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Órgão dos EUA classifica Huawei e ZTE como “ameaças à segurança nacional”

Rubens Eishima

A Comissão Federal de Telecomunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) declarou que as empresas chinesas Huawei e ZTE constituem uma "ameaça à segurança nacional" do país. A decisão do órgão – equivalente à Anatel no Brasil – na prática restringe a venda e uso de equipamentos de telecomunicações das empresas pelas operadoras nos EUA.

O efeito mais direto da declaração é impedir que empresas norte-americanas usem subsídios do governo para a compra dos equipamentos das chinesas. Como consequência disso, tanto a Huawei quanto a ZTE estão descartadas do processo de implantação de redes de telefonia nos Estados Unidos, não apenas para a nova estrutura 5G das grandes operadoras, mas também para os serviços rurais oferecidos por uma série de empresas no país.

Presidente da FCC, Ajit Pai publicou em sua conta no Twitter que as empresas estão excluídas do fundo de US$ 8,3 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões) para o fornecimento de equipamentos e serviços às operadoras de telecomunicações nos Estados Unidos.


Pai afirmou, sem apresentar provas, que a Huawei e a ZTE têm uma relação próxima com o Partido Comunista Chinês e com o aparato militar do país. Ele insinuou ainda que o governo de Pequim teria a capacidade de explorar vulnerabilidades em equipamentos de telecomunicações vendidos pelas empresas.

Escandinavas Nokia e Ericsson são as principais beneficiadas pela declaração dos EUA (imagem: Huawei/reprodução)

O outro lado

As empresas negam as acusações feitas pelos norte-americanos. A Huawei chegou a publicar nesta terça-feira (30) um estudo – voltado aos países da União Europeia – que atribui um prejuízo bilionário a um eventual banimento da empresa no bloco europeu.

Tanto a Huawei quanto a ZTE estão entre as maiores fornecedoras de equipamentos de infraestrutura para operadoras de telefonia. As principais rivais das chinesas no setor são a finlandesa Nokia e a sueca Ericsson.

Várias frentes de batalha

A decisão do FCC é apenas uma das diversas frentes de ataque do governo de Donald Trump à China. A Huawei está ainda em uma outra lista, neste caso do departamento de comércio dos EUA, que proíbe a venda de tecnologias norte-americanas pela empresa chinesa. A proibição teve como efeito a remoção dos serviços do Google dos smartphones da Huawei e suas subsidiárias.

Outra medida relacionada é a que exige uma autorização especial do governo dos Estados Unidos para utilizar tecnologias norte-americanas na fabricação de produtos para a Huawei, direcionada especialmente para cortar o fornecimento de chips da empresa chinesa produzidos pela taiwanesa TSMC.


Fonte: Canaltech