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Última semana teve mais mortes do que primeiros 72 dias de pandemia no Brasil

FLÁVIA FARIA E DIANA YUKARI
·3 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 04.03.2021 - Vítimas da Covid-19 são enterradas no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 04.03.2021 - Vítimas da Covid-19 são enterradas no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo. (Foto: Karime Xavier/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A semana passada somou mais mortes de brasileiros por Covid-19 do que os primeiros 72 dias de pandemia no país.

Do dia 1º de março ao último domingo (7), foram registrados 10.482 óbitos pelo coronavírus em todo o Brasil. É a maior marca para uma única semana até o momento. Em comparação, de 26 de fevereiro do ano passado, quando foi confirmado o primeiro caso no país, ao dia 8 de maio daquele ano houve 10.022 mortes.

Em nove estados, a semana passada foi a que mais teve óbitos decorrentes da Covid-19. São eles: Acre, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Todos eles estão com hospitais cheios e alta de casos.

Somente na capital paulista, 410 pessoas perderam a vida para a doença na semana que passou --em todo o estado, foram quase 2.000. Também houve recorde de internados nos hospitais de São Paulo.

Na Bahia, onde foi decretado toque de recolher à noite até o fim do mês, o governador Rui Costa (PT) chorou ao falar sobre as vítimas da Covid e pedir a colaboração da população às medidas para tentar barrar o avanço do vírus. Em Salvador, todo o comércio está fechado, e apenas serviços essenciais podem funcionar.

A capital baiana tem o maior número de internados em leitos de UTI desde o início da pandemia. Nesta segunda (8), são 546 pacientes, e a ocupação está em 85%, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde.

Santa Catarina, por sua vez, tem registrado média de 5.000 novos casos por dia, sem sinais de que o índice de contaminação possa desacelerar. Segundo a classificação feita pelo governo estadual, todas as 16 regiões do estado são consideradas de risco potencial gravíssimo, quando há alta de mortes, casos e do indicador conhecido como RT, que mede a transmissão.

Em seu pior momento em toda a pandemia, o Brasil vive um cenário de hospitais lotados, alta acelerada da contaminação, novas variantes do vírus e vacinação lenta.

De acordo com o monitor do jornal Folha de S.Paulo, que mede a aceleração da pandemia no país, 204 das 324 cidades com mais de 100 mil habitantes têm casos em alta ou com tendência de estabilidade, mas em patamar elevado.

Até o momento, o país vacinou cerca de 8 milhões de pessoas com a primeira dose, e quase 3 milhões delas receberam também a segunda dose.

Isso representa 4% dos adultos vacinados com a primeira dose e quase 2% com a segunda. O estado com mais vacinados proporcionalmente é o Amazonas, que recebeu doses extras em meio a sério colapso do sistema de saúde e vacinou 10% dos maiores de 18 anos.

Já países como Israel e Reino Unido investiram em campanhas de vacinação em massa. No primeiro, mais da metade da população já recebeu a primeira dose. O segundo soma 22 milhões de vacinados e prevê a volta das atividades normais, com relaxamento das medidas de restrição, para junho.

As vacinas disponíveis no Brasil são a Coronavac, do Butantan e da farmacêutica Sinovac, e a Covishield, imunizante da Fiocruz desenvolvido pela parceria entre a Universidade de Oxford e a AstraZeneca. A vacina da Pfizer tem o registro definitivo da Anvisa, mas ainda não está disponível no país.

Conforme publicou a Folha de S.Paulo, o governo federal recusou três ofertas da Pfizer para a compra de vacinas. Ao todo, foram oferecidas à administração federal cerca de 70 milhões de doses, sendo 3 milhões com entrega prevista até fevereiro. Nesta segunda, o governo anunciou a compra de 14 milhões de doses da vacina.