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10 eventos naturais que causam mudanças climáticas na Terra

Natalie Rosa
·10 minuto de leitura

Que o mundo está em constante mudança e a uma velocidade maior do que desejamos, já não é novidade, pois o nosso planeta Terra vem sofrendo as consequências das mudanças climáticas provocadas por nós mesmos. Porém, antes ainda de pisarmos por aqui, situações parecidas e ainda mais desastrosas aconteceram, e isso traz a questão: somos 100% responsáveis pelo rápido aquecimento do planeta?

Parte desse futuro ameaçador vem acontecendo porque há uma conexão clara entre as emissões de dióxido de carbono, originado pela atividade humana, e parte pelo aumento de 1,28°C desde a época pré-industrial — número que continua crescendo. Por essas moléculas de dióxido de carbono absorverem a radiação infravermelha, quanto mais delas estiverem na atmosfera, mais calor será irradiado da superfície do planeta para baixo.

Mas, como antecipamos no início deste texto, mudanças climáticas já aconteceram muito antes de os humanos existirem e causarem ainda mais dano ao planeta. Que mudanças seriam essas? Confira abaixo uma lista com 10 eventos naturais que também causam variações climáticas.

<em>(Imagem: Reprodução/Pixabay)</em>
(Imagem: Reprodução/Pixabay)

1. Ciclos solares

O Sol passa por um novo ciclo de atividade a cada 11 anos. O que é mais significante nessa história é algo chamado "mínimo solar", que consiste em décadas de longo períodos de atividade solar reduzida, o que aconteceu 25 vezes nos últimos 11 mil anos.

Um exemplo desse fenômemo aconteceu entre os anos de 1645 e 1715, período chamado de Mínimo de Maunder, quando a energia solar caiu entre 0,04% a 0,08%. Os cientistas acreditavam que isso pode ter causado uma pequena era glacial, com muito frio entre os séculos 15 a 19. Porém, recentemente foi concluído que o acontecido não foi tão relevante por ter acontecido em um período "errado", o que não justifica o resfriamento, e que provavelmente está mais relacionado à atividade vulcânica.

O aquecimento global, portanto, não pode responsabilizar o Sol, pois a sua diminuição nos últimos 500 anos, enquanto a Terra se aquecia, foi insignificante.

2. Enxofre vulcânico

<em>Erupção no Monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991 (Imagem: Reprodução/David H. Harlow/U.S.Geological Survey)</em>
Erupção no Monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991 (Imagem: Reprodução/David H. Harlow/U.S.Geological Survey)

O vulcão Ilopango, localizado em El Salvador, entrou em uma violenta erupção entre os anos de 539 e 540 A.C., liberando a sua pluma na atmosfera. Como resultado, o planeta inteiro enfrentou frio, seca, fome e peste. A estratosfera ficou repleta de gotículas reflexivas de ácido sulfúrico que filtram a luz do sol, tornando o clima mais gelado.

Isso pode resultar em uma maior quantidade de gelo no mar, o que acaba refletindo a luz de volta ao espaço, provocando um resfriamento global ainda maior e mais prolongado. O vulcão causou a queda de cerca de 2°C durante 20 anos.

Bem mais recente, outro caso parecido aconteceu nas Filipinas, em 1991, quando a erupção do Pinatubo resfriou o clima global em 0,6°C por 15 meses. Então, o enxofre vulcânico na estratosfera pode até ser devastador, mas na história do planeta ele foi pequeno e temporário.

3. Flutuação climática a longo prazo

Não são apenas os padrões climáticos sazonais que afetam a chuva e a temperatura, como também alguns ciclos de curto prazo, como o El Niño, por exemplo, o que envolve mudanças de circulação do Oceano Pacífico. Também existem as alterações causadas pela Oscilação do Atlântico Norte e Dipolo do Oceano Índico, que interagem com o El Niño.

As interconexões entre esses ciclos costumava dificultar a demonstração de como as mudanças climáticas causadas pelo ser humano eras significantes, com base em estatísticas, e não apenas uma alteração natural. Porém, em 2017, a National Climate Assessment, iniciativa norte-americana de pesquisas climáticas, concluiu não haver evidências convincentes de que ciclos naturais sejam a causa de explicar as alterações no clima.

