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2020: o ano em que o cinema parou

Thiago Romariz
·3 minuto de leitura
Cinema reaberto com restrições em Pequim, China, 24 de julho de 2020. Foto: Kevin Frayer/Getty Images
Cinema reaberto com restrições em Pequim, China, 24 de julho de 2020. Foto: Kevin Frayer/Getty Images

Em março, quando a pandemia do coronavírus tinha tomado a China, os estúdios de cinema não acreditavam no caos que a doença causaria na indústria. Nem os mais precavidos. Naquela época, Paramount e Universal adiaram seus grandes lançamentos para os últimos meses do ano ou para o início de 2021. Agora, prestes a entrar em agosto e no sexto mês de covid-19, não existirá cinema em 2020.

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O primeiro baque foram os adiamentos do primeiro semestre, que tirou Viúva Negra e Mulher-Maravilha 1984 do calendário. As heroínas de quadrinhos ainda têm uma data este ano, mas o provável destino da sequência de Diana Prince na DC é ficar sem data. Ainda que os exibidores exijam dos estúdios uma previsão de volta, a covid-19 não para em mercados super importantes como EUA, Brasil, Inglaterra e China. Mesmo com poucas salas abrindo em países como França, Coreia do Sul e Espanha, está claro que o cinema respira por aparelhos e não deve sair disso até dezembro.

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O maior dos baques veio com o adiamento de Tenet, novo filme de Christopher Nolan. Tido por muitos como o filme que ia "recuperar" o cinema, o longa não tem data para estrear e disseminou o pessimismo pela temporada entre outros estúdios. A Paramount tirou Top Gun: Maverick de dezembro e agora o filme chega só em julho de 2021. A Disney também desistiu de Mulan, por agora, e a Sony adiou ainda mais Homem-Aranha 3. James Cameron adiou todos os Avatar em mais um ano e a LucasFilm fez o mesmo com os novos Star Wars.

E agora vemos um 2021 muito atribulado, com lançamentos gigantes em poucos meses – vai ser a forma da indústria tentar recuperar o tempo perdido, mas também vemos nisso um acúmulo de grandes blockbusters. O público já terá recebido a vacina? Haverá poder de compra para tanto filme em 12 meses? Países que negligenciam a covid-19, como Brasil, terão se livrado da crise econômica? Difícil saber.

É fato, porém, que 2020 vai reverberar no cinema por, pelo menos, uma década. O streaming fincou de uma vez por todas seu lugar no entretenimento e, cada vez mais, surge como opção de lançamento para produções médias - vide a estreia de Bill & Ted 3 na internet, confirmada pela Orion. E não será surpresa se Mulan, Novos Mutantes e outros filmes da Disney chegarem ao Disney+ ainda este ano, como aconteceu com Artemis Fowl.

A crise forçou a indústria que vive modelos antigos a procurar novas opções, e uma delas já está aprovada pelo público. O streaming não vai embora. Mas e o cinema? A morte dele em 2020 aponta para uma ressurreição lenta e complexa, sem horizonte. A única certeza é que ele não pode voltar a ser o mesmo de antes.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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