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10 filmes trash que você precisa assistir

Laísa Trojaike
·10 minuto de leitura

O trash, embora encontre muitos dos seus principais títulos no terror, não é exatamente um subgênero deste. O trash tem mais a ver com as condições em que o filme foi gravado, com baixo orçamento e trabalhos péssimos em qualquer dos departamentos, um conjunto que resulta em um filme com uma estética bastante específica. Anos de produções péssimas que acabaram cultuadas pela falta de qualidade técnica, geraram um estilo e muitos grandes diretores acabaram se apropriando dessas características às vezes acidentais do trash para criar filmes excelentes que são propositalmente o melhor do pior e, pela intenção de ser ruim, são verdadeiras obras-primas.

A lista abaixo traz ambos os tipos de trash: os acidentais e os propositais. Os do primeiro tipo costumam ser produções repletas de boas intenções executadas com baixíssimo orçamento e talentos questionáveis, enquanto os do segundo tipo são obras de admiradores do mau gosto, diretores que entendem a essência cômica de um bom trash e reproduzem suas características como amostra da sua virtuose.

O filme trash, embora possa ser visto como qualquer outro filme, geralmente ganha o coração do espectador que está preparado para o pior, ou seja, aquela pessoa que estiver disposta a se deixar cativar pelo erro, pelo feio, pelo mal feito e pelo absurdo, ou por uma combinação desses fatores. Vale lembrar que o trash é o que é pelo erro ou pela homenagem à forma. O simples exagero, embora possa parecer trash, está mais ligado a uma outra categoria, o exploitation. Para quem ficou interessado, vale a pena a pesquisa para entender mais a fundo as características e diferenças dos gêneros.

10. Re-Animator: A Hora dos Mortos-Vivos

Vinte e quatro galões de sangue falso. Uma adaptação risível de um conto do mestre do horror H.P. Lovecraft. Um reagente verde-limão clássico. A atuação iconicamente caricata de Jeffrey Combs. Esses são apenas alguns dos elementos de Re-Animator, um dos maiores clássicos trash de todos os tempos.

A cereja do bolo? David Gale como Dr. Carl Hill, sobretudo na sua versão cabeça-falante. Os efeitos e os animatrônicos não são dos piores, mas o conjunto de atuação e… todo o resto é tão cômico que o mórbido virou trash. Apesar de ruim e sem um mínimo do espírito lovecraftiano, Re-Animator é bastante empolgante e nos faz amar um maníaco, não demorando muito para ficarmos querendo ver todas as possibilidades de experimentos que Herbert West (Jeffrey Combs) poderia fazer, afinal, quando mais sangue e bizarrice, melhor.

9. O Ataque dos Tomates Assassinos

O título é um grande spoiler do principal motivo pelo qual esse filme merece a nossa atenção: são tomates. Sim, tomates. Gigantes. Assassinos. Imagine-se, caminhando na rua e, quando menos espera, um tomate gigante aparece querendo matar você. Claro que é satírico e a intenção não era causar um medo real de tomates gigantes assassinos, o que por si só é cômico.

Para além do tema, O Ataque dos Tomates Assassinos é tão, mas tão ruim, que o trailer da sequência, A Volta dos Tomates Assassinos, alega ser um filme melhor porque é impossível ser pior que o original. Com uma equipe muito inexperiente, atores péssimos (que algumas vezes são familiares de membros da equipe) e o curtíssimo orçamento de US$ 90 mil, O Ataque dos Tomates Assassinos é a vitória do fracasso.

Baseado em um curta homônimo, O Ataque dos Tomates Assassinos conseguiu ganhar tantos fãs que seu legado se multiplicou. Além da sequência citada, existe também Os Tomates Assassinos Atacam Novamente, Os Tomates Assassinos Atacam a França e a série animada Attack of the Killer Tomatoes.

