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2020 teve o maior número de brechas de segurança dos últimos 15 anos

Felipe Demartini
·3 minuto de leitura

Que 2020 foi crítico para a cibersegurança, todo mundo já sabe, mas agora, números vêm para mostrar que o período foi um dos mais críticos em termos de vulnerabilidades e explorações maliciosas, apresentando um índice de brechas maior do que o total combinado dos últimos 15 anos. Foram mais de 300 explorações registradas no ano passado, um total que representa mais do que o dobro de um 2019 já alto demais para o gosto dos especialistas.

Os dados são da Canalys, que trabalha com análise de mercado, e também reportam o maior volume de registros comprometidos como fruto de ações criminosas. Em 2020, foram mais de 30 bilhões, também um número que representa mais do que o dobro do registrado em 2019, quando a onda de cibercrimes que vemos hoje começou a dar seus primeiros sinais, sendo amplificada no segundo trimestre do ano passado pela pandemia e a acelerada adoção do trabalho remoto.

Entretanto, os gastos com cibersegurança não cresceram na mesma medida. A Canalys aponta que esse foi o segmento cujo investimento apresentou maior aumento no mercado de TI, mas esse salto foi de apenas 10% em relação ao total empregado em 2019. Foram US$ 53 bilhões a mais colocados em departamentos de proteção ao longo de 2020, enquanto a grande frequência de relatos de golpes, sequestros de dados e comprometimentos mostram que o montante nem de longe foi suficiente.

<em>Gráficos divulgados pela Canalys mostram o maior número de brechas de segurança desde 2005, com número de vazamentos que mais do que dobraram em relação a 2019 (Imagem: Divulgação/Canalys)</em>
Gráficos divulgados pela Canalys mostram o maior número de brechas de segurança desde 2005, com número de vazamentos que mais do que dobraram em relação a 2019 (Imagem: Divulgação/Canalys)

Segundo os números da consultoria, os ataques de ransomware permaneceram como os mais populares de 2020, com os hospitais sendo o setor mais atingido. A pesquisa, entretanto, volta seus olhos diretamente para as empresas que levaram suas operações para a nuvem e passaram a trabalhar por meio de acesso remoto, abrindo muitas portas para explorações maliciosas e roubo de preciosos dados que fazem a máquina do cibercrime continuar girando.

Prova disso é que, na medida em que os investimentos em segurança aumentaram 10%, o uso de serviços de cloud computing cresceu 33%, enquanto os gastos globais chegaram a US$ 142 bilhões, um salto de US$ 45 bilhões em relação ao montante registrado em 2019. Já o uso de softwares baseados na nuvem aumento 20%, um reflexo direto da adoção do teletrabalho como alternativa para que as companhias continuassem funcionando sem comprometer a segurança de seus colaboradores.

A Canalys vê esse fluxo como contínuo, mas também alerta para os riscos inerentes ao baixo investimento em segurança digital. A pesquisa fala em “extinção em massa” de negócios caso esse aspecto não seja levado a sério e o alto fluxo de ataques continue acontecendo, com perdas de confiança, falências e demais reflexos do cibercrime podendo comprometer até mesmo a retomada econômica dos países ao final da pandemia do novo coronavírus.

O estudo enxerga uma relação direta entre esses dois aspectos, associando de forma objetiva o que chama de “lapso de foco” em cibersegurança com o crescimento de uma “crise de brecha de dados”. O aumento nos casos de ransomware e o maior número de vazamentos de informação são reflexos diretos do baixo investimento em proteção, citado pela Canalys como o caminho para um crescimento saudável da economia digital e, também, da fixação dos regimes remotos como alternativa mesmo para o pós-pandemia.

Fonte: Canaltech

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