Mercado abrirá em 6 h 59 min

10 inovações que vão transformar a medicina na próxima década

Fidel Forato

Ainda não chegou o tempo da ciência prever o futuro, mas cada vez mais as novas invenções e descobertas desta área trazem modificações, aparentemente, irreversíveis na vida das pessoas. Ou alguém é capaz de se imaginar, hoje, sem um smartphone, conectado à internet e marcando seus passos, no bolso? Bom, é possível que na próxima década, isso seja absolutamente possível, quando formos capazes de nos conectarmos por um simples pensamento.

Um dia os termômetros, de uso pessoal, já foram também itens exclusivamente médicos e usados apenas em ambientes hospitalares. Já a aposta é que essa portabilidade chegue, agora, para os parelhos de ultrassom, em versão de bolso, que devem custar cerca de 50 vezes menos que as atuais máquinas hospitalares. E eles também se conectarão diretamente à internet.

Quantas revoluções mais aguardam para serem iniciadas na nova década, principalmente na área médica e da saúde? Seja bem-vindo aos novos anos 20, muito mais high-tech do que se poderia um dia imaginar.

Confira, a seguir, 10 invenções que devem ao menos atualizar os conceitos da saúde pública, selecionadas pela TIME:

A IA deve transformar tanto o cruzamento de informações quanto os diagnósticos médicos 

IA para ler milhões de artigos científicos

Todos os anos, mais de 2 milhões de artigos e pesquisas científicas são publicados, o que é uma quantidade humanamente impossível de ser acompanhada. Essa limitação gera inúmeras perdas e a necessidade de trabalhos redobrados, pela falta de troca de conhecimentos. Máquinas, no entanto, não compartilham da limitação humana. A ideia é que algoritmos vasculhem esses documentos de pesquisa, resultados de ensaios clínicos e outras fontes de informação biomédicas em busca de relacionamentos anteriormente esquecidos entre genes, medicamentos e doenças, como a empresa BenevolentAI propõe.

Ultrassom de bolso 

Existem mais de 4 bilhões de pessoas em todo o mundo que não têm acesso a imagens médicas e, com certeza, se beneficiariam de um dispositivo de ultrassom portátil. Cientistas de Yale já descobriram como incluir em um chip esta tecnologia. Isso significa que ao invés de uma máquina de US$ 100.000 em um hospital, um gadget de US$ 2.000 (salgado, sim, mas como em todo início de tecnologia "portátil" nesse nicho, o preço tende a baixar com a popularização) será capaz de realizar procedimentos mais simples em casa. Inclusive, uma de suas versões já foi distribuída pela Fundação Gates em 53 países periféricos.

Inteligência artificial para o diagnóstico de câncer

Os sintomas do câncer de pulmão geralmente não aparecem até os estágios mais avançados, quando o tratamento é muito mais difícil. Por isso, a triagem precoce em grupos de risco com tomografias computadorizadas podem reduzir seus danos, mas o procedimento tem altas chances de darem falso positivo.

Em busca de uma solução, equipes do Google Health construíram um sistema com IA que já foi treinado com mais de 45.000 exames de tomografia computadorizada e detectou 5% mais casos de câncer. Além disso, teve 11% menos falsos positivos do que um grupo controle com seis radiologistas humanos. Ainda em fase de aprimoramento, a tecnologia deve chegar nos próximos anos.

Milhões de pessoas terão seu genoma identificado em bancos biológicos cada vez maiores

Bancos biológicos mais diversificados 

Para contornar uma limitação importante que ameaça atrapalhar a era da medicina personalizada, bancos biológicos globais devem ser criados com mais diversidade, ampliando suas potencialidades em estudos. Atualmente, as pessoas de descendência caucasiana são uma minoria na população global, mas compõem quase 80% dos indivíduos nas pesquisas do genoma humano, criando pontos cegos na pesquisa de drogas, por exemplo. Para mudar esse cenário, iniciativas como a 54gene devem transformar esses bancos, priorizando etnias africanas.

Corações digitais em 3D

Os órgãos impressos em 3D são uma grande aposta da ciência, mas ainda são uma realidade distante dos transplantes, tão necessários para pessoas. Mais próximos da nova década, estão os modelos em 3D para o estudo de pacientes, que permite aos médicos entender os melhores métodos da cirurgia. Exemplo disso é a empresa HeartFlow, que escaneia corações e desenvolve protótipos personalizados para estudos clínicos. Antes de entrarem na sala de cirurgia, o médico saberá exatamente o que irá encontrar.

Suprimentos entregues por drones

As entregas autônomas de suprimentos médicos, desde remédios a bolsas de sangue e órgãos, já começaram nesta década, mas serão, com certeza uma realidade comum na próxima. Mais velozes e capazes de acessar regiões de difícil acesso, devem revolucionar a saúde, principalmente, em áreas mais pobres do mundo, ao lado da telemedicina, como em Gana e Ruanda, ambos países da África. Lugares onde drones, operados pela startup Zipline, do Vale do Silício, testam entregas em aldeias rurais.

As informações serão muito mais conectadas, facilitando o estudo de dados da saúde humana

Big Data turbinado

Existem 7,5 bilhões de seres humanos no planeta. Hoje, dezenas de milhões já monitoram sua saúde diariamente com os wearables, como smartwatches, e até dispositivos mais tradicionais, como monitores de pressão arterial. A ideia é agregar todos esses dados, de maneira anônima, mas pesquisáveis. Isso daria aos cientistas e médicos uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento de medicamentos, estudos de estilo de vida e muito mais. Para essa história, a Evidation, com sede na Califórnia, coleta informações de 3 milhões de voluntários através de trilhões de pontos sensíveis.

Tratamento do diabetes com células-tronco

O diabetes tipo 1 afeta cerca de 1,25 milhão de americanos. São milhões de pacientes que passam uma vida em tratamento, cuidando da alimentação, com injeções de insulina e vários testes diários de glicose no sangue. Para isso, cientistas de Harvard investigam como usar células-tronco para a criação de células de reposição que produzem insulina e auto-regulem o organismo do paciente. A ideia do tratamento experimental é aumentar a qualidade de vida dos diabéticos.

Pulseira que lê mentes

Com protótipos sendo desenvolvidos um após o outro desde 2015, finalmente a tecnologia de leitura de mentes deve chegar ao público. Repleta de eletrodos, as pulseiras CTRL-Labs criam interfaces cérebro-máquina, que são dispositivos capazes de traduzir a atividade mental em ação digital, ou seja, será possível digitar sem teclar. A ferramenta pode ter inúmeras aplicações, inclusive, aumentar a autonomia de pessoas com mobilidade reduzida.

Walmartização da saúde

Isso é de fato uma realidade. A entrada de um dos maiores varejistas do mundo na área média, o Walmart, é capaz de abalar completamente as estruturas do setor. Em setembro deste ano, a empresa abriu seu primeiro Health Center, um centro médico onde os clientes realizam testes de visão, exames de raio-X e eletrocardiogramas, por exemplo, na hora e a preços muito mais baixos. Além disso, outras gigantes da tecnologia começaram a investir pesado no setor, como o Google, a Apple e a Amazon, mas ninguém sabe ainda para qual caminho essas companhias levarão a saúde.


Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: