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De 25% a 30% dos ratings corporativos na AL estão sob risco, diz Fitch

Sérgio Tauhata

Segundo a agência de avaliação de risco, empresas mais expostas são aquelas com maior ligação aos governos e mercados internos Os ratings corporativos na América Latina ligados ao teto da nota soberana estão sob risco de “downgrade”, caso se concretize o cenário de maior quantidade de ações negativas para as notas dos governos em 2020 devido aos efeitos econômicos do coronavírus associados às respostas políticas, afirma a Fitch Ratings.

A agência de classificação de risco pondera, entretanto, que as implicações vão variar segundo países, setores e emissores diante dos diferentes níveis de dependência dos governos e economias domésticas.

“Os setores de serviços públicos e de óleo e gás são os mais expostos, enquanto alimentos e bebidas são os mais isolados.”

Nos cálculos da Fitch, entre 25% e 30% dos ratings de empresas no portfólio da América Latina coberto estão sob risco. A agência enfatiza que são organizações ou ligadas aos governos ou com operações focadas no mercado doméstico.

Depois da Argentina, Brasil, Colômbia e, em menor extensão, o México reúnem a maior quantidade de companhias expostas a esses riscos. “Um ou dois graus de downgrade do teto do país resultaria em um corte de notas de aproximadamente 25% das empresas brasileiras e colombianas e 4% das mexicanas”, diz a Fitch.

Peru e Chile, por outro lado, não teriam nenhum rebaixamento além das companhias estatais de óleo e gás e mineração. Os ratings de mais de duas dezenas de “entidades relacionadas a governos” (GRE, na sigla em inglês) se movem em sincronicidade com a nota soberana. Isso acontece, segundo a agência, pela avaliação de que o suporte dos governos conduz a qualidade de crédito e se torna o fator primário na análise do perfil dos emissores.

No caso das entidades relacionadas a governos, a Fitch observa que “o fluxo de caixa é com frequência materialmente dependente dos governos ou entidades relacionadas”.

Os setores de serviços públicos e de óleo e gás tem alto número de GREs no portfólio de empresas avaliadas na América Latina. Pemex, Ecopetrol e Petrobras são exemplos.

A Fitch rebaixou dezenas de empresas argentinas no ano passado após o corte da nota soberana do país, após circunstâncias que vão de desafios nas posições de liquidez, desencorajamento de investimento em projetos de expansão de emissores corporativos.

Já o setor de alimentos e bebidas é um dos menos expostos aos soberanos devido ao alcance internacional. O teto “AAA” aplicável à brasileira JBS corresponde, de acordo com a Fitch, ao teto de países como EUA, Canadá e Austrália. As operações da companhia nesses três países representam 80% do Ebitda consolidado do grupo. “Como resultado a nota de emissor internacional da JBS não seria rebaixada se o teto do Brasil fosse cortado”, diz a agência.