4. Variação orbital

<em>Exemplo de variação da forma da órbita da Terra (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)</em>
Exemplo de variação da forma da órbita da Terra (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Quando o Sol, a Lua ou planetas mudam a sua posição, a órbita da Terra acaba oscilando ciclicamente. Também conhecidas como ciclo de Milankovitch, essas oscilações acabam fazendo com que a quantidade de luz solar varie, em latitudes médias, em até 25%, trazendo mudanças climáticas.

Como consequência, essas alterações acabam produzindo camadas alternadas de sedimentos que podem ser vistos em penhascos e estradas. Há aproximadamente 11.700 anos, durante a era geológica Pleistoceno, a variação orbital fez com que a Terra entrasse e saísse de eras glaciais.

Quando a órbita do planeta transformou os verões do norte mais aquecidos que a média, gelos da América do Norte, Europa e Ásia derreteram. Já quando a órbita da Terra resfriou os verões do norte, as camadas de gelo voltaram a crescer.

Os oceanos mais quentes dissolvem menos dióxido de carbono e, com isso, os níveis do componente na atmosfera aumentavam e diminuíam conforme a órbita da Terra alterava, tornando os efeitos mais potentes. Atualmente, nosso planeta está se aproximando do mínimo de luz solar no norte, e sem as emissões de dióxido de carbono emitida pelos humanos estaríamos entrando em uma nova era glacial nos próximos 1.500 anos.

5. Paradoxo do jovem Sol fraco

Mesmo que o brilho do Sol flutue em escalas mais curtas de tempo, ele vem brilhando em até 48% desde o início do sistema solar, que aconteceu há 4,5 bilhões de anos. Segundo os cientistas, esse fenômeno explicava a Terra ter ficado congelada durante a primeira metade dessa existência.

Porém, geologistas já encontraram rochas formadas em ondas de mar agitado datadas em 3,4 bilhões de anos. Esse aquecimento precoce do planeta pode ser explicado pela combinação de menos erosão do solo, céus mais claros, dias mais curtos e uma composição atmosférica peculiar, antes mesmo de a Terra ser rica em oxigênio.

6. Dióxido de carbono e termostato de meteorização

O dióxido de carbono na atmosfera vem sendo o principal "botão" de controle do clima da Terra, visto que o composto químico é responsável por emitir gases de efeito estufa duradouros que bloqueiam o calor que tenta deixar o planeta.

Enquanto vulcões, rochas metamórficas e a oxidação de carbono em sedimentos erodidos emitem o dióxido de carbono na atmosfera, reações químicas com minerais silicatos tentam remover o composto e o enterrar como calcário.

O balanço que está presente nesses processos funciona como uma espécie de termostato, pois quando o clima fica mais aquecido as reações químicas se tornam mais eficientes na remoção do dióxido de carbono na atmosfera, como se desse uma pausa no aquecimento. Já quando o clima esfria, as reações acabam sendo menos eficientes, facilitando o resfriamento.

A longo prazo, como consequência, a temperatura da Terra se mantém relativamente estável e cria um ambiente a cada vez mais habitável. O termostato do clima, no entanto, leva milhões de anos para reagir às mudanças provocadas na atmosfera pelo dióxido de carbono.

Os oceanos podem até agir de forma mais rápida para a absorção e remoção do excesso de carbono, mas mesmo assim levaria milênios para acontecer e os mares poderiam ficar acidificados. Todos os anos, a queima de combustíveis fósseis emite cerca de 100 vezes mais dióxido de carbono que os vulcões, sendo em uma alta quantidade e velocidade para que os oceanos possam neutralizar. Então, como consequência, o clima está aquecendo a cada dia mais e os oceanos se acidificando.

<em>(Imagem: Reprodução/Angie Agostino/Pixabay)</em>
(Imagem: Reprodução/Angie Agostino/Pixabay)

7. Placas tectônicas

Em um geral, o nosso planeta vem resfriado nos últimos 50 milhões de anos, conforme as colisões de placas tectônicas movimentam rochas quimicamente reativas, como basalto e cinzas vulcânicas, em trópicos quentes e úmidos, aumentando as taxas de reações. Além disso, ao longo dos últimos 20 milhões de anos, a formação de montanhas como Himalaia, Andres e Alpes, por exemplo, mais do que dobraram a taxa de erosão, provocando aumento no clima.