8. Rubber, O Pneu Assassino

Eis um trash contemporâneo profissional. Esse é dos filmes que homenageiam o estilo através do absurdo conceito de um pneu com poderes psíquicos mortais. Quase um slasher, só que protagonizado por um pneu, portanto, trash, já que a comicidade vem do mau-gosto e não das piadas.

Atores propositalmente ruins e um roteiro estúpido, mas com muita dignidade, nos conduzem pela trajetória de auto-descobrimento do pneu. Há ainda a exploração (comum, porém controversa) das figuras femininas, sendo uma delas a obsessão do pneu. Rubber, O Pneu Assassino é um filme que entende que não é preciso inventar a roda, mas sim fazer o bom uso do que há de pior-melhor naquilo que foi feito pelos que vieram antes de nós. Se os tomates assassinos levam ao extremo o conceito de animais gigantes atacando os humanos (tema bastante popular em alguns momentos do cinema), Rubber extremiza ainda mais dando vida a algo menos vivo que um tomate, afinal, nada há de orgânico em um pneu.

7. Palhaços Assassinos do Espaço Sideral

Não basta serem palhaços. Eles precisam vir do espaço sideral, matar humanos e usar armas que atiram pipoca. Muito fofo, certo? Errado. Os palhaços são tão bizarros que são quase assustadores até para quem não tem medo desses personagens.

A concepção das criaturas é tão horrorosa que até tangencia o terror. Acontece que todo o resto não contribui: de um lado a falsidade das atuações, do outro as limitações do traje, já que, apesar de o conceito ser interessante, as movimentações dos atores são absolutamente prejudicadas, forçando os personagens a movimentações dignas de um animador de festa infantil desanimado.

Acabou que o filme, pela ideia bizarra de aliens que parecem palhaços, pelo baixo orçamento e por tudo que deu errado nas gravações, acabou se tornando um clássico trash inesquecível e tão cultuado que tem até seus personagens em versão Funko.

6. Sharknado

Se os trajes baratos, as maquiagens e animatrônicos eram os principais catalisadores de trashs no passado, hoje esse trabalho é do CGI ruim. Diferente de um filme datado ou que apresenta algumas falhas técnicas na hora de unir realidade e as imagens geradas por computador, os trashs contemporâneos são fruto de um péssimo trabalho, geralmente porque é necessário pagar por um profissional mais barato.

Uma cidade sendo atacada por tubarões que vieram voando em um tornado até poderia ser algo bem tenso, mas Sharknado não tem interesse em ser um horror de verdade. Tudo é propositalmente ruim e este é provavelmente o maior clássico contemporâneo do trash, tão famoso que até mesmo pessoas que não são atentas a esse nicho conhecem a fama de Sharknado.

E não tem só um! O sucesso foi tão grande que o filme já ganhou várias sequências: Sharknado 2: A Segunda Onda (2014), Sharknado 3: Oh, Não! (2015), Sharknado - Corra para o Quarto (2016), Sharknado 5: Voracidade Global (2017) e O Último Sharknado: Já Estava na Hora (2018).

5. Planeta Terror

Robert Rodriguez é como um Quentin Tarantino do trash e a comparação é ainda mais válida se lembrarmos que os dois fizeram Grindhouse juntos. E Planeta Terror é justamente desse projeto, que deu origem também a Machete, a franquia de ação trash de Rodriguez. Ou seja, nota-se que é um cineasta que consome e homenageia essa subcultura.

Em Planeta Terror nada (ou quase nada) é acidental e o que há de absurdo e “ruim” está ali justamente para cumprir esse papel. Pense bem: é um filme cujo pôster tem uma mulher com uma arma no lugar da perna, além de um elenco com participação de Josh Brolin, Bruce Willis e Fergie. O elemento terror escolhido foi zumbi, então se prepare para muita ação, drama, sangue e nojinho.

4. Mar Negro

Vai ter brasileiro na lista, sim! O cinema nacional sofre bastante para conseguir chegar ao seu próprio público e o horror tem ainda menos espaço em um cenário dominado por comédias mais populares e eventuais produções com repercussão internacional. E, não, Mar Negro não é um filme do Zé do Caixão.

