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3,7 milhões de pessoas passam fome na Venezuela

REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez/File Photo

A crise enfrentada pela Venezuela nos últimos anos aumentou o número de pessoas que passam por extremas dificuldades financeiras no país. Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta semana mostram que 3,7 milhões de pessoas estão passando fome. O número é quatro vezes maior do que o registrado em 2011, quando 900 mil pessoas passavam fome.

A FAO, agência das Nações Unidas especializada em agricultura e alimentação, de 2011 para 2018, a proporção da população venezuelana desnutrida passou de 3,6% em 2011 para 11,7% neste ano, em uma alta constante.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, afirma que o país não vive uma crise humanitária. “Existe uma crise econômica que é resultado das sanções dos EUA e Europa. Há um golpe ,militar sendo preparado para perturbar nossa democracia. Talvez tenhamos muito petróleo e isso nos coloca como objetivo dos grandes interesses capitalistas”, declara.

(AP Photo)

Segundo o jornal New York Times, na última semana funcionários do governo dos Estados Unidos se encontraram secretamente com militares venezuelanos para analisar um golpe contra Maduro.  Arreaza denunciou ontem na ONU a existência de uma intervenção em seu país e afirmou que o tema de direitos humanos está sendo usado para esse propósito. “Denunciamos essas medidas e pedimos, em nome do povo, o fim da agressão política, econômica, ameaça militar e agressão midiática”, acusa.

A ONU, no entanto, declara que a crise existe e está aumentando o êxodo dos venezuelanos. “Cerca de 2,3 milhões de pessoas deixaram o país até o dia 1.º de julho, o que representa 7% do total da população. Na primeira semana de agosto, mais de 4 mil venezuelanos por dia entraram no Equador, 50 mil chegaram à Colômbia em três semanas de julho e 800 por dia estão entrando no Brasil.”, afirma Michelle Bachelet, chefe de Direitos Humanos da ONU.

Segundo Bachelet, desde que a ONU publicou seu último informe, as denúncias sobre violações de direitos, prisões arbitrárias e a restrição da liberdade de expressão continuam acontecendo, enquanto o governo da Venezuela “não mostrou abertura para as medidas genuínas de responsabilidade”.

Venezuela promete colaboração

Nesta semana, na 39ª sessão regular do Conselho de Direitos Humanos, Arreaza prometeu colaborar com a ex-presidente chilena que assumiu a digressão dos Direitos Humanos da ONU e denunciou a xenofobia contra os venezuelanos nos países da América Latina. “O Conselho dos Direitos Humanos e a alta comissária podem contar com toda a colaboração do governo da República Bolivariana da Venezuela e do presidente Nicolás Maduro”, declarou.