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2019 teve recorde de asteroides chegando perto da Terra, segundo dados da ESA

Patrícia Gnipper

Neste ano que está chegando ao fim, tivemos um recorde de asteroides detectados em regiões consideradas próximas da Terra — não próximas o suficiente para causar um impacto devastador, mas a proximidade é o bastante para que tais objetos tenham sido incluídos nas listas de potencial risco ao nosso planeta.

E como o ano ainda não acabou, ameaças vindas do espaço continuam surgindo: no dia 20 de dezembro, por exemplo, o objeto (216258) 2006 WH1 com seus 300 metros de largura passará perto de nosso planeta e, no dia 26, o asteroide (310442) 2000 CH59 de 400 metros de largura fará o mesmo. Mas, de acordo com o Near-Earth Object Coordination Centre, da ESA (a agência espacial europeia), não há motivo para pânico, pois ambos passarão a uma distância equivalente a pelo menos 15 vezes a distância entre a Terra e a Lua.

Ainda assim, vale o alerta de que o ano de 2019 foi recordista na detecção de objetos espaciais chegando perto da Terra. Na primeira semana de novembro, por exemplo, cinco objetos de 10 metros de largura e um outro com dois metros ficaram a meia distância lunar da Terra, sendo que, no mês anterior, um outro asteroide de dois metros de diâmetro passou a 6.200 km da superfície de nosso planeta. E vale o alerta, pois, segundo a ESA, desde o início dos registros desses objetos, apenas 14 deles chegaram tão perto de nós, sendo que quatro realmente acabaram entrando na atmosfera — ainda que tenham apenas causado a queda de meteoritos no chão sem representar um perigo de verdade.

E outros objetos espaciais potencialmente perigosos foram descobertos em 2019 representando algum risco à Terra do futuro. É o caso do 2019 WW4, incluído na lista de risco de objetos próximos mantida pela agência espacial europeia — com 400 metros de diâmetro, o asteroide tem chances de nos atingir em 2055, ainda que, segundo a ESA, essa possibilidade seja "muito baixa".

A agência espacial diz, ainda, que em 2019 os observadores do céu noturno encontraram o maior número de novos objetos já registrados: 2.144 desde o primeiro dia do ano, sendo que, deste total, 175 foram descobertos apenas no mês de novembro. E esse número certamente continuará aumentando nesta reta final de 2019.

No momento, a ESA tem anotados em sua lista 21.429 asteroides e 108 cometas que estão próximos o suficiente de nosso planeta para serem classificados como potencialmente perigosos, ainda que a maioria deles esteja marcado como de baixíssimo risco. Deste total, "só" 982 constam na lista de alto risco, representando perigo de nos atingir em algum momento do futuro, ainda que bastante distante.

Rússia tem seu próprio plano de monitorar asteroides perigosos

Além da ESA monitorando esses objetos potencialmente perigosos, a NASA é outra agência que tem equipes dedicadas à mesma tarefa. Mas a Rússia não quer ficar para trás: sua agência espacial Roscosmos está criando um centro dedicado ao monitoramento de asteroides e cometas para garantir que nenhum deles se choque contra a Terra — mesmo que, para isso, seja preciso explodi-los no espaço.

O país está lançando o Russian Center for Small Celestial Bodies (Centro Russo para Pequenos Corpos Celestes, em tradução literal), cuja principal tarefa é justamente detectar e rastrear corpos celestes que se aproximem da Terra. De acordo com a agência de notícias UrduPoint, a Rússia deverá inaugurar o centro em meados de 2020, devendo operar nos mesmos moldes até 2030.

Além disso, o país também tem planos de instalar uma série de telescópios na Lua para rastrear rochas espaciais potencialmente perigosas com ainda mais afinco, e o novo centro deverá ter papel importante preparando o terreno para esta futura empreitada. A Rússia também vem estudando maneiras de destruir ou redirecionar objetos espaciais que estejam em rota de colisão com a Terra — mas muita pesquisa ainda deve ser feita antes que essa ideia seja concretizada.

Vale lembrar que a NASA e a ESA têm missões planejadas para a próxima década com objetivo similar, ambas rumo ao asteroide Didymos e sua lua Didymoon. A NASA enviará em 2022 a missão DART com o intuito de a nave colidir contra a lua Didymoon e, assim, alterar sua trajetória, enquanto a ESA enviará em 2026 a missão Hera ao mesmo sistema binário para mapear a superfície impactada e, assim, verificar o sucesso (ou o fracasso) da empreitada.

O asteroide Didymos tem cerca de 800 metros de diâmetro, enquanto a lua Didymoon tem 170 metros, ambos a 11 milhões de quilômetros da Terra. A nave da NASA baterá contra Didymoon a uma velocidade aproximada de 6 quilômetros por segundo, e uma câmera a bordo registrará tudo o que acontecer. Espera-se que a colisão altere a órbita do satélite natural de Didymos ligeiramente, algo suficiente para verificar se é mesmo possível mudar a trajetória de objetos espaciais por meio de colisões do tipo.

Fonte: Canaltech

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