Rodrigo Aragão iniciou sua filmografia com Mangue Negro, o primeiro de uma trilogia encerrada por Mar Negro, e a escolha pelo último para colocar nesta lista foi arbitrária e baseada em memórias afetivas, isso porque todos os filmes do Aragão mereciam estar nesta lista, já que este é um diretor que não só compreende a essência do trash, mas reproduz isso com paixão e a partir de uma cultura que é nossa.

Um dos pontos mais fortes de Mar Negro é a maquiagem sempre impecável e, por vezes, realmente assustadora. Além disso, Rodrigo Aragão domina os truques dos filmes de baixo orçamento, o que torna a sua direção ainda melhor. Agora adicione litros de sangue, um vilarejo de pescadores, uma mensagem ecológica a la Ed Wood e terá uma pequena noção do que lhe espera.

3. Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio

Evil Dead, como é mais comumente chamado Uma Noite Alucinante, é a bíblia dos filmes trash. Pode parecer difícil entender como um filme tão ruim é tão cultuado, mas esse questionamento só indica que você não prestou a atenção na verdadeira genialidade do filme: os truques. Cada efeito que você põe em uma história é um trabalho a mais a ser cumprido. Fazer um body horror (gênero focado em criar terror a partir da flagelação do corpo humano) com baixo orçamento não é pouco difícil, mas Sam Raimi consegue criar tantas coisas incríveis ao mesmo tempo que o terrir virou cult.

Ash, o personagem de Bruce Campbell, ficou tão epicamente marcado no imaginário dos fãs que chegou a ganhar uma série solo décadas depois do filme original: Ash vs Evil Dead foi ao ar entre 2015 e 2018. Hoje o filme parece pior do que era nos anos 1980, mas ainda guarda uma gama enorme de truques para quem quer se aventurar no cinema, mas não tem dinheiro. A solução é simples, mas não é fácil: criatividade.

2. Plano 9 do Espaço Sideral

Claro que não faltaria um Ed Wood e esta lista trouxe o clássico mais conhecido do chamado pior cineasta de todos os tempos. Cheio de boas intenções, Ed Wood era capaz de transformar o ruim em pior e ainda conseguiu colocar ninguém menos do que Bela Lugosi na produção (para mais informações meio-ficcionais sobre Ed Wood, basta assistir à biografia feita por Tim Burton).

Ed Wood ficou tão marcado como péssimo cineasta que se tornou cult e é conhecimento indispensável na cultura pop. A presença de Maila Nurmi é outro dos pontos altos, já que a sua Vampira é tão ou mais popularizada que o próprio Ed Wood, sem contar que é a pitada gótica que o filme precisava para ser perfeito.

1. Pink Flamingos

Imagine um filme que foi pensado para ser o pior. Não um ruim acidental, mas o erro proposital, estudado. Material de filmagem, qualidade de som, personagens, roteiro, direção, todos os departamentos deram o seu pior. O resultado, claro, é uma obra-prima do mau gosto.

Musa de John Waters, é a imagem de Divine em Pink Flamingos que ficou marcada na cultura. Os personagens levam a sério a disputa para saber quem é a pessoa mais imunda do planeta. E um alerta: prepare o estômago, porque tem até coprofagia.

Bônus: The Room

Considerado por muitos o pior filme da história do cinema, The Room foi uma verdadeira comédia involuntária. A história dessa pérola é contada em O Artista do Desastre, com James Franco arrasando ao interpretar o protagonista e criador de The Room.

Vai ter mais um bônus sim!

Já pensou que A Saga Crepúsculo - Amanhecer - Parte 2 pode ser um trash só por causa da Renesmee (e outras muitas coisas também)? E você sabia que poderia ter sido pior? Não? Então você precisa conhecer Chuckesmee, a boneca assombrada de Crepúsculo.

Fonte: Canaltech

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