Órgão internacional não confirma vaca louca no Brasil

Dois anos após a morte de uma vaca de 13 anos dentro da propriedade de uma pequena produtora de Sertanópolis, no norte do Paraná, e uma série de exames de laboratórios nacionais e estrangeiros, a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) informou o governo federal na tarde desta quinta-feira (6) que o Brasil não possui caso alguma da doença conhecida como "vaca louca" e que será mantida a classificação sanitária do Brasil como de risco insignificante.

Havia a suspeita de que a causa da morte do animal em 2010 tivesse sido a doença, mas, mesmo com a presença do agente em seu corpo, não foi essa a sua "causa mortis". A OIE classificou o episódio como um caso "não clássico" da doença.

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira, em Curitiba (PR), o secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara disse que, mesmo com o suspense provocado enquanto se aguardava o resultado dos exames, não houve impacto comercial no Estado ou no País. "O resultado significa um alívio, já que vínhamos acompanhando com muita expectativa o desenrolar deste fato, um animal com amostras colhidas em dezembro de 2010 e que hoje o Ministério da Agricultura nos informa que se trata de um caso não clássico de vaca louca, um caso único, decorrente de uma mutação priônica. Não temos nenhum problema sanitário. Cabe dizer ao mercado, aos produtores, à indústria, que o Brasil pode continuar trabalhando com tranquilidade".

Entre as justificativas apresentadas pelo Ministério da Agricultura para o caso, está o fato de que o animal morreu em 24 horas e que ele não apresentava lesões histopatológicas sugestivas. "Essas indicações não correspondem com um quadro degenerativo e crônico característico desta doença; que tem uma convalescença do animal de várias semanas até meses, e de sintomas bastante evidentes", diz a nota oficial do Ministério.

O caso teve início em dezembro de 2010 quando uma pequena produtora de Sertanópolis, cujo nome não foi divulgado, informou a morte de um animal ao órgão de defesa sanitária por raiva bovina. A defesa sanitária, porém, avaliou que não era esse o problema. Foi então tirado o cérebro do animal e iniciada uma série de exames - quatro -, que dava resultado negativo para a raiva. Por fim, a amostra foi encaminhada para o Animal Health and Veterinary Laboratories Agencies, do Reino Unido. "O exame mostra que o animal não teve a enfermidade, foi uma morte súbita, um caso raro. A doença da vaca louca provoca outra forma de morte. Esse animal morreu por outra causa, assim como morrem milhares de bovinos em todos os planteis", finalizou.

O Paraná exportou no ano passado 13.576 toneladas de carne bovina, equivalente a US$ 52,5 milhões e atualmente ocupa a nona colocação na produção dentro do país.

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