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As 4 sinalizações que Paulo Guedes deu sobre a sua gestão em entrevista ao Financial Times

(Fátima Meira/Futura Press)

SÃO PAULO - O ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu encerrar anos de intervenções fracassadas do Estado na economia durante uma entrevista ao jornal britânico Financial Times, que destaca que a recessão e os escândalos de corrupção criaram o pano de fundo para a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) no ano passado. 

Entre os desafios da gestão de Guedes, o jornal inglês destaca o grande déficit fiscal, o aumento da dívida pública, as 12 milhões de pessoas desemprega, a baixa produtividade e uma recuperação econômica anêmica. No lado positivo, o jornal observa que as contas externas estão amplamente equilibradas e as reservas internacionais somam US$ 377 bilhões.

Durante a conversa, Guedes deu sinalizações sobre quatro temas que devem ser prioritários em sua gestão. Confira:

1 - Reforma da Previdência Guedes voltou a afirmar que a reforma da Previdência pode trazer uma economia de R$ 700 milhões a R$ 1,3 trilhão, e será submetida ao Congresso "assim que o presidente se levantar da cama". Bolsonaro segue internado após a cirurgia para a remoção de uma bolsa de colostomia colocada após um esfaqueamento durante campanha no ano passado.

Durante a entrevista, Guedes destacou repetidamente que a sua principal prioridade era a consolidação do orçamento, uma vez que a receita do governo desmoronou de 36% do PIB (Produto interno Bruto) em 2010 para 29%. Como resultado, o déficit fiscal aumentou e a dívida pública bruta deve atingir 90% do PIB neste ano, de acordo com o FMI.

“O gasto é a chave. É por isso que é lógico abordar seu maior item primeiro, com a reforma da previdência ”, disse. O bloco alinhado ao governo conta com 302 votos entre os 513 assentos do Congresso - pouco menos que maioria necessária de 75% para a aprovação da reforma previdenciária. No entanto, a lealdade partidária é instável. A eleição do aliado Rodrigo Maia como presidente da Câmara, necessária para reunir coalizões entre os 30 partidos do Congresso, deve melhorar as chances de aprovação.

2 - Reforma tributária e privatizações A reforma da Previdência deve ser seguida rapidamente pela reforma tributária e por um programa radical de privatização em que não haverá vacas sagradas, informou o ministro. “No final, muitas empresas ficarão. Se eu quiser vender 100, posso conseguir 25 no máximo”, ponderou. "O presidente decide."

3 - Livre mercado "Estamos indo em direção a uma economia voltada para o mercado", disse o professor formado na Universidade de Chicago. “É parte de um processo econômico de melhoria. Qualquer um que não possa ver isso está interpretando mal o Brasil", afirmou Guedes, destacando ranking que evidencia o fechamento da economia brasileira.

“O Brasil é a oitava maior economia do mundo, mas o 130º em grau de abertura, perto do Sudão. Ele também está classificado em 128º em termos de facilidade de fazer negócios. Quero dizer...Jesus Cristo!". Disse Guedes, saltando de sua cadeira. 

O ministro disse que quer cortar esses rankings pela metade em apenas quatro anos com corte de gastos, revisão do código tributário brasileiro, redução da burocracia e privatização dos ativos do Estado.

4 - Políticas sociais O ministro disse que o mercado livre é compatível com o liberalismo político e que as políticas sociais para reduzir a desigualdade no país serão mantidas.

"Rússia e Brasil tiveram glasnost antes da perestroika ”, disse Guedes, referindo-se às políticas de abertura e liberalização política e econômica. “Você precisa ter os dois. Então você tem crescimento e uma classe média que traz estabilidade”. O caminho alternativo adotado pelo Brasil leva a um Estado rentista caracterizado pela corrupção, destaca o jornal.

"Nós éramos uma democracia de uma só perna", diz ele. “O sistema está corrompido. Quero dizer, por que Lula, o político mais popular do Brasil, só conseguiu 13 anos por acusações de corrupção?", questiona o ministro.