Contribuiram ainda para a tendência de resfriamento o afastamento da América do Sul e da Tasmânia da Antártida há 35,7 milhões de anos, quando começou a aparecer uma nova corrente oceânica em torno da região. Essa corrente revigorou a circulação do oceano, consumindo o plâncton, e as camadas de gelo aumentaram substancialmente.

Anteriormente, no período Jurássico e Cretáceo, os dinossauros perambulavam pela Antártida porque a atividade vulcânica aprimorada sustentava os níveis de dióxido de carbono em cerca de 1.000 partes por milhão, comparados aos 415 da atualidade. Esta média de temperatura, de um mundo sem gelo, era de 5 °C a 9°C mais aquecido do que agora, com o nível do mar a cerca de 90 metros mais alto.

8. Impacto de asteroides

De acordo com informações do The Earth Impact Database, base de dados científicos sobre o impacto de crateras na Terra, já foram confirmadas 190 crateras, mas apenas uma delas está relacionada a efeitos climáticos na Terra: o impactos de Chicxulux, que há 66 milhões de anos vaporizou parte do México e matou os dinossauros.

Informações de uma modelagem computacional sugerem que o impacto provocou o lançamento de poeira e enxofre na atmosfera superior, em quantidade suficiente para reduzir a luz do sol, resfriando a Terra em mais de 20°C e acidificando os oceanos.

Foram séculos de recuperação necessários para que o planeta retornasse à temperatura anterior, mas para aquecer somente 5°C devido à emissão de dióxido de carbono emitido na atmosfera pelo calcário vaporizado.

9. Alterações evolucionárias

A evolução de novos seres que habitam a Terra, ocasionalmente, redefiniram o termostato do planeta, como as cianobactérias fotossintéticas, que surgiram há cerca de três bilhões de anos durante o processo de terraformação do planeta com a emissão de oxigênio.

Com a proliferação do oxigênio na atmosfera, há 2,4 bilhões de anos, os níveis de metano e de dióxido de carbono despencaram e fez com que a Terra passasse por um período de climas chamado de "bola de neve" por cerca de 200 milhões de anos.

Um desses eventos, 717 milhões de anos atrás, aconteceu com a evolução de uma vida oceânica além dos micróbios, quando os organismos começaram a derramar detritos no oceano profundo e a exportar o carbono da atmosfera até o abismo e, consequentemente, o enterrando.

Após o Período Ordoviciano, há aproximadamente 230 milhões de anos, as plantas terrestres evoluíram e começaram a formar a biosfera terrestre, enterrando o carbono em continentes e extraindo nutrientes da terra, que chegaram até os oceanos e, provavelmente, também deram início à vida marinha.

Essas alterações podem ter desencadeado a era glacial, que teve início há cerca de 445 milhões de anos, e depois a evolução das árvores no Período Devoniano, que reduziu ainda mais as temperaturas e o dióxido de carbono. Esse acontecimento ainda colaborou com a formação de montanhas até o início da era glacial do Paleozóico.

10. Grandes províncias ígneas

Grande parte das extinções em massa na Terra aconteceram em alagações de lava e magma subterrâneo em grande escala, o que é chamado de grandes províncias ígneas. Esses eventos ainda provocaram uma alta quantidade de condições fatais, como chuva e neblina ácida, envenenamento por mercúrio e destruição da camada de ozônio, além do aquecimento do planeta que levou o dióxido de carbono à atmosfera de forma mais rápida.

Há 252 milhões de anos, no final do Período Permiano, 81% das espécies marinhas foram extintas quando o magma subterrâneo ativou o carvão da Sibéria e elevou o dióxido de carbono armosférico para 8,000 partes por milhão, aumentando ainda a temperatura entre 5°C a 9°C. Ao norte do Atlântico, há cerca de 56 milhões de anos, o evento Máximo térmico do Paleoceno-Eoceno "cozinhou" o metano em depósitos de óleo, o canalizando até o céu.

Esse acontecimento aqueceu a Terra em 5°C e acidificou o oceano, com o mesmo acontecendo ainda no final do Período Triássico e no início do Jurássico, resultando ainda em zonas de oceano mortas e aquecimento global.

Fonte: Canaltech

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