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Ômicron: BA.2 já tem variações e estas parecem ser mais transmissíveis

·3 min de leitura

A Ômicron silenciosa, também conhecida como subvariante BA.2, é cepa do vírus da covid-19 predominante no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, os primeiros sinais de mudança do cenário epidemiológico começam a aparecer e a próxima cepa pode ser uma de suas variações, como a BA.2.12.1.

Até o momento, a subvariante BA.2 era considerada a versão mais bem-sucedida da Ômicron — e também das outras variantes já descobertas — em infectar as pessoas e causar reinfecções. No entanto, em seu processo de multiplicação viral, algumas mutações surgiram e originaram uma cepa que pode ser ainda mais transmissível, segundo dados preliminares dos Estados Unidos.

Mutações da subvariante da Ômicron BA.2 originam novas cepas da covid-19 (Imagem: Reprodução/IciakPhotos/envato)
Mutações da subvariante da Ômicron BA.2 originam novas cepas da covid-19 (Imagem: Reprodução/IciakPhotos/envato)

Casos da subvariante da Ômicron nos EUA

Nos EUA, a equipe de cientistas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) encontrou 21 descendentes virais associados à BA.2. Em geral, a maioria deles não acumula mutações benéficas, mas duas se destacam no cenário epidemiológico do estado de Nova York: a BA.2.12.1 e a BA.2.12. Aparentemente, a primeira tem se saído ainda melhor em infectar pessoas.

"A BA.2.12.1 aumentou rapidamente em proporção nos EUA em comparação com outras sublinhagens BA.2", especialmente em Nova York e Nova Jersey, explicou um porta-voz do CDC, Kristen Nordlund, para o canal CNN.

Alerta para a população

Diante do aumento de casos, o Departamento de Saúde do Estado de Nova York chegou a alertar a população de que sublinhagens estavam se espalhando cerca de 25% mais rápido que a BA.2. Inclusive, eram responsáveis por um aumento no número de hospitalizações da covid-19.

"A grande maioria das pessoas em Nova York foi vacinada, infectada ou [passou por] ambos [os cenários]. Então, o que estamos vendo são reinfecções. Estamos vendo essa evasão imunológica", explicou Daniel Griffin, médico e pesquisador da Universidade Columbia.

Novas mutações da BA.2

Entre as mutações das sublinhagens da BA.2, os pesquisadores destacam variações que foram observadas em proteínas de pico chamadas L452Q e S704L. Com a variante Delta ( B.1.671.2), os cientistas já observaram que a mutação em 452 pode favorecer a transmissão do coronavírus e, agora, analisam em qual grau isso também se repete com as novas cepas.

"Essas mutações estão permitindo que o vírus entre nas células mais rapidamente e também contribuindo para evitar respostas de anticorpos que são geradas a partir da vacinação ou da infecção", destaca Andy Pekosz, da Universidade Johns Hopkins. "O que não sabemos agora é o quanto essas mutações vão contribuir para o aumento da disseminação ou da gravidade da doença", completa.

E o Brasil?

Apesar do aumento de casos da BA.2 no mundo e das novas sublinhagens da cepa nos EUA, é preciso destacar que o cenário epidemiológico do Brasil é diferente. Até o momento, a BA.2 não conseguiu se estabelecer como predominante no país e, nos últimos relatórios do tipo, é possível visualizar o seu crescimento, mas ele ainda é baixo.

No dia 8 de abril, a Rede Genômica da Fiocruz detalhou que a BA.2 representa apenas 3,4% de todos os novos casos da covid sequenciados em março, o que equivale a 151 genomas confirmados. No mesmo mês, foram identificados 19,5 mil casos da BA.1 e outros 4,2 mil da BA.1.1.

Diferentes hipóteses podem explicar o porquê do baixo crescimento da subvariante, como o uso de vacinas com o vírus inativado (CoronaVac) ou com vetor viral (AstraZeneca/Oxford). Outro fator ainda é o alto número de pessoas que já foram infectadas. No entanto, nenhuma possibilidade foi confirmada até agora.

No cenário mundial, outras duas subvariantes da Ômicron, a BA.4 e a BA.5, começaram a circular e já estão sendo acompanhadas pelos cientistas. Por enquanto, foram identificadas na África do Sul, Botsuana, Alemanha e Dinamarca. Novamente, será necessário aguardar para avaliar o real impacto delas para a saúde pública.

Fonte: Canaltech

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