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2021 em 10 atos: a Retrospectiva Fast Company Brasil

·11 min de leitura

Aqui estão, elencados, alguns dos grandes fatos ou tendências que marcaram este ano tão incomum: alguns verdadeiramente surpreendentes, outros saídos diretamente de um “museu de grandes novidades”. Quem seria capaz de adivinhar que, em plena pandemia, uma verdadeira corrida espacial seria disputada por alguns dos empresários mais ambiciosos – e também inovadores – da nossa era? Enquanto isso, sempre foram favas contadas o agravamento da crise climática e os dilemas das redes, que tanto se complexificaram em 2021. Foi um ano brutal, de grandes intensidades e que transformou para sempre o mundo do trabalho, ampliou nosso entendimento sobre saúde, e de tantas maneiras revelou o melhor e o pior em nós.

Alerta Vermelho – a irreversibilidade da crise climática

Em agosto, o IPCC, Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, lançou seu relatório com novo alerta. Elaborado com a contribuição de 234 cientistas de 66 países, o documento aponta que muitas alterações já vistas no clima são “irreversíveis ao longo de centenas e milhares de anos”. Enquanto os cinco estudos anteriores eram mais sutis, este escancara: estamos falhando gravemente. O relatório mostra que o limiar do aquecimento global (1,5°C acima do período pré-industrial) será atingido em 2030, 10 anos antes do projetado. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que o documento é um “um código vermelho para a humanidade”. Com isso, esperavam-se metas ambiciosas na COP26, a Conferência do Clima realizada em novembro, reunindo quase 200 países. Houve avanços e notou-se uma maior participação das empresas, cada vez mais interessadas em ESG, mas decisões fundamentais foram adiadas. E o senso de urgência do relatório do IPCC não foi contemplado no texto final da COP26.

Meu foguete é maior que o seu – a corrida espacial dos bilionários

Uma disputa que envolve imensas quantidades de dinheiro e ego move três bilionários em direção ao espaço. Richard Branson, com sua Virgin Galactic, foi o primeiro a deixar a órbita da terra. Ao saber que Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, decolaria no seu foguete no dia 20 de julho deste ano, Branson tratou de antecipar seu vôo em nove dias e assim ganhou popularidade irremediável por inaugurar a era do turismo espacial. Bezos chegou em segundo, mas decolou do deserto do Texas em seu foguete e foi mais alto e levou consigo o primeiro cliente pagante: o holandês Oliver Daemen, um jovem de 18 anos. Com acentos leiloados por US$ 28 milhões, Bezos também levou como convidada a ex-instrutora de vôo Wally Funk, de 82 anos, que nunca teve a chance de ir ao espaço. Nesta corrida Elon Musk, dono da Tesla e também da SpaceX, chegou em terceiro, mas seu vôo inaugural foi mais longo que os realizados até então. Em setembro passado a SpaceX realizou seu primeiro vôo orbital levando com sucesso quatro civis e permaneceu três dias em órbita. A missão foi considerada um marco para o turismo espacial. Musk é considerado o líder da corrida até o momento, pois conquistou o cobiçado contrato de US$ 2,98 bilhões para fabricar o módulo que descerá na lua em 2024, dentro do programa Artemis, missão da NASA e dos EUA ao qual o Brasil aderiu e que tem como objetivo, além de enviar a primeira mulher e a primeira pessoa negra à lua, estabelecer presença americana permanente na lua até o final da década.

Metaverso – Zuckerberg aposta que esse será nosso novo habitat

Em outubro, Mark Zuckerberg, cofundador da rede Facebook, anunciou a mudança de nome da companhia para Meta, referência à aposta que fazem no que consideram ser a grande tendência da computação pessoal: o metaverso, espaço virtual onde as pessoas podem trabalhar, jogar ou socializar por meio da Realidade Virtual e da Realidade Aumentada. Zuckerberg e seus avatares chamaram atenção para o conceito de metaverso (área em que a Meta está investindo US$ 50 milhões por dois anos) e fizeram com que marcas se lançassem em plataformas que simulam universos novos. O potencial é gigantesco, a depender de um relatório da gestora de criptoativos Grayscale. Ela estima que o setor, alavancado por NFTs, blockchain e games, pode chegar a US$ 1 trilhão de receita anual no longo prazo. O estudo calcula que em 2025 o faturamento de jogos nos mundos virtuais pode atingir US$ 400 bilhões. Em 2020, esse montante foi de US$ 180 bilhões. A ideia de metaverso de Zuckerberg – que acredita que irá movimentar na próxima década centenas de bilhões de dólares em comércio digital – elevará a novos patamares o que já é familiar à cena dos games, mas ainda parece distante para muitos.

