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5 empresários que foram 'expulsos' das empresas que fundaram

Empreender não é fácil. Mesmo em países como os Estados Unidos, de ampla liberdade econômica, a concorrência pode ser brutal. E fundar uma empresa de sucesso no mercado mais disputado do mundo é ainda mais difícil.

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Mesmo assim, não é raro que empreendedores de sucesso sejam expulsos das empresas que eles mesmos fundaram. Isso acontece quando a companhia fica grande demais e o conselho administrativo decide que o fundador não é mais um funcionário de valor.

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Nesta semana, Mark Zuckerberg, do Facebook, revelou que ele poderia ter sido demitido pelo conselho da empresa em 2006 se não tivesse mantido a posição de CEO e presidente do conselho administrativo, após recusar uma oferta bilionária de compra.

Confira alguns fundadores de grandes empresas do Vale do Silício que foram demitidos ou, sob pressão, pediram para sair.

Steve Jobs (Apple)

Steve Jobs em seu retorno à Apple, em 1997. Foto: AP/Susan Ragan

O lendário fundador da Apple ficou conhecido como a principal mente à frente da companhia, mas Steve Jobs nem sempre foi bem-vindo por lá. Em 1985, Jobs entrou em rota de colisão com o CEO da empresa, John Sculley, por conflito de visões.

Jobs queria mais investimento em produtos que não vendiam bem, e Sculley queria reduzir estes custos. Jobs acabou pedindo demissão para não ser rebaixado, fundou uma nova empresa, a NeXT, que não deu certo, e voltou à Apple em 1997, desta vez como CEO.

Jack Dorsey (Twitter)

Foto: AP/Jose Luis Magana

Jack Dorsey fundou o Twitter em 2006 juntamente com dois sócios, mas foi ele quem assumiu o cargo de CEO. No livro "A Eclosão do Twitter", o jornalista Nick Bilton revela que os primeiros anos da startup foram marcados por reclamações internas de mau comportamento por parte de Dorsey.

O CEO era visto como "irresponsável" e muitos funcionários reclamavam que ele passava mais tempo em festas, viajando e fora do escritório do que de fato lidando com os problemas da rede social, como as frequentes falhas do site. O conselho administrativo demitiu Dorsey do cargo de CEO em 2008, oferecendo a ele um assento na mesa de diretores sem poder de voto. O empresário voltou ao comando da startup em 2015.

Travis Kalanick (Uber)

Foto: AP/Jeff Chiu

O aplicativo do Uber foi criado para fornecer caronas remuneradas, mas logo se espalhou pelo mundo como um marketplace de motoristas autônomos, irritando taxistas e se tornando uma opção precária de trabalho para pessoas desempregadas. O criador desse império, Travis Kalanick, porém, saiu da empresa de maneira vergonhosa.

Tudo começou em 2017, quando a Uber foi atingida por uma crise global de imagem. Relatos de casos de assédio moral e sexual dentro da empresa foram divulgados pela imprensa. O próprio Kalanick foi denunciado por assediar sexual e moralmente funcionários e motoristas de Uber. Para aplacar a crise, o cofundador da empresa pediu demissão do cargo de CEO em 2017.

Martin Eberhard (Tesla)

Foto: AP/Paul Sakuma

A marca de carros elétricos Tesla é conhecida por Elon Musk, o bilionário sul-africano fã de ficção científica e também fundador da SpaceX. Mas nem todo mundo sabe que o primeiro CEO da empresa foi o cofundador Martin Eberhard, que deixou a empresa em 2007 para fundar uma startup de baterias para veículos elétricos.

Na época, a saída de Eberhard da Tesla parecia protocolar: o comunicado à imprensa citava apenas o desejo do empresário de abrir outra empresa. Mas nos anos seguintes, a relação entre ele e Musk se deteriorou publicamente. O ex-CEO processou o ex-colega por difamação, e foi acusado de deixar as finanças da empresa em "uma bagunça".

Adam Neumann (WeWork)

Foto: AP/Mark Lennihan

O mais recente membro da lista de fundadores expulsos é Adam Neumann, que fundou o WeWork juntamente com Miguel McKelvey em 2010. A empresa fornece escritórios compartilhados que podem ser alugados por dias, semanas, meses ou horas por profissionais autônomos e pequenas startups.

Em agosto, a We Company, dona do WeWork, entrou com pedido para estrear na bolsa de valores dos EUA com uma oferta pública inicial de ações (IPO), mas, com isso, as finanças da empresa vieram a público e a administração de Neumann criou dúvidas entre investidores. Descobriu-se que muitos dos prédios alugados pelo WeWork pertenciam ao CEO da empresa, que também pegou vários empréstimos com o seu fundador.

Com isso, a avaliação da startup, que começou o processo de IPO em US$ 47 bilhões, caiu para US$ 10 bilhões. Em 24 de setembro, Neumann anunciou que decidiu deixar a empresa para não "atrapalhar". O IPO foi adiado por tempo indeterminado.