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Ômicron deixa prateleiras dos supermercados dos EUA quase vazias

·2 min de leitura
Prateleiras quase vazias em um supermercado em Bethesda, Maryland, em 13 de janeiro de 2022 (AFP/Delphine TOUITOU) (Delphine TOUITOU)

"Não é tão dramático como no domingo passado, mas ainda há muitas prateleiras vazias", lamenta Justin Toone, um cliente habitual de supermercados. A pandemia continua afetando as cadeias de abastecimento, e muitos supermercados nos Estados Unidos enfrentam escassez de produtos.

“Durante vários dias seguidos, não havia frutas ou legumes neste Giant (de Bethesda), nem nos outros supermercados do setor, Trader Joe's e Safeway”, diz Toone.

Em outras lojas, mel, ovos, leite e carne desapareceram das prateleiras. Em Washington e nos estados vizinhos Maryland e Virgínia, a neve exacerbou esse problema recorrente de escassez desde o início da pandemia de covid-19.

"Não há caminhoneiros suficientes e como eles estão sujeitos a regulamentações rígidas em relação às horas de trabalho e descanso, eles dizem 'vamos parar', bem, eles param e não nos abastecem", explica um funcionário do supermercado Giant em Bethesda que pediu para não ser identificado.

Quando a neve cai, é ainda pior.

No início da pandemia, por medo de desabastecimento, houve uma avalanche de demanda por alguns produtos como papel higiênico, o que gerou desabastecimento.

"Desta vez é diferente", disse o funcionário.

"A variante ômicron é tão contagiosa que tem um impacto quase simultâneo nos Estados Unidos", enfatiza Patrick Penfield, da Syracuse University.

Muitos funcionários da cadeia de produção de alimentos estão doentes ou em quarentena, interrompendo completamente a rede de suprimentos.

O fenômeno é generalizado em todo o país, mas é mais significativo em regiões que também enfrentam condições climáticas severas, como Washington.

E no caso de produtos frescos e facilmente perecíveis, é impossível armazená-los com muita antecedência, prevendo o mau tempo.

Daí as prateleiras completamente vazias de domingo, na sequência da neve que caiu durante a noite de quinta para sexta. Para o professor, a escassez de alimentos deve durar até o final de março.

Isso, "se tudo voltar ao normal e não houver nova variante", diz ele com cautela.

A Federação Nacional do Comércio (NGA), que reúne membros independentes do setor varejista alimentar, menciona ainda que a escassez de mão-de-obra continua “a nível nacional, pressionando indústrias essenciais como supermercados e alimentos industriais em geral”.

Em uma pesquisa recente com seus 1.500 associados, vários deles "relataram operar suas lojas com menos de 50% de sua capacidade normal de trabalho, por curtos períodos, no auge da onda" de contaminação.

Além disso, a federação alerta os consumidores que ainda devem esperar “interrupções esporádicas”, como acontece há um ano e meio.

Dt/jum/ag/lm/jc

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