Vacinas – de tecnologia acelerada a palavra do ano

As vacinas impactaram o mundo e atingiram alta popularidade em 2021. Tanto que os organizadores do tradicional Dicionário de Oxford elegeram “vax”, forma diminuta para vacina em inglês, como palavra do ano. Dela surgiram termos como “vaxxie”, selfie feita na imunização e “anti-vax”, os contrários à vacina. Outro dado que se destaca: a Covid-19 acelerou o desenvolvimento da tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). Pela primeira vez, vacinas criadas com essa estratégia, como as da Pfizer e Moderna, foram aplicadas em grande escala, em tempo recorde. O processo consiste em copiar uma proteína do vírus por meio do mRNA, que transmite mensagens genéticas. As células do sistema imune agem contra o “invasor”, protegendo o corpo. A tecnologia com RNA agora está sendo empregada em testes contra gripe, HIV e câncer.

O Renascimento do autocuidado – saúde e bem estar na pauta de empresas e pessoas

No final de 2020, quando o mundo já completava cerca de nove meses de enfrentamento da pandemia de Covid-19, o Global Wellness Institute apresentou suas principais tendências de bem estar, que de fato se consolidaram este ano. O renascimento do autocuidado, a busca do equilíbrio em todas as esferas da vida estão entre elas, e se há algo a ser comemorado é que de fato a busca pela saúde imunológica talvez nunca tenha sido tão intensa, levando a um verdadeiro boom do setor este ano. Há mais pessoas enxergando a saúde como uma questão holística, que depende de vários fatores e demanda energia de longo prazo e não soluções de efeito imediato. E nesse holístico entra, como parte essencial do pacote, a Saúde Mental, que ingressou definitivamente na pauta das empresas e das pessoas de um modo geral. Vale destacar a importante contribuição de um emblemático episódio, em agosto deste ano: a desistência da ginasta americana Simone Biles de seguir até as finais nos Jogos Olímpicos de Tóquio, tomada corajosamente diante do mundo.

The Big Quit – nunca se pediu tanta demissão

O termo entrou na wikipedia este ano e virou caso de discussão global. Trabalhar em home office levou milhões de pessoas, no mundo inteiro, a questionarem suas jornadas de trabalho, suas rotinas frequentemente desequilibradas e improdutivas, relações profissionais tóxicas e a falta de um real propósito. Só nos Estados Unidos, 4 milhões de americanos deixaram seus empregos em julho deste ano, e reter talentos tornou-se uma grande preocupação para as empresas. Especialmente diante das possibilidades do trabalho remoto sem fronteiras, em que se pode escolher trabalhar para qualquer empresa, de qualquer lugar do planeta. As maiores taxas de demissão ocorreram entre pessoas de 30 a 45 anos e nas indústrias de tecnologia e saúde.

Cancelamento – o novo tribunal da cultura

Cultura do cancelamento não é algo novo, mas este ano se acentuou e ganhou novos contornos. No início do ano ganhou evidência no BBB21, o mais comentado programa de TV no mundo em 2021, segundo o Twitter. No primeiro encontro entre todos os participantes, decidiu-se que eles iriam cancelar o cancelamento. Uma furada. Na casa, a rapper Karol Conká cancelou concorrentes com soberba e até crueldade. Acabou rejeitada com o maior índice da história do reality: 99,17% dos votos. E assim, ela própria foi cancelada, dentro e fora da casa – inclusive por empresas – até conseguir recuperar um pouco sua imagem. Nos EUA, o rapper Travis Scott era queridinho do público. Teve até show no Fortnite. Em novembro, em um festival feito por ele e pela Live Nation, o artista não se deu conta de um empurra-empurra na multidão que acabou levando à morte de 10 pessoas. Travis diz só ter tomado conhecimento das vítimas numa festa pós-show. Há mais de 125 processos contra ele. O Fortnite retirou um emote do rapper de sua loja após a tragédia. O cancelamento é muitas vezes reação a algo que não foi bom de fato. Mas por funcionar como um tribunal da internet, que não cumpre os ritos da justiça, é uma “ameaça à democracia”, afirma a escritora Anne Applebaum, autora de “O crepúsculo da democracia” (2021).

