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Óleo no Nordeste: Marinha aponta mais dois navios além do Bouboulina como suspeitos por derramamento

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — A Marinha brasileira apontou outros dois navios-tanques além do Bouboulina como suspeitos de provocarem o maior derramamento de óleo da história do país. As embarcações que foram apontadas foram VL Nichioh (atualmente conhecido como City of Tokyo) e Amore Mio (rebatizado de Godam). O desastre ambiental afetou todos os estados do Nordeste e dois do Sudeste em 2019. Ninguém foi punido ou multado até o momento.

Com participação de instituições técnicas e científicas, as investigações foram conduzidas pela Marinha, que entregou o relatório final da investigação à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público federal (MPF) em agosto de 2020. O documento perdeu o sigilo nesta sexta-feira, mas não houve divulgação do inteiro teor.

Em novembro de 2019, uma operação da Polícia Federal autorizada pela 14ª Vara da Justiça Federal de Natal (RN) citava o navio grego Bouboulina, da empresa Delta Tankers, como responsável pelo vazamento. A empresa negou.

O relatório final da Marinha, porém, afirma que há outras duas possibilidades. O VL Nichioh pertencia à empresa liberiana Major Shipping SA, enquanto o holandês, então chamado de Amore Mio, era da Heesen Yachts. Ambos mudaram de nome no ano passado. Libéria é um país comum para registrar bandeiras de embarcações, já que as normas do país exigem poucos requisitos, como um endereço de e-mail.

“Esse evento, inédito e sem precedentes na nossa história, traz ensinamentos, como a necessidade de se investir no aprimoramento do monitoramento dos navios que transitam nas águas jurisdicionais brasileiras e nas suas proximidades, destacando o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz)”, diz o comunicado divulgado pela Marinha nesta sexta-feira.

Classificado como crime ambiental, o caso veio à tona com o surgimento de pelotas de óleo sem origem definida em praias da costa nordestina em 30 de agosto de 2019. Com 200 quilômetros de extensão segundo imagens de satélite, a primeira mancha foi encontrada pela empresa particular especializada em georreferenciamento HEX. No entanto, o derramamento teria ocorrido cerca de um mês antes, segundo as investigações.

Os primeiros pontos de óleo foram detectados na Paraíba e, logo em seguida, em Sergipe e em Pernambuco. Nos meses seguintes, as manchas de óleo alcançaram os outros seis estados do Nordeste (Rio Grande do Norte, Maranhão, Pernambuco, Sergipe, Alagoas e Bahia), além de Espírito Santo e do Rio.

De lá para cá, a União gastou R$ 187,6 milhões para conter o megavazamento, numa força-tarefa que reuniu 16.848 servidores públicos, sobretudo da Marinha, do Exército e da Defesa Civil. Segundo o relatório, as equipes coletaram 5.000 toneladas de resíduos, com óleo, materiais e detritos contaminados. Pelo menos 112 animais morreram.

Ao todo, 1.013 localidades foram atingidas. Além dos graves danos à vida marinha, o episódio prejudicou a pesca, atividade de subsistência de diversas famílias, e o turismo, que movimenta a região litorânea. Durante as investigações, a Polícia pediu cooperação da Nigéria, da África do Sul, de Cingapura, da Venezuela e da Grécia.

Procurados pelo GLOBO, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não se manifestaram. A reportagem não conseguiu contato com as empresas donas das embarcações.