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365 Dias é acusado de romantizar situações de estupro e Síndrome de Estocolmo

Laísa Trojaike

Em primeiro lugar no Top 10 da Netflix nesta terça-feira (16) no Brasil, o polonês 365 Dias vive um sucesso às avessas. Com a premissa de um filme picante, o longa dirigido por Barbara Bialowas e Tomasz Mandes tem sido visto com maus olhos e o descontentamento tem escoado nas redes sociais e, dessa vez, não é por qualquer tipo de puritanismo.

Divulgado como uma empreitada mais ousada do que Cinquenta Tons de Cinza, 365 Dias acompanha uma executiva (Anna Maria Sieklucka) que se vê presa a um relacionamento com um poderoso chefe da máfia (Michele Morron). Após tê-la sequestrada, recebe o prazo de um ano para se apaixonar por ele. O filme é baseado no livro erótico homônimo escrito por Blanka Lipińska, que aborda o complexo e complicado fetiche de sequestro, submissão e estupro.

Imagem: Netflix

Com a popularização da versão cinematográfica, os espectadores têm recorrido às redes sociais para explicar que a obra, na verdade, faz uma apologia à violência sexual e romantiza condições como a Síndrome de Estocolmo. Este é um estado psicológico em que a vítima, após ser submetida a um período de intimidação, desenvolve simpatia, ou até mesmo sentimentos mais complexos e profundos como amor e amizade, pelo seu agressor.

Usuários brasileiros também têm se manifestado nas redes sociais, como podemos ver em alguns tweets:




Apesar da polêmica, outros usuários defendem o lado fetichista de 365 Dias, o que traz à tona às discussões sobre as possibilidades e limites da arte. Se por um lado naturaliza um crime, por outro, não é um crime em si. Dividido entre fetiche questionável e imoralidade, o filme já arrecadou mais de US$ 9,4 milhões mundialmente e os defensores já aguardam a adaptação dos demais livros da série.

Fonte: Canaltech