Dados em perigo – aumentam ataques cibernéticos a empresas

No primeiro semestre deste ano cresceram 200% as notificações referentes a ataques cibernéticos contra empresas brasileiras (segundo estudo do grupo Mz, empresa especializada em relações com investidores, com base em dados levantados pela Comissão de Valores Mobiliários, agência regulada pelo Ministério da Economia). O trabalho remoto implementado em grande escala deixou as empresas mais vulneráveis, pois aumentou o volume de acessos a dados importantes diretamente da casa das pessoas. Entre os ataques está o “ransomware”, extorsão que pode bloquear o computador para posteriormente exigir um resgate para desbloqueá-lo. A JBS teve os dados de sua subsidiária nos Estados Unidos sequestrados no primeiro semestre deste ano. A empresa pagou US$ 11 milhões (cerca de R$ 60 milhões) para recuperá-los. A pesquisa “O Estado de Ransomware em Serviços Financeiros 2021”, realizada pela Sophos, mostrou que as empresas do setor financeiro de médio porte gastaram em média US$ 2 milhões para se recuperar de um ataque de ransomware. A média global de gastos é de US$ 1,82 milhões. Este ano os hackers atacaram, neste mês de dezembro, o site do Ministério da Saúde e o aplicativo ConecteSUS, e deixaram a mensagem “50 TB de dados foram copiados e excluídos” e que o ataque tinha sido um ransomware. Dois dias depois o Ministério da Saúde informou que recuperou os registros de vacinação contra a Covid-19 sequestrados pelos hackers, sem no entanto divulgar como foi feita a recuperação. O Brasil é o quinto maior alvo desse tipo de crime no mundo, ficando atrás dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e África do Sul. Um estudo da consultoria alemã Roland Berger estimou em R$ 6 bilhões os prejuízos globais causados por cibercrimes.

Fake News e o inescapável dilema das redes

O tema não é novo, evidentemente. Em 2016, o Dicionário Oxford elegeu “pós verdade” como palavra do ano. De lá para cá, no entanto, a escalada de desinformação foi galopante. Este ano acirrou-se ainda mais a discussão em torno do tema e principalmente a responsabilidade de grandes plataformas como Facebook, Google e Whatsapp sobre os conteúdos falsos gerados por pessoas e robôs. A disseminação de notícias falsas tornou-se um problema grave e fator de preocupação para a grande maioria das pessoas no Brasil. Fake News afetou negativamente os índices de vacinação mundo afora e os resultados estão sendo vistos neste exato momento, em diversos países, como EUA e Alemanha. Em junho passado, a pesquisadora da Universidade de Dublin conduziu um estudo que provou que notícias falsas têm o poder de mudar o comportamento das pessoas e que a simples lembrança de ter ouvido alguma história falsa aumenta a probabilidade de agir de determinada maneira.

Games – do nicho ao mainstream, a indústria floresce

A indústria de Games é hoje uma das maiores do mundo. Antes considerada por muitos como brincadeira ou hobbie, agora lucra mais que cinema e música juntas. Com a pandemia, o mercado de games teve um boom no ano passado no Brasil e no mundo e este ano deve movimentar globalmente algo em torno de US$ 175,8 bilhões. O volume de jogadores cresceu 5,3%: eles se aproximam dos três bilhões, número que deve ser atingido em 2022. E as pessoas não só jogam ou assistem alguém jogar, mas produzem seu próprio conteúdo, “stremando”. Entre as plataformas mais populares de streaming de games estão o Twitch (da Amazon), o Facebook Gaming, o Youtube Gaming e o Nimo TV, e tudo indica que as muitas possibilidades do streaming serão elemento chave para o crescimento dessa indústria. Neste ano, o segmento foi marcado ainda por atrasos em títulos – efeito da pandemia na produção – e algumas “tretas”, como a disputa Apple x Epic Games (do Fortnite) devido a formas de pagamentos, já que a big tech não aceita modelos externos, numa briga que prossegue; a ação judicial contra a Activision Blizzard (de Call of Duty) acusada de discriminação por gênero, assédio e até estupro; consolidação dos mobile games (45% do setor, contra 28% dos consoles). Vale registrar o retorno bem sucedido de franquias como Halo e Metroid; o lançamento de Netflix Games, e a escolha do brasileiro Nobru, um dos nomes mais famosos do Free Fire, como Personalidade do Ano pelo Esports Awards, espécie de Oscar dos esportes eletrônicos. Por sinal, lá o Free Fire venceu como Mobile Game do ano, superando o Wild Rift, versão adaptada de League of Legends. Por tudo isso, mais um fato merece registro: a criação, em outubro de 2021, da vertical de games da Fast Company Brasil.

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