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5 mudanças que a pandemia causou na indústria do entretenimento

·8 minuto de leitura

Praticamente não existe setor da sociedade que não tenha sido tocado de forma profunda pela pandemia do novo coronavírus. O setor de entretenimento foi um dos mais atingidos, com o fechamento de salas, eventos públicos e atrações mudando a forma como lançamentos e divulgações são realizadas, assim como o moinho do dinheiro entrando nas contas dos estúdios. Movimentos rápidos, alterações de planos e uma aceleração de iniciativas digitais se tornaram essenciais e, para o mercado, permanentes.

Entre atrasos nos lançamentos de grandes filmes, blockbusters com ingresso adicional em plataformas de streaming ou um interesse maior de franquias esportivas pelas transmissões online, a busca era primeiro pela compensação. Depois, ficou percebido que o movimento, na verdade, era inevitável e, da mesma forma que aconteceu com os regimes híbridos de trabalho ou o maior cuidado com a higiene e a saúde coletiva, a pandemia gerou mais uma aceleração do que uma inovação.

Com a redescoberta de caminhos que já estavam firmados ou a pavimentação de estradas que, antes, muita gente achava serem de terra, as mudanças vieram para ficar. Ainda que esse movimento esteja em pleno andamento, porém, já dá para apontar cinco maneiras pelas quais a indústria de entretenimento foi permanentemente modificada pela pandemia.

5. Esperando menos

<em>Filmes como Viúva Negra e Cruella serão lançados em streaming, de forma simultânea aos cinemas; usuários também passarão a esperar menos pela disponibilização dos blockbusters das telonas (Imagem: Divulgação/Disney)</em>
Filmes como Viúva Negra e Cruella serão lançados em streaming, de forma simultânea aos cinemas; usuários também passarão a esperar menos pela disponibilização dos blockbusters das telonas (Imagem: Divulgação/Disney)

O fechamento dos cinemas não levou a uma baixa no fluxo de lançamentos, pelo contrário. Mais do que nunca, as pessoas, isoladas em casa e cuidando da própria saúde enquanto evitam a disseminação do coronavírus, buscaram formas de se manterem entretidas. O aumento no consumo de plataformas de streaming foi explosivo — só a Netflix, por exemplo, ganhou 26 milhões de assinantes no primeiro semestre de 2020 — e comprovador de que o público queria consumir entretenimento.

Entretanto, em 2020, muitas das produções em andamento tinham o cinema como foco e, para os estúdios, não se tratava apenas de mudar a tela de lançamento. Entre questões de custos, divulgação e polêmicas com cineastas, a Disney surgiu com uma alternativa, atrelando a chegada de grandes filmes a uma espécie de "ingresso virtual”, além do pagamento da própria assinatura do serviço de streaming. No Brasil, por exemplo, quem quiser assistir a Cruella ou Viúva Negra, terá de desembolsar R$ 69,90.

Não foi uma alternativa muito bem vista, enquanto outras caíram bem melhor aos olhos do público. Godzilla Vs. Kong, um dos primeiros blockbusters a estrearem nas salas internacionais após a reabertura, fez US$ 425 milhões em bilheteria enquanto também liderava os índices de audiência do HBO Max. Para os estúdios, aparentemente, ficou claro que o futuro é de sinergia.

O resultado foram mudanças nos calendários de praticamente todos os grandes estúdios. Eles, em uníssono, concordam que o cinema não está morto, como alegam alguns emocionados do mercado de streaming, mas, ao mesmo tempo, acreditam que o consumo doméstico se tornou uma alternativa viável para os negócios e mais interessante para o público. A Warner Bros anunciou que todos os seus lançamentos chegarão ao HBO Max 45 dias após a estreia nos cinemas, enquanto a Paramount e a Universal terão períodos ainda menores, de 30 e 17 dias, respectivamente.

