Índices de NY divergem e Dow tem maior nível em 1 mês

Os principais índices acionários da Bolsas de Nova York fecharam em direções divergentes nesta quarta-feira, em meio às negociações para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos e um dado melhor do que o esperado sobre a atividade no setor de serviços. Com isso, o índice Dow Jones terminou a sessão no maior nível em um mês, enquanto o Nasdaq recuou, pressionado pela queda nas ações da Apple.

O Dow Jones ganhou 82,71 pontos (0,64%) e fechou a 13.034,49 pontos, o maior nível desde 6 de novembro. O S&P 500 avançou 2,23 pontos (0,16%), encerrando a 1.409,28 pontos. Do outro lado, o Nasdaq perdeu 22,99 pontos (0,77%) e finalizou o pregão aos 2.973,70 pontos.

O dia começou com tom positivo após o novo governo da China afirmar que vai "manter a continuidade e a estabilidade de suas políticas macroeconômicas". Mas o ânimo diminuiu após um leilão de bônus fraco da Espanha. Também prejudicou o humor dos investidores a notícia de que as vendas no varejo da zona do euro caíram 1,2% em outubro, na comparação com setembro. Além disso, o índice dos gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro subiu para 46,5 em novembro, mas permaneceu abaixo do patamar de 50, o que indica contração da atividade.

Nos EUA, os indicadores econômicos divulgados mais cedo foram divergentes. O setor privado criou 118 mil empregos em novembro, menos do que os 125 mil novos postos de trabalho esperados. Do outro lado, houve um aumento de 2,9% na produtividade da mão de obra no terceiro trimestre, que foi a maior alta em dois anos. Além disso, o índice de atividade do setor de serviços medido pelo ISM subiu para 54,7 em novembro, acima das expectativas dos analistas, de 53,5. E as encomendas à indústria avançaram 0,8% em outubro, quando a previsão era de queda de 0,1%.

Enquanto isso, seguem as negociações para evitar o abismo fiscal, uma série de cortes de gastos e aumentos de impostos programada para entrar em vigor no começo do ano que vem, caso não haja acordo no Congresso. O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, afirmou que o presidente norte-americano, Barack Obama, tem o dever de apresentar uma proposta que seja aceita pelo Congresso.

Pouco depois, Obama disse que a questão pode ser resolvida no prazo de uma semana se os republicanos concordarem com a elevação dos impostos para os ricos. Ele salientou que não é prudente tentar conter o déficit do país com a limitação a deduções e brechas tributárias, dando novas explicações sobre a razão pela qual rejeitou a proposta dos republicanos para evitar o abismo fiscal.

O noticiário corporativo foi agitado. As ações da Apple perderam 6,43%. Segundo analistas, algumas empresas de compensação estão elevando as exigências de margem para os clientes que comercializam as ações da empresa. Além disso, na quinta-feira acontece uma audiência no Tribunal Federal de San José, na Califórnia, no processo entre Apple e Samsung.

A consultoria IDC, especializada em tecnologia da informação, disse nesta quarta-feira que os tablets da Apple devem perder espaço nos próximos anos, com a participação de mercado caindo abaixo de 50% em 2016. Um fator técnico também pode estar por trás da queda das ações. Analistas dizem que, nos próximos dias, a média móvel de 50 dias das ações pode cair abaixo da média móvel de 200 dias, um evento conhecido como "death cross" e que indica que novas perdas estão por vir.

As ações da Travelers Cos, uma das maiores seguradoras dos EUA, subiram 4,92%, após a companhia anunciar que está retomando um programa de recompra de ações, que foi interrompido enquanto os impactos da passagem do furacão Sandy pela Costa Leste do país eram avaliados. A seguradora estimou suas perdas em US$ 650 milhões, bem menos do que algumas rivais.

O setor bancário teve um bom desempenho. O Bank of America ganhou 5,66%, com suas ações fechando acima de US$ 10,00 pela primeira vez desde julho de 2011. E o Citigroup avançou 6,33%, após anunciar um plano de cortes de gastos de US$ 1,1 bilhão, que inclui a demissão de 11 mil funcionários.

Os papéis da finlandesa Nokia subiram 12,79%, após a companhia lançar seu novo smartphone Lumia 620. E a mineradora Freeport-McMoRan Copper & Gold despencou 15,99%, depois de anunciar a compra das exploradoras de petróleo McMoRan Exploration e Plains Exploration Production, por um total de US$ 9 bilhões em dinheiro e ações, além de mais US$ 11 bilhões em dívidas assumidas. As informações são da Dow Jones.

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