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Ômicron e incertezas empurram Bolsa para nova pior marca do ano

·3 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.08.2011 - Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 08.08.2011 - Painéis de indicadores econômicos na sede da Bolsa de Valores de SP. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O mercado de ações brasileiro voltou a cair após sinais que reforçam a expectativa de antecipação do aperto monetário nos Estados Unidos e com notícias sobre o avanço da variante ômicron do coronavírus pelo mundo. No cenário doméstico, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios caminha a passos lentos no Congresso, aumentando preocupações sobre o risco fiscal do país.

O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores do país, fechou nesta quarta-feira (1º) em queda de 1,12%, a 100.774 pontos e, assim como já tinha ocorrido na véspera, renovou o seu pior resultado desde 5 de novembro de 2020.

Refúgio de investidores em períodos de incerteza, o dólar subiu 0,60%, a R$ 5,6710.

A queda na Bolsa ocorreu após uma sessão promissora no início, com o Ibovespa atingindo uma alta de 2,13% às 12h12, quando alcançou a máxima 104.086 pontos.

A Bolsa tomou um viés de queda na tarde desta quarta após novas declarações do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Jerome Powell, reforçarem sinais de que a autoridade monetária dos Estados Unidos irá acelerar a retirada de estímulos econômicos para tentar frear a inflação.

Powell, em seu segundo dia de audiência no Congresso dos EUA, disse que a política monetária precisará se adaptar à possibilidade de a inflação não recuar no segundo semestre de 2022, conforme esperado.

"Quase todos os analistas esperam que a inflação caia significativamente no segundo semestre do próximo ano", disse Powell. "A questão é que não podemos agir como se tivéssemos certeza disso. Temos que usar nossa política [monetária] para abordar a gama de resultados plausíveis, não apenas o mais provável", afirmou.

"O Ibovespa perdeu força depois de novo discurso de Powell, na mesma linha da fala de terça-feira (30)", disse Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos.

Os principais índices de ações de Nova York também perderam força após a fala de Powell e foram de vez para o vermelho no final do pregão, com a divulgação pela imprensa da chegada do primeiro caso da nova variante do coronavírus ao país.

Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, destacou que a velocidade com que a variante ômicron avança está colocando os investidores em situação defensiva quanto à possibilidade de novos lockdowns pelo mundo.

Ribeiro replicou uma declaração que confirma o alto nível de incerteza que toma conta dos mercados feita por Johanna Kyrklund, head de alocação da gestora Schroders, que possui mais de US$ 970 bilhões (R$ 5,4 trilhões) em ativos sob gestão.

"Não acho que é hora de os investidores fugirem totalmente do risco. Mas as incertezas são grandes demais para que isso seja chamado de oportunidade de compra", afirmou Kyrklund.

Ativos ligados a alguns dos setores mais vulneráveis a medidas de restrição de circulação para combater a pandemia, como o varejo, figuraram entre as principais baixas da Bolsa brasileira nesta quarta.

Rodrigo Crespi, da Guide, ressaltou que a interrupção da alta do Ibovespa ocorreu, porém, ainda antes da piora do cenário internacional, diante das dificuldades de negociação para a aprovação no Senado da PEC dos Precatórios, com a notícia de que o governo ainda discute possíveis alterações no texto. "Isso deixou os investidores mais defensivos", afirmou.

O mercado financeiro avalia a PEC como alternativa para que o Orçamento de 2022 comporte o Auxílio Brasil, tornando o cenário fiscal para o próximo ano menos imprevisível.

O petróleo caiu 3,16% e chegou ao seu menor valor desde 20 de agosto. O barril do Brent fechou cotado a US$ 68,34 (R$ 383,81).

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