4. Mais digital

<em>Com grandes nomes e altos valores de produção, The Crown é um entre dezenas de exemplos de que os serviços de streaming podem abrigar com sucesso e retorno os grandes blockbuster do cinema e TV (Imagem: Divulgação/Netflix)</em>
Com grandes nomes e altos valores de produção, The Crown é um entre dezenas de exemplos de que os serviços de streaming podem abrigar com sucesso e retorno os grandes blockbuster do cinema e TV (Imagem: Divulgação/Netflix)

A mudança anterior também é um reflexo direto do próprio consumo, principalmente no campo das séries. Na pandemia, sucessos absolutos como O Gambito da Rainha, Ted Lasso e The Crown serviram para ampliar ainda mais um movimento de subida que já era vertiginoso, tanto em termos de audiência e número de assinantes quanto com grandes nomes de Hollywood olhando o streaming com mais carinho.

Se restava alguma dúvida, a pandemia acabou com ela. A sensação geral é de que os grandes estúdios não precisam mais controlar orçamentos e divulgação quando se fala em produtos focados no streaming, capazes de entregar o mesmo grau de interesse e faturamento que as produções de TV aberta ou cinema. Para os atores e cineastas, também, é a oportunidade de entrar na casa das pessoas e permitir que elas consumam suas obras no momento mais pertinente.

Existem, claro, vozes contrárias a essa digitalização, com Christopher Nolan, de Tenet, sendo uma das mais fortes. Ao mesmo tempo, do outro lado estão os relatórios financeiros, que indicam o sucesso das empreitadas em streaming e um aumento no consumo de entretenimento durante a pandemia. Não é difícil imaginar quem fala mais alto aos ouvidos dos investidores e executivos.

3. Mercado internacional

<em>La Casa de Papel é uma das 10 séries mais assistidas da história da Netflix em todo o mundo, acendendo um interesse da plataforma e das rivais em produtos de mercados internacionais (Imagem: Divulgação/Netflix)</em>
La Casa de Papel é uma das 10 séries mais assistidas da história da Netflix em todo o mundo, acendendo um interesse da plataforma e das rivais em produtos de mercados internacionais (Imagem: Divulgação/Netflix)

Você com certeza já ouviu falar de The Boys, mas também de La Casa de Papel. Provavelmente colocou a série apocalíptica Expresso do Amanhã na sua lista da Netflix, mas também, no mesmo tema, se surpreendeu com a brasileira 3%. Não é coincidência: cada vez mais os serviços e estúdios olham para fora dos Estados Unidos em busca de novas produções, ideias inovadoras e, principalmente, conteúdo de qualidade.

Os números, mais uma vez, comprovam isso. De acordo com a Netflix, 83% das novas assinaturas de 2020 foram feitas por usuários de fora dos EUA, e hoje o mercado internacional corresponde a mais de 60% da base de usuários da plataforma. O Brasil é top 3 em consumo do serviço, enquanto, no caso do Disney+, a Índia é a responsável por mais de um terço do total de clientes.

Junto com isso, também surge um interesse maior por produtos internacionais. A já citada La Casa de Papel, da Espanha, e Lupin, da França, estão entre as 10 séries mais assistidas da história da Netflix. E mais baratos do que os remakes são os licenciamentos, com a plataforma já deixando claro que investe dezenas de bilhões de dólares em produtos originais em 12 idiomas, sem contar o inglês, um movimento seguido por outras plataformas de streaming. Afinal de contas, quem poderia perder a chance de assistir a De Férias com o Ex na Amazon, não é mesmo?

Vale a pena lembrar que essa tendência acompanha o próprio mercado cinematográfico, no qual, mesmo em um mundo pré-pandêmico, a China já despontava como maior consumidora. Em 2020, foram US$ 3 bilhões gastos em ingressos pela população do país, um número mais de 30% maior do que o combinado entre Estados Unidos e Canadá. O país asiático também tem mais do que o dobro de salas que os dois países ocidentais e, nos relatórios financeiros, o desempenho na nação é vista como essencial para o sucesso de qualquer blockbuster.

2. Esportes via internet

<em>Após anos de travas por conta de licenciamentos exclusivos, a F1TV Pro é um dos tantos exemplos de eventos esportivos disponíveis por streaming no Brasil (Imagem: Beto Issa/GP Brasil de F1)</em>
Após anos de travas por conta de licenciamentos exclusivos, a F1TV Pro é um dos tantos exemplos de eventos esportivos disponíveis por streaming no Brasil (Imagem: Beto Issa/GP Brasil de F1)

Se as questões de licenciamento de filmes e séries já são complexas, as de competições esportivas são ainda piores. Mas em ritmo mais lento, mesmo os grandes torneios estão se voltando à internet, na medida em que os pacotes de TV a cabo se tornam menos atrativos para os consumidores do que as opções por streaming, sempre mais baratas (ou não, como veremos a seguir).

O Brasil já enxerga os reflexos dessa mudança, como a recente chegada do F1TV, serviço de streaming da Fórmula 1, e, mais importante, a transmissão das partidas da Copa Libertadores da América 2021 pelo Facebook. O HBO Max também anunciou que vai passar a transmitir os jogos da Champions League, enquanto no mercado internacional a Amazon também tem licenças da Premier League e da NFL.

Enquanto isso, mesmo os grandes eventos que não aderiram às plataformas digitais veem os números em queda. A mais recente edição do Super Bowl, por exemplo, teve os piores números de audiência desde 2007, enquanto as finais da NBA sofreram uma baixa de 51% no total de espectadores. O movimento aqui, como dito, é mais devagar, mas também soa como inevitável, principalmente quando se leva em conta o investimento de nomes como Comcast e Disney em pacotes focados nos esportes por streaming.

1. Aumento nos gastos

<em>Enquanto valores individuais são individualmente mais baixos, quem quiser ter acesso a todo o conteúdo disponível por streaming pode se preparar para desembolsar um belo montante (Imagem: Captura de tela/Felipe Gugelmin/Canaltech)</em>
Enquanto valores individuais são individualmente mais baixos, quem quiser ter acesso a todo o conteúdo disponível por streaming pode se preparar para desembolsar um belo montante (Imagem: Captura de tela/Felipe Gugelmin/Canaltech)

O problema de todas essas mudanças, para os usuários, se dá no bolso. Enquanto em muitos casos as assinaturas de pacotes de entretenimento via internet são citadas como mais baratas do que assinaturas comuns de televisão à cabo, quem quiser ter acesso a todas as iniciativas, o tempo todo, vai desembolsar tanto quanto, senão mais.

No Brasil, por exemplo, quem quiser ter acesso às três principais plataformas de streaming em atividade — Netflix, Amazon Prime Video e Globoplay — vai desembolsar, no mínimo, R$ 52 por mês. Caso sejam adicionados também o Disney+ e o vindouro HBO Max ao pacote, o valor chega a R$ 99 mensais.

Aqui, estamos falando apenas de filmes e séries, sem contar serviços musicais (o Spotify Premium, por exemplo, cobra R$ 19,90 mensais), esportivos (a F1TV estreou custando R$ 28,90 por mês) ou de games (o Xbox Game Pass Ultimate custa R$ 44,90). Pacotes combinados reduzem um pouco esse valor, mas, ainda assim, quem quiser usufruir de tudo o que essa nova onda tem para oferecer deve se preparar, principalmente se decidir aderir às cobranças extras para acesso aos lançamentos do Disney+, por exemplo.

Felizmente, cancelar e assinar todas estas opções é muito mais simples do que aderir a pacotes de televisão por assinatura. Com isso, está sendo gerada uma onda de “nômades de streaming”, que aderem a um serviço por algum tempo, assistem o que desejam e depois cancelam a assinatura, usando o dinheiro para investir em outro. Aos serviços, mais do que uma competição por usuários, está começando também uma pela fidelidade deles.

Fonte: Canaltech

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