimento das crianças, gera uma imagem positiva com relação à ciência e auxilia no desenvolvimento do pensamento crítico".

O Incrível Pontinho Azul ainda dá dicas para professores ensinarem ciência às crianças: "O primeiro passo seja abordar o método científico. Hoje, infelizmente, temos opinião sendo tratada como ciência pelo simples desconhecimento da forma como se faz ciência. Se as crianças puderam passar pelas fases de uma pesquisa, elas poderiam compreender melhor o que é o trabalho de um pesquisador e principalmente diferenciar o que é uma opinião e o que são dados".

Já para os pais gerarem interesse em ciência nos filhos, o canal recomenda ter prazer pela descoberta., não ter vergonha em dizer que não sabe, caso não saiba, incentivar a busca pela informação, traduzir a linguagem para que seus filhos consigam entender e incentivar a perguntar. "Não é nada fácil. Mas crianças tem mentes ávidas de conhecimento, pois tudo é uma descoberta; então, não enterre esse potencial aos poucos em meio a respostas como 'porque sim'".

Fonte: Canaltech

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