Mercado fechado

4,25 milhões de domicílio sobreviveram apenas com auxílio em agosto, diz Ipea

Bruno Villas Bôas
·2 minutos de leitura

De acordo com o estudo, o montante representa 6,2% do total de domicílio do país Marcello Casal Jr/Agência Brasil Cerca de 4,25 milhões de domicílios brasileiros sobreviveram, em agosto, apenas com a renda do auxílio emergencial do governo. Isso representa 6,2% do total de domicílio do país, mostra estudo do do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Houve ligeira queda na proporção em comparação a julho (6,5%). A análise divulgada nesta terça-feira tem como base os microdados da pesquisa Pnad Covid-19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No levantamento, o Ipea mostra que o número de domicílios que viviam exclusivamente do auxílio era maior na região Nordeste, ultrapassando 13% do total de lares no Piauí e na Bahia, por exemplo. Piauí, Alagoas, Amapá, Sergipe e Ceará apresentaram proporção acima de 10%. A pesquisa mostra que a ajuda financeira foi suficiente para superar em 41% a perda da massa salarial entre as pessoas que permaneceram ocupadas, em agosto. Ou seja, o auxílio emergencial de R$ 600 mais do que compensou as perdas de renda provocadas pela pandemia. Redução do auxílio A redução do auxílio emergencial para R$ 300 a partir de setembro, a metade do anteriormente pago pelo governo, tem potencial para diminuir em quase 20% a renda domiciliar dos mais pobres, mostram os cálculos do Ipea. De acordo com os cálculos do Ipea, se tivesse ocorrido em agosto, a redução do auxílio emergencial teria encolhido a renda domiciliar per capita das famílias classificadas de “renda muito baixa” para apenas R$ 941,53 no mês, 19,41% a menos do que com o benefício do governo. Para o total dos domicílios do país, se tivesse ocorrido em agosto, a redução do auxílio emergencial teria diminuído em 5,2% a renda domiciliar média, para R$ 3.628,49 por mês, mostram cálculos do pesquisador Sandro Sacchet de Carvalho, da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea. “Os cálculos foram feitos com base na renda de agosto. Pelo ritmo do mercado de trabalho, que temos percebido nos últimos meses, os números em setembro não devem ser muito diferentes, mesmo se a renda do trabalho se recuperar um pouco mais”, explica o pesquisador. De acordo com ele, os desembolsos do auxílio emergencial em agosto foram de R$ 50 bilhões, segundo dados da Caixa Econômica Federal. Como o auxílio foi reduzido pela metade, o total a ser desembolsado recuaria para R$ 25 bilhões em setembro. Mas o impacto pode ser ainda maior. “O corte na prática será ainda maior porque em setembro estava em curso uma revisão pelo governo de que pode receber o benefício”, disse